Economia

Perspectivas 2015 – Indústria química: Setor procura uma saída para impasse na definição de preço competitivo para a nafta

Marcelo Fairbanks
25 de março de 2015
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    Petróleo & Energia, Balança comercial acumula déficits (em US$ bilhões)

    Ano difícil – Os associados da Abiquim estimam que 2015 será um ano de ajustes macroeconômicos e, por isso mesmo, de baixo crescimento do PIB, estimado em menos de 1%. “A indústria química reflete o desempenho do PIB, mas precisamos olhar para mais longe e manter uma agenda de desenvolvimento”, disse Fernando Figueiredo.

    No panorama atual do setor, os grandes centros de produção petroquímica são os Estados Unidos e o Oriente Médio, ambas as regiões com abundância de hidrocarbonetos. Isso favorece a economia global, pela redução do preço da energia. Para a indústria nacional, isso pode representar uma nova ameaça, caso não se tenha matérias-primas competitivas.

    Marcelo Lacerda, presidente da Lanxess no Brasil, observa que a redução do preço das matérias-primas petroquímicas não gera vantagens relativas entre os players globais. “Todos são igualmente beneficiados ou prejudicados, mas essa redução de custo pode ajudar a deslocar do mercado alguns produtos concorrentes, obtidos de outras fontes”, avaliou.

    Lacerda observa que os efeitos da crise financeira iniciada em 2008 ainda repercutem no setor químico global. “A demanda asiática caiu e segue muito abaixo do que se previa anteriormente, mas vários investimentos produtivos estavam sendo concluídos e isso resultou em uma superoferta que ainda deprime os preços”, afirmou.

    Euforia americana – Palestrante do Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq), realizado em dezembro passado pela Abiquim, Calvin Doolley, presidente do American Chemistry Council (ACC), enfatizou com entusiasmo os efeitos da disponibilidade de gás e óleo barato para a recuperação da economia dos EUA. “Desde 2013, o custo de produção de petroquímicos nos Estados Unidos se tornou igual ao dos países do Oriente Médio”, comentou. “O custo de produção na China é maior do que nos EUA, porque eles têm problemas com infraestrutura.”

    O grande trunfo das fontes não-convencionais de óleo e gás naquele país está na oferta de etano com preço de US$ 4 por milhão de BTU. “A produção de etano deverá ser quadruplicada até 2025, nessa mesma faiuxa de preço”, afirmou. Até novembro de 2014, 215 projetos químicos já haviam sido anunciados, representando investimentos de US$ 132 bilhões naquele país para os próximos anos.

    A disponibilidade de uma fonte de energia barata também faz deslanchar outros setores industriais. “Há cinco anos ninguém acreditaria na volta da indústria têxtil aos Estados Unidos, hoje nossos custos são amis baixos que os da Índia”, disse o presidente da ACC. O resultado disso: 703 mil novos empregos e US$ 270 bilhões a mais no PIB americano até 2023. E a produção química daquele país precisará duplicar para suprir a demanda local e ampliar as exportações.

    Nem tudo são flores nesse caminho. “Precisamos garantir o acesso às reservas de óleo e gás e prover infraestrutura para aproveitá-las”, recomendou. Também é necessário manter as normas de depreciação acelerada de ativos para garantir os investimentos necessários. A emissão de licenças também carece de aceleração, bem como cuidados com legislações estaduais que possam restringir o fraturamento hidráulico dos folhelhos (fracking). “O governo Obama está apoiando o setor”, comentou.

    Dooley também se mostra preocupado com a atualização da norma americana TSCA – Toxic Substances Control Act, que foi editada em 1976. “Precisamos encontrar formas de controlar substâncias de risco com base científica e estratégia adequada e eficiente”, considerou. Ele recomenda evitar o exemplo do Reach europeu. “Pesquisas mostram que 43% das companhias químicas entendem que o Reach prejudicou o desenvolvimento tecnológico europeu, enquanto apenas 13% dizem que ele melhorou esse aspecto”, informou. Além disso, segundo ele, o impacto negativo do Reach é maior nos pequenos negócios.

    Segundo a ACC, 17% das patentes americanas são produzidas pelo setor químico, que investe US$ 56 bilhões anualmente em pesquisa e desenvolvimento. “Chegam ao mercado americano três vezes mais novos produtos químico do que ao mercado europeu, não podemos comprometer isso”, ressaltou.

    Dooley vê uma oportunidade para a ACC e a Abiquim, além de outras entidades congêneres, atuarem em conjunto no âmbito da ICCA – International Council of Chemical Associations para desenvolver uma política de segurança química realista e com respaldo científico.

    Petróleo & Energia, Produção de químicos industriais caiu em 2014



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