Economia

Perspectivas 2014 – Tintas: Obras de moradia popular, novas montadoras e menos impostos geram boa expectativa

Marcelo Fairbanks
11 de março de 2014
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    Automotiva e industrial – As tintas para pintura automotiva devem ser beneficiadas com a inauguração de novas unidades de produção de automóveis nos próximos anos. Ainda que partes e peças sejam importadas, no caso das empresas entrantes nesse mercado, a pintura precisa ser feita no local da montagem dos carros, estimulando a produção de tintas. “É uma grande oportunidade para a indústria nacional de tintas crescer, oferecendo tecnologia avançada, equivalente às melhores do mundo, e isso deve se refletir no faturamento dos próximos anos”, considerou Ferreira.

    O presidente executivo da Abrafati considera que a política federal de favorecimento a setores empresariais específicos, a exemplo das montadoras de automóveis, gera resultados, mas a variação dos incentivos influencia demais a demanda, criando um problema para as indústrias. “Isso se verifica quando o governo anuncia a redução do IPI para carros, por exemplo, ou a sua majoração; acaba havendo uma avalanche de compras ou o seu represamento”, comentou.

    Além disso, a volatilidade da taxa cambial, como verificada em 2013, gera insegurança e prejudica novos investimentos. “Caso o dólar permaneça caro em relação ao real e os investimentos das montadoras progridam como planejado, as tintas automotivas, tanto originais quanto as de repintura, devem ter um ano muito bom”, projetou.

    Em 2013, a produção automobilística nacional apresentou desempenho frouxo, permanecendo praticamente igual ao ano anterior. Ferreira considera que as perspectivas para longo prazo são favoráveis, pois o país possui uma cultura de produção automotiva e há uma demanda sólida, apoiada por financiamentos ao consumidor.

    Em compensação, as tintas para aplicações industriais sofreram tanto quanto os setores que as consomem. “É um segmento muito pulverizado de mercado e temos encontrado grandes dificuldades para obter informações, pois cada empresa classifica esses itens de maneira diferente”, explicou.

    Ferreira entende que a incerteza quanto ao desempenho geral da economia criou um clima de insegurança no início de 2013, prejudicando o andamento de projetos. Com isso, o primeiro semestre alternou altos e baixos, mas fechou em baixa. Em contrapartida, o segundo semestre proporcionou resultados acima do esperado, resultado de um pequeno crescimento do PIB no cômputo do ano.

    Petróleo & Energia, Perspectivas 2014 - Tintas: Obras de moradia popular, novas montadoras e menos impostos geram boa expectativa“Verificamos com apreensão que a inflação aumentou e isso se refletiu nos custos dos materiais e dos serviços”, salientou. A alta do dólar perante o real também ajudou a elevar os custos, pois grande parte dos insumos químicos usados pelo setor depende de importações. É o caso do dióxido de titânio, principal pigmento e agente opacificante usado em todos os tipos de tintas, que teve renovada pelo governo federal a redução do imposto de importação de 12% para 2%, para uma cota anual de 120 mil t/ano, volume complementar à produção nacional. Essa cota também foi estipulada para 2013, porém problemas burocráticos impediram que fossem importados com o benefício mais da metade do volume estipulado. “Esperamos que este ano tudo se acerte, mas ainda falta a aprovação dessa medida no âmbito do Mercosul, que deve sair até março”, informou. Não há outros produtores do insumo no bloco.

    Ferreira espera que 2014 apresente elevação significativa da atividade econômica nacional, principalmente pelo fato de ser ano de eleições, geralmente acompanhadas de aumento de investimentos e gastos públicos. A copa do mundo de futebol é uma incógnita para o setor. Espera-se que a movimentação de turistas traga dinheiro para as cidades sede, mas não se pode prever o comportamento dos consumidores. “Os varejistas dizem que a venda de materiais de construção aumenta nos feriados e fins de semana; pode ser que os dias de jogos da copa sejam considerados como feriados”, comentou. “Havendo aumento do poder aquisitivo e fluxo de dinheiro na economia, com certeza a venda de tintas vai aumentar.”

    Ferreira arrisca uma previsão para o desempenho do setor de tintas em 2014: “Se tudo correr bem, o setor deve crescer 1,5 ponto percentual acima da variação do PIB, um comportamento típico.”

    A Abrafati comemora a consolidação do Programa Setorial da Qualidade, que permitiu uma ordenação do mercado, afastando os produtos de composição temerária, que deixavam insatisfeitos os consumidores. As normas oficiais de qualidade mínima para tintas decorativas imobiliárias garantem aos compradores a aquisição de produtos de desempenho confiável.

    A Abrafati também empreendeu esforços para que o setor acompanhasse de perto a instalação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que está sendo implantado por cadeias produtivas. “Estamos participando de dois acordos setoriais firmados com o governo federal: o da Prolata (de embalagens de lata) e o da Coalizão Empresarial (de embalagens em geral), e esperamos que o governo defina as datas para o início das operações de logística reversa, segundo as quais as embalagens devem ser devolvidas aos fabricantes”, explicou. De acordo com Ferreira, em 2014 deve ser implantado um projeto piloto do setor.

    Ferreira comentou a desnecessidade de se exigir a logística reversa para embalagens de tintas. “Isso já é feito habitualmente, as latas usadas de tintas não vão parar no lixão, elas são recolhidas e destinadas para reciclagem nas siderúrgicas, há estudos que comprovam isso”, afirmou.



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