Petróleo e Energia

Perspectivas 2014 – Petrobras: Exploração tem prioridade, mas estatal precisa reduzir custos e evitar atrasos

Bia Teixeira
3 de março de 2014
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    Foi graças a esse choque de ordem que a Petrobras, depois de dois anos de percalços, conseguiu um feito inédito: lançar nove plataformas ao mar, na costa brasileira, em um único ano. Especialistas, engenheiros e até mesmo técnicos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirmam que não se tem notícia de uma única companhia de petróleo ter executado meta tão ousada.

    Exatidão nas informações – Mas os analistas questionam os números divulgados pela estatal de que “nove plataformas” foram construídas em 2013, com capacidade para agregar um milhão de barris de óleo à produção nacional. As nove unidades são os FPSOs Cidade de São Paulo, Cidade de Itajaí, Cidade de Paraty, P-63, P-55, P-58 e P-62, além da primeira plataforma do tipo TLWP (Tension Leg Wellhead Plataform) construída no país, a P-61, que vai operar em conjunto com uma TAD (sigla para Tender Assisted Drilling). Não somente elas não foram construídas nesse período como tampouco entraram em operação ou até mesmo chegaram à locação em 2013. No total, das nove plataformas mencionadas, apenas quatro começaram a produzir em 2013.

    A primeira foi o FPSO Cidade de São Paulo, concluído em outubro de 2012, que produziu o primeiro óleo de Sapinhoá, no pré-sal da Bacia de Santos, em janeiro de 2013. Com capacidade para 120 mil barris de óleo (30º API) e 5 milhões de m3 de gás), deve atingir o pico de produção no primeiro semestre deste ano.

    O campo deverá ganhar outra unidade em 2014: o FPSO Cidade de Ilhabela, cujo casco convertido na China chegou ao Brasil em dezembro de 2013, para integração dos módulos. A unidade terá capacidade para processar diariamente 150 mil barris de óleo e 6 milhões de m³ de gás.

    A segunda unidade a entrar em operação em 2013, no mês de fevereiro, foi o FPSO Cidade de Itajaí, no pós-sal do Campo de Baúna (sul da Bacia de Santos), com capacidade para processar até 80 mil barris de petróleo leve (34º API) e 2 milhões de m³ de gás.

    Em junho foi a vez de Lula Nordeste, no pré-sal da Bacia de Santos, ter o primeiro óleo extraído comercialmente pelo FPSO Cidade de Paraty, com capacidade para processar 120 mil barris/dia de óleo e 5 milhões de m³ de gás.

    Concluída em agosto, apenas em 11 de novembro a P-63 iniciou a produção do campo de Papa-Terra, também no pós-sal do sul da Bacia de Campos, com capacidade para processar, diariamente, 140 mil barris de petróleo e 1 milhão de m³ de gás, produzidos por ela e pela P-61. As outras cinco unidades apenas estavam no mar no dia 31 de dezembro.

    No final de 2013, a Petrobras procurou acertar o compasso dos fatos com as informações. A P-55 saiu rumo à sua locação, em Roncador, no mês de outubro, aniversário da estatal. Mas só produziu óleo na virada do ano. Outras quatro unidades acabaram sendo praticamente “lançadas” ao mar no último mês do ano.

    No dia 4 de dezembro, a P-58 deixou Rio Grande-RS em direção ao Parque das Baleias, na Bacia de Campos. Este FPSO pode processar diariamente até 180 mil barris de petróleo e 6 milhões de m³ de gás natural dos reservatórios do pós-sal e do pré-sal (o primeiro óleo dessa camada foi produzido lá, no campo de Jubarte, em 2009).

    A Petrobras anunciou que a TAD semissubmersível SS-88, construída em estaleiros da China e dos EUA, está a caminho do Brasil, com previsão de chegada em janeiro de 2014. Ela seguiria para o campo de Papa-Terra, após a liberação pelas autoridades competentes, para atuar junto com a TLWP P-61, que saiu do estaleiro BrasFels, na baía de Angra dos Reis-RJ, no último dia do ano.

    Um dia antes, o FPSO P-62, capaz de processar diariamente até 180 mil barris de petróleo e 6 milhões de m³ de gás, também começou a viagem a caminho de sua locação, no Módulo IV do Campo de Roncador, saindo do Estaleiro Atlântico Sul, em Pojuca-PE.

    O vilão da história – O mercado financeiro não viu com bons olhos a dubiedade nas informações. A única alta se deu em virtude do reajuste do preço dos combustíveis, o grande vilão das finanças da Petrobras, que apresentou ao governo, em dezembro, uma proposta de metodologia de precificação, uma espécie de calendário de reajustes de preços dos combustíveis, para dar maior previsibilidade ao caixa da Petrobras em momentos de oscilação do dólar e do preço do petróleo. Com isso, a estatal buscava maior equilíbrio entre os preços internos e os valores praticados no mercado internacional, a fim de reduzir o déficit comercial decorrente do aumento das importações para atender ao aumento da demanda local.

    “Por razões comerciais, os parâmetros da metodologia de precificação serão estritamente internos à companhia”, informou em nota oficial a estatal. Mas o governo não gostou da iniciativa. Não somente pela estatal criar um mecanismo de preços sem consultar o “dono” das finanças, o Ministério da Fazenda, assim como por ser visto como uma maneira de indexar a economia e, dessa forma, pressionar a inflação.



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    Um Comentário


    1. silvana paixão silva

      meu sonho é trabalha nesta empresa.



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