OTC: Aumenta o interesse pela exploração de campos de óleo e gás nas Américas

Petróleo & Energia, OTC - Aumenta o interesse pela exploração de campos de óleo e gás nas américas
As mais de 108 mil pessoas que participaram da 45ª Offshore Technology Conference (OTC) confirmaram a posição de maior evento do mundo no setor offshore de óleo e gás. No entanto, o encontro realizado anualmente em Houston, e que aconteceu entre os dias 5 a 8 de maio, sinalizou o interesse crescente da indústria mundial nos mercados das Américas: 44% das 2.568 empresas participantes eram estrangeiras, oriundas de 43 países. A mostra ocupou 63.176 m² e contou com 163 novos expositores neste ano.

Durante os quatro dias, além da exposição, os visitantes tiveram oportunidade de assistir aos debates e apresentações dos mais variados em uma programação que incluiu nove painéis, 29 palestras de executivos em almoços e cafés da manhã e ainda 308 sessões técnicas.

Petróleo & Energia, OTC - Aumenta o interesse pela exploração de campos de óleo e gás nas américasO que vem sendo chamado de reforma do setor energético mexicano deu o tom dos debates na OTC, que este ano usou como tema a frase imortalizada na música dos Beatles: Come together. Um convite para quem deseja explorar melhor o setor de petróleo e gás na região, onde o shale gas vem promovendo importantes mudanças, ainda que as projeções otimistas tenham superado ligeiramente a realidade. Uma das sessões, intitulada “Perspectivas da Energia Global: Formação do Futuro!”, teve a participação de funcionários dos governos do Canadá, EUA e México.

O impacto do shale gas sobre as atividades offshore também foi tema de palestras, assim como o uso de tecnologias geoespaciais. O ex-astronauta Mike Bloomfield, vice-presidente e o gerente-geral da Oceaneering Sistemas Espaciais, falou sobre o uso, pela indústria de óleo e de gás, de laboratórios da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Mas o tema recorrente ainda é segurança operacional e preservação do meio ambiente em um mercado no qual ainda repercute o impacto do acidente com a plataforma Deepwater Horizon, da BP, no prospecto de Macondo, no Golfo do México, ocorrido em abril de 2010. Além dos 11 mortos na explosão da plataforma, os cinco milhões de barris vazados durante quase três meses, antes do fechamento definitivo do poço, deixaram um marca indelével na história da indústria petrolífera local. E os ambientalistas tampouco veem com bons olhos a exploração não-convencional.

Petróleo & Energia, Pedrosa: PPSA busca parceiros para explorar pré-sal
Pedrosa: PPSA busca parceiros para explorar pré-sal

Café Brasil – Ainda que não tenha ocupado o centro das atenções, como em anos anteriores, quando havia um grande frisson em torno do pré-sal, o Brasil abriu os trabalhos do primeiro dia da OTC 2014, com um café da manhã no qual o prato principal foi o regime de partilha e o campo de Libra, na segunda-feira, dia 5. Moderado pelo presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), João Carlos França de Luca, único brasileiro a integrar o board da OTC, o evento teve como palestrante o presidente da Pré-Sal Petróleo S/A (PPSA), Oswaldo Pedrosa. Ele fez questão de posicional a PPSA como ‘parceira’ de negócios de quem quiser participar da exploração e produção dessa nova fronteira.

“Temos interesses potencialmente convergentes com todos os operadores”, afirmou Pedrosa, explicando ainda que a principal função da PPSA é analisar, aferir e aprovar os custos apresentados pelos consorciados, dentro de parâmetros que permitam o retorno do investimento em óleo recuperado. “Estaremos atentos quanto aos planos e ações programadas, para assegurar a maximização dos resultados para todos os envolvidos”, afirmou o dirigente da PPSA, ao falar sobre aspectos relacionados à cadeia de suprimentos e desafios tecnológicos e operacionais do campo de Libra, o primeiro concedido sob regime de partilha, e que tem um ambicioso plano de desenvolvimento.

Animados com as oportunidades destacadas por Pedrosa, os convivas encerraram o café da manhã com uma palestra do CEO e presidente da BP America, John Mingé, que teve como tema America’s Energy. O duplo evento teve todos os lugares vendidos antecipadamente, a US$ 50 por pessoa.

Nesse mesmo dia, foram apresentados cases da Petrobras em dois painéis técnicos. Gerente de geofísica de reservatórios da gerência-geral de reservas e reservatórios, Paulo Johann falou sobre o monitoramento sísmico permanente no Campo de Jubarte, no painel “Tecnologias Emergentes de Geociências”. O geofísico destacou os pontos positivos dessa tecnologia, utilizada também em outros campos da Petrobras, e que possibilita o gerenciamento integrado do campo, com consequente aumento da produção e redução de custos e de tempo dos projetos de caracterização e monitoramento dos reservatórios.

O uso de plataformas do tipo FPSO (unidade flutuante que produz, armazena e transfere petróleo) foi abordado pelo consultor da Petrobras Jonatas Ribeiro, que apresentou o trabalho “Avaliação de Unidades de Processamento de Grande Capacidade para campos de elevada razão gás/óleo em águas profundas”. O estudo foi elaborado em coautoria com Antônio Carlos Capeleiro Pinto, gerente de desenvolvimento do pré-sal da estatal, Celso Cesar Moreira Branco e Celio Eduardo Martins Vaz. O destaque dado a essa solução, por agilizar e otimizar a produção, acelerando o desenvolvimento de campos gigantes, deve-se não somente ao uso intensivo que a petroleira brasileira faz desse tipo de equipamento no Brasil, como também por ter sido a primeira a introduzir um FPSO no Golfo do México. A Petrobras quis enfatizar a sua expertise no tema e garantir que se trata de opção segura em uma região traumatizada por acidentes.

Petróleo & Energia, Alonso mantém foco na qualificação de pessoal e na inovação contínua
Alonso mantém foco na qualificação de pessoal e na inovação contínua

Conteúdo local – Reforçando sua posição de destaque no cenário internacional, o Brasil atraiu muitas atenções em quase todos os dias do evento. Na terça-feira, dia 6, foi a vez da Agência Brasileira de Promoção de Comércio e Investimento (Apex-Brasil), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, promover mais uma edição do ‘Invest in Brazil’.

Mais de 100 pessoas assistiram à apresentação do assessor da presidência da Petrobras para conteúdo local e coordenador executivo do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), Paulo Alonso, que falou sobre os dez anos dessa iniciativa, principalmente quanto à formação de novos quadros para o setor. “Até 2016 vamos qualificar mais 17 mil profissionais técnicos e de nível superior para trabalhar no setor de óleo e gás”, frisou o executivo, lembrando que, de 2006 a 2013, foram capacitadas quase 100 mil pessoas, hoje atuando no mercado. Ele também reforçou a questão do conteúdo local como forma de apoiar a indústria brasileira, para que ela possa ter produtos em bases mais competitivas e sustentáveis. “Temos de manter foco na inovação contínua, atuando em parceria com fornecedores, universidades brasileiras e estrangeiras”, concluiu Alonso.

No mesmo evento, o gerente de desenvolvimento de mercado da área de materiais da Petrobras, o engenheiro Ronaldo Martins, abordou a questão do suprimento de itens críticos, citando uma série de equipamentos necessários para a implantação dos inúmeros projetos previstos no Plano de Negócios da Petrobras (PN 2014-2018). “Temos buscado trabalhar em conjunto com os fabricantes”, frisou Martins, lembrando que até 2020 a Petrobras pretende colocar em operação 24 novas unidades de produção no pré-sal brasileiro, nas Bacias de Santos e de Campos. “Não estão incluídas aqui as unidades necessárias para o desenvolvimento do campo de Libra”, ressaltou, elencando os requisitos necessários para o cadastramento de fornecedores da Petrobras.

Representantes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi) e da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) também participaram da Invest in Brazil. Ao final do evento, que teve o teve o apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), representantes dos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro destacaram as oportunidades de investimentos em suas regiões.

Petróleo & Energia, Anelise detalhou o cronograma de exploração do campo de Libra
Anelise detalhou o cronograma de exploração do campo de Libra

Mais pré-sal – No penúltimo dia da OTC 2014, o pré-sal e o campo de Libra voltaram a ser o tema central de outro café da manhã, desta vez promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Texas (Bratecc), que reuniu cerca de 400 empresários (foi o mais badalado de todos os eventos nos quais o Brasil teve participação). O ponto alto desse encontro – com a presença também de Oswaldo Pedrosa, da PPSA, falando sobre as regras do regime de partilha e o papel da PPSA, e de Paulo Alonso, discorrendo sobre o Prominp – foi a apresentação da gerente executiva de avaliação exploratória, desenvolvimento da produção e gestão dos investimentos de Libra, Anelise Lara.

A engenheira química, com formação em geologia e uma extensa folha de serviços na Petrobras, que inclui o Centro de Pesquisas (Cenpes), detalhou o cronograma de trabalho previsto para o campo de Libra para uma plateia atenta. Lembrando que o primeiro Teste de Longa Duração (TLD) está previsto para o final de 2016, ela pontuou que Libra demandará nada menos que 11 sistemas de produção submarinos, entre 2020 e 2030. “O índice de conteúdo local para cada etapa de desenvolvimento varia de acordo com o cronograma, processos envolvidos e volume de produção”, observou. “Sabemos que o conteúdo local exigido para os bens e serviços ao longo de todo esse processo de exploração e produção será um grande desafio”, comentou. Tanto que já haveria negociações em andamento entre a direção da estatal e o governo para rever a questão do conteúdo local em um projeto desse porte. O assunto não foi mencionado pela executiva da estatal.

O café da manhã da Brattec foi fechado pela diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, que destacou as oportunidades que se abrem com os investimentos previstos para os próximos anos em inúmeros projetos, e que se desdobram desde a exploração à produção.

Sem sinalizar qualquer possibilidade de um novo leilão de áreas ainda esse ano, Chambriard frisou apenas que “as oportunidades exploratórias vão muito além do pré-sal”. E citou o potencial ainda inexplorado de grande parte da margem leste brasileira, que vai do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte (onde a exploração se concentra hoje nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo).

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