OTC – Negócios em offshore crescem e ignoram crise

Com um público superior ao da população de centenas de cidades dos Estados Unidos, a Offshore Technology Conference (OTC), realizada anualmente desde 1969, reafirmou sua posição como o principal evento mundial do setor. Mais de 89,5 mil pessoas circularam pela feira, que tem o objetivo de mostrar o estado da arte em perfuração, exploração e produção de petróleo e gás, incluindo sistemas de proteção e segurança offshore para minimizar impactos ambientais e sociais, que se tornaram cada vez mais prioritários.

Espalhadas por quase 60 mil metros quadrados, na parte interna e externa do gigantesco Reliant Park, centro de convenções de Houston, no Texas (EUA), 2.500 empresas dos cinco continentes se apresentaram na grande vitrine tecnológica da OTC 2012, realizada entre 30 de abril e 3 de maio. Foi a maior área ocupada pelos Divulgação Alta tecnologia dominou a feira, que teve área para o Brasil 44 encontros já realizados até hoje.

Com o pré-sal na ordem do dia e o Brasil em posição de destaque no Hemisfério Ocidental, ainda afetado pela crise, a OTC atraiu 200 novos participantes, entre empresas ou representações de países como o pequeno, porém rico em petróleo, Bahrain, o tigre asiático Taiwan, a isolada, mas altamente desenvolvida, Nova Zelândia, além de Hungria, Lituânia e Israel, que estrearam no evento desse ano em busca de bons negócios movidos a óleo e gás natural.

A despeito dos números recordes – foi o terceiro maior público da história da OTC –, a crise se refletiu na participação mais reduzida de países representados pelas empresas que montaram estande na feira e pelos papers inscritos nas sessões técnicas: somente 46 países, contra mais de 110, em 2007.

Isso não ofuscou o brilho do evento, considerado como “o de maior sucesso desde os anos 80”pelo chairman da OTC, Steve Baliant, que destacou o forte conteúdo técnico das sessões (com mais de 300 papers) da conferência, assim como o vasto número de soluções tecnológicas apresentadas na feira.

Uma programação que incluiu oito painéis técnicos – um dos quais, com uma apresentação da Petrobras sobre o sistema submarino de separação água-óleo (SSAO), utilizado em Marlim, na Bacia de Campos – e quase três dezenas de apresentações de executivos, especialistas ou autoridades em almoços e cafés da manhã temáticos.

“Esta é uma indústria em ascensão, com inúmeros desafios à frente, tornando fundamental compartilhar o conhecimento e as melhores práticas do mercado. A OTC é o espaço para se fazer isso”, afirmou Baliant, lembrando que o evento está sempre na vanguarda da tecnologia, como ficou evidenciado pelas 13 premiações do OTC Spotlight.

Mercado brasileiro ainda atrai – Não foi a crise econômica que fez a Petrobras se ausentar do congresso mais badalado do setor e que já lhe auferiu as duas mais importantes premiações, uma delas para o projeto de desenvolvimento do Campo de Roncador, na Bacia de Campos, onde a P-36 afundou em 2001, após a premiação. A estatal sabe que não precisa despender esforços para atrair as atenções do mundo diante de seu posicionamento estratégico na exploração da camada do pré-sal.

Tal atrativo não se restringe à petroleira brasileira e tem mantido o Brasil em posição de destaque nas últimas edições do evento, como ficou comprovado no primeiro dia. Aberta com um café da manhã temático, no qual a BP falou sobre gerenciamento de riscos e a Oceaneering destacou as inovações tecnológicas subsea, a OTC já havia reservado espaço para o Brasil no primeiro almoço, conforme constava na programação impressa do evento, que trazia o tema Brazil Strategic and Business Plan.

Quem assumiu a tarefa de dar ao país uma posição de destaque nos debates foi a diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, que discorreu sobre o marco regulatório brasileiro, conteúdo nacional e os atrativos das bacias brasileiras, que vão muito além do pré-sal, incitando as empresas estrangeiras a “ousarem” mais no país.

A executiva observou que o Brasil está a ponto de dobrar suas reservas provadas de petróleo graças às descobertas no pré-sal, que vão demandar, até 2020, um mínimo de US$ 400 bilhões em produtos e serviços. E que boa parte dessa demanda poderá ser atendida por empresas que se instalarem no país, alinhadas com a questão do conteúdo nacional, uma vez que a indústria instalada hoje não terá condições de suprir a grande maioria dos bens (equipamentos) que serão necessários para os novos projetos. Por último, instigou as oil companies a buscar oportunidades mais além das parcerias com a Petrobras.

Em relação à questão de segurança operacional, Magda frisou que o país tem mecanismos regulatórios considerados rigorosos até por outros países e que a ANP acredita mais em medidas efetivas, como a paralisação da operação, do que multas. “Nós cobramos US$ 23 milhões em multas, entre 2010 e 2011, quando foram realizadas 130 auditorias e constatadas 910 não conformidades. Mas descobrimos que ordenar a parada de operação é mais eficaz do que aplicar multas”, concluiu a ‘comandante’ da ANP, recebendo aplausos dos comensais, que haviam esgotado quase uma semana antes os convites (a US$ 50,00) do disputado almoço.

A palestra de Magda foi, literalmente, a cereja do bolo, ou melhor, a cobiçada ‘sobremesa’ de um almoço comandado por Francisco Sanchez, subsecretário de Comércio Internacional do Departamento de Comércio dos Estados Unidos (similar aos ministérios brasileiros), que tem vindo frequentemente ao Brasil em missões comerciais.

Sem a presença formal da Petrobras para falar sobre os projetos de desenvolvimento do pré-sal e os desafios desse cenário, o prato de entrada foi a apresentação do Centro de Segurança Offshore (Center for Offshore Safety – COS), criado em 2011 nos Estados Unidos e integrado por diversas empresas do setor que atuam fortemente no Golfo do México. Reflexos do acidente da Deepwater Horizon, no prospecto de Macondo, naquele golfo.

Petróleo & Energia, Magda Chambriard, Diretora-geral da ANP, OTC 2012 - Negócios em offshore crescem e ignoram crise
Magda convidou fornecedores internacionais a atuar mais no país

Coube à petroleira francesa Total falar de novas fronteiras, ao discorrer sobre sua atuação na Costa Oeste da África, onde teve um projeto destacado na OTC deste ano: o sistema subsea de separação de Pazflor, fornecido pela norte-americana FMC Technologies, foi um dos premiados da OTC esse ano, assim como a solução utilizada pela Petrobras em Marlim (SSAO), fornecida pela mesma companhia.

Também fizeram apresentações outras companhias petrolíferas como as norte-americanas ExxonMobil, Anadarko, Conoco Philips, a angloholandesa Shell, a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), a russa Gazprom, Petrovietnam, e ainda fornecedores globais de bens e serviços, como GE, Noble, Oceaneering, entre outras.

A disputa por investimentos e novas oportunidades de negócios para suas indústrias levou diversos países a elaborar apresentações mais saborosas para os eventos temáticos à mesa. De 1º a 3 de maio, a OTC ofereceu um cardápio diversificado de cafés da manhã e almoços de negócios (a US$ 40,00 e US$ 50,00, respectivamente), nos quais empresas e organizações do setor petrolífero do Reino Unido, Noruega, Israel, China, Rússia, Nigéria, Vietnã, entre outros, destacaram os atrativos de suas indústrias petrolíferas.

Gerenciamento de riscos, segurança operacional, mudanças climáticas, política energética norte-americana, entre outros temas, compuseram também o menu desses eventos, que possibilitaram aos organizadores ampliar e tornar ainda mais completa e atraente a programação da feira e conferência. Ninguém se sentava à mesa por acaso.

Já os painéis realizados durante a OTC focaram assuntos considerados essenciais para o mercado e para as empresas, como o papel dos produtores independentes, estratégias de gerenciamento de riscos, criação de valor através de tecnologias globais, além de temas mais técnicos e soluções na área de pipelines, perfuração e completação e poços, linhas flexíveis, e muita inovação.

Petróleo & Energia, Bruno Musso, Superintendente da Onip, OTC 2012 - Negócios em offshore crescem e ignoram crise
Musso: indústria brasileira tem condições para disputar encomendas

Grandes projetos – Buscando levar os debates para o campo das aplicações, a fim de aprofundar as reflexões e a troca de informações sobre práticas bem-sucedidas da indústria, a programação da OTC abriu espaço para a apresentação de grandes projetos, implantados em distintos cenários, que podem servir de referência para o mercado.

Entre os principais cases apresentados, além dos sistemas de separação submarina dos campos de Marlim, operado pela Petrobras na Bacia de Campos, e de Pazflor, com cerca de 600 milhões de barris de óleo equivalente (BOE), maior projeto offshore da Total na costa de Angola, estava o projeto Jubilee, operado pela companhia independente britânica Tullow Oil plc, com reservas estimadas em um bilhão de barris na costa de Gana.

Outro destaque foi o projeto do campo de Who Dat, em área denominada Mississippi Canyon, em águas profundas no Golfo do México, da companhia independente norte-americana LLOG, que concentra sua atuação naquela região. Já a italiana ENI mostrou suas operações nas águas geladas do Alasca, onde, em fevereiro de 2011, deu início à produção do campo de Nikaitchuq, com reservas estimadas de 220 milhões de barris.

Pavilhão Brasil – A ausência da Petrobras acabou abrindo mais espaço para o Pavilhão Brasil, montado todos os anos pela Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Instituto Brasileiro de Petróleo Gás e Biocombustíveis (IBP) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).Petróleo & Energia, Luiz Felipe Camargo. Diretor executivo, OTC 2012 - Negócios em offshore crescem e ignoram crise

Com uma área recorde de 850 m²– a maior já ocupada nessa feira –, o pavilhão brasileiro abrigou 42 empresas e organizações que têm relação direta com o setor de petróleo e gás. Tradicionalmente ocupando duas áreas contíguas, este ano o pavilhão abrigou um terceiro espaço, onde se concentraram as entidades, incluindo a estreante Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que montou um aquário virtual holográfico com uma plataforma em 3D, mostrando a atuação das empresas na cadeia produtiva, desde a manutenção e operação até a área de segurança e meio ambiente.

Segundo o secretário executivo do IBP, Álvaro Teixeira, esse crescimento mostra o potencial da indústria brasileira de bens e serviços. “O aumento sistemático da participação de empresas nacionais no pavilhão mostra o potencial exportador dos nossos fornecedores e o interesse que despertam no comprador ou parceiro estrangeiro pelo Brasil, que atualmente é uma referência mundial do setor offshore de petróleo e gás”, afiançou o executivo.

“Para o IBP, representa a concretização deste importante projeto de promoção da indústria nacional, iniciado há 13 anos em parceria com a Onip”, complementou Teixeira, que teve mais um motivo para comemorar a participação brasileira. Durante o evento foi anunciada a parceria inédita do IBP na OTC Brasil, que se realizará pela segunda vez no Rio de Janeiro, entre 8 e 10 de outubro de 2013. “O IBP está feliz em somar esforços com a OTC para trazer o mais importante encontro sobre águas profundas para o mercado brasileiro”, declarou João Carlos de Luca, presidente do instituto, durante a solenidade de assinatura da parceria. Com isso, o IBP passa a fazer parte do conselho da organização da OTC, que reúne 13 entidades, todas com sede nos Estados Unidos.

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Não somente empresas da cadeia produtiva de óleo e gás e entidades do setor no Brasil têm buscado reforçar a exposição na maior feira offshore do mundo. Autoridades brasileiras em âmbito federal, estadual e municipal também se mobilizam para fomentar negócios para incrementar a balança comercial do país.

Representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) também foram à OTC para prospectar oportunidades, assim como conhecer de perto o modelo norte-americano de exploração e produção de shale gas (gás extraído das rochas de xisto).

Isso porque um levantamento recente da KPMG indicou que o Brasil poderá se tornar o segundo maior produtor desse tipo de energia, pois dispõe da décima maior reserva de shale gas no mundo, estimada em 226 bilhões de m³. Nos Estados Unidos, esse setor movimentou US$ 40 bilhões em 2011.

De olho nesse potencial, o Ministério de Minas e Energia (MME) coordenou, em parceria com o Departamento de Energia Americano, em Houston, um workshop sobre hidrocarbonetos não convencionais. “Essa troca de informações é importantíssima para o Brasil, pois os Estados Unidos possuem 20% das reservas de shale gas e 80% da capacidade instalada de produção no mundo”, disse o diretor do Departamento de Política de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural do MME, José Botelho.

Representantes do MDIC, ABDI, MME, ANP e Petrobras visitaram sites de produção da Halliburton, no Texas, e da Shell, na Louisiana, além de participar de palestras, visitas e conferências técnicas na OTC. Também estiveram no Seminário Investing in Brazil’s Oil & Gas Supply Chain, promovido pela Apex Brasil, que mostrou as oportunidades de investimentos em nichos da cadeia produtiva de petróleo e gás, bem como relatos de empresas estrangeiras sobre o processo de instalação no Brasil e o ambiente de negócios no país.

A cidade do Rio de Janeiro também se fez presente por meio de sua agência Rio Negócios, que participou do encontro da WECP – organização que reúne as principais capitais do setor.

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“Sendo o principal fórum representativo da indústria brasileira de óleo e gás e contando com o apoio de 220 empresas associadas (incluindo a Petrobras), o IBP espera reunir as principais operadoras e fornecedores deste segmento num congresso de alto nível na OTC Brasil 2013”, concluiu o executivo. De acordo com fontes da entidade, a Petrobras, que não participou da primeira edição brasileira da OTC, acompanha com interesse a consolidação dessa parceria.

Petróleo & Energia, João Carlos de Luca, Presidente do instituto, OTC 2012 - Negócios em offshore crescem e ignoram crise
De Luca (3º sentado, a partir da esq.) firmou parceria entre IBP e OTC

Visibilidade externa – Mas é a vitrine internacional, em Houston, que interessa mais aos integrantes do projeto Oil Brazil, coordenado pela Onip em parceria com a Apex, que busca dar maior visibilidade externa à cadeia de fornecedores brasileiros do setor de óleo e gás. “O setor de petróleo é globalizado por natureza e, se pretendemos ampliar a participação de empresas brasileiras no cenário internacional, precisamos ter uma presença forte no maior evento mundial do setor”, frisou Bruno Musso, superintendente da Onip.

“O Brasil tem tradição nesse setor. Não podemos esquecer que a indústria local fornece bens e serviços para a Petrobras há décadas e essa expertise precisa ser mostrada de forma mais explícita ao mercado internacional”, afirmou Musso, que comandou o grupo de 28 empresas do projeto que foram à feira. “Com isso, pretendemos ampliar as oportunidades de negócios para as empresas no mercado internacional e mostrar as competências disponíveis no país.”

Segundo Musso, o fluxo de visitantes no pavilhão brasileiro não foi afetado pela ausência da Petrobras. “É claro que a presença da Petrobras é sempre um atrativo adicional, que facilita o trabalho de apresentar o Brasil aos compradores internacionais”, ponderou.

O superintendente da Onip destaca também a importância dos eventos paralelos à feira, organizados pela Apex, que apresentaram de forma clara as oportunidades no mercado brasileiro. “A iniciativa amplia significativamente o interesse de empresas estrangeiras detentoras de tecnologias não disponíveis no Brasil em buscar parceiros locais.”

Musso pontuou que outro ponto alto da temporada em Houston foi o encontro das empresas brasileiras com a Petrobras America (PAI), organizado pela ONIP e pelo Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp). “Pudemos conhecer mais de perto os projetos liderados pela PAI no Golfo do México e as possibilidades e critérios para participar deles”, acrescentou.

Quem também buscou maior exposição externa foi o Centro de Tecnologia em Dutos (CTDUT), que vem se preparando para abrigar projetos também na área offshore em suas instalações no Grande Rio. “É importante participar de eventos internacionais como esse para divulgar o CTDUT em países onde existem empresas com necessidade desse tipo de laboratório e não dispõem de local apropriado para a realização de testes”, explicou o gerente executivo Arthur J. F. Braga. “Houve manifestação de interesse muito forte pelo uso de nossas instalações, principalmente pelo loop de14 polegadase por treinamento”, finalizou.

Navipeças busca negócios – Outra entidade que estreou na OTC foi a Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav). Segundo o diretor executivo Luiz Felipe Camargo, a participação da Abenav decorreu de uma parceria com o IBP e a Apex, tendo por objetivo promover o mercado naval e offshore brasileiro.

“Vimos uma oportunidade de difundir informações sobre as demandas para exploração e produção do pré-sal, regras de utilização do conteúdo local nas encomendas da Petrobras, de forma que isso incentive parcerias de empresas estrangeiras, detentoras de novas tecnologias, com a indústria brasileira, para que se instalem e produzam no Brasil”, salientou Camargo.

Ele lembrou que a OTC é uma feira tradicional, reconhecida mundialmente pelo setor, que abre uma grande oportunidade para networking e para a realização de negócios com empresas do mundo todo. “Um fator importantíssimo é a boa qualificação do público presente durante o evento, formado geralmente por executivos com efetivo poder de decisão”, pontuou o dirigente.

Petróleo & Energia, Roberto Rocha, Diretor executivo, OTC 2012 - Negócios em offshore crescem e ignoram crise
Rocha: feira confere visibilidade ampla para serviços que presta

Ainda que estreante, a Abenav encerrou sua participação com algumas expectativas de negócios. “Durante o evento, presenciamos o interesse de diversas empresas estrangeiras em encontrar um parceiro brasileiro para prospecção desse mercado. Estamos atuando para ajudar essas empresas a identificar potenciais parceiros nacionais para o início das tratativas. Há, portanto, expectativa de que algumas parcerias possam ser viabilizadas por meio desses contatos”, concluiu Luiz Felipe Camargo.

Bons relacionamentos – Quem retornou à OTC com estande no Pavilhão Brasil foi a brasileira Forship Engenharia, a principal empresa brasileira do setor de comissionamento, com projetos reconhecidos no mercado internacional, em que atua há diversos anos. “Havíamos participado em 2002 e 2003, mas depois só a frequentamos como visitantes. Decidimos voltar com o estande para possibilitar uma grande visibilidade internacional”, disse o diretor executivo Roberto Rocha. “Foi muito grande o interesse dos visitantes pelo pavilhão, só a Forship recebeu a visita de aproximadamente 150 representantes de empresas”, afirmou o executivo.

Roberto Rocha ponderou que, no momento, o objetivo principal não é atuar em projetos locais nos Estados Unidos e sim em empreendimentos que empresas norte-americanas estejam desenvolvendo no Brasil. Hoje, a Forship tem em seu portfólio mais de dez empreendimentos externos em curso em países como Cingapura, Coreia, China, Emirados Árabes, Moçambique, e está iniciando um projeto na Malásia e outro na Argentina. “E temos quatro empreendimentos em andamento no Brasil, contratados por empresas estrangeiras”, revelou.

A estratégia da empresa, com uma subsidiária em Cingapura – a Forship Asia (FSA), em forte atividade –, é reforçar a posição na Ásia e na África, tanto no mercado de óleo e gás quanto no de mineração, setor no qual a Forship vem expandindo sua atuação.

Tomada de temperatura – Na sua segunda participação no Pavilhão Brasileiro, a empresa de engenharia e tecnologia Radix, respaldada nos resultados do ano anterior, também tem expectativas de fechar bons negócios. “A OTC é uma grande referência mundial tanto em termos técnicos quanto de negócios”, disse o diretor-presidente Luiz Eduardo Rubião. “Eu diria que é preciso vir à OTC para se ter uma boa tomada de temperatura sobre o mundo dos negóciosem offshore. A nossa participação no ano passado foi extremamente positiva e rendeu bons negócios no Brasil.”

A base do portfólio da empresa são os serviços de engenharia e tecnologia que interagem entre si, aliando o conhecimento de processo ao de desenvolvimento de software, com áreas de atuação variadas, desde o design conceitual até a engenharia de detalhamento de unidades greenfield e otimização/modernização de unidades brownfield. “A empresa desenvolve sistemas da informação e TI Industrial desde a sua arquitetura e modelagem até a homologação e comissionamento da solução”, destacou Rubião.

Petróleo & Energia, Cláudia Schaeffer, Diretora comercial da Dow Oil&Gas, OTC 2012 - Negócios em offshore crescem e ignoram crise
Cláudia: isolamento térmico pode suportar temperaturas altas e baixas

Segundo ele, o evento também possibilita aprofundar contatos com parceiras brasileiras fora do dia a dia e também para fazer excelentes contatos com empresas estrangeiras. “Entre as empresas estrangeiras com as quais conversamos, muitas querem atuar no Brasil ou fortalecer sua presença no mercado. E há também oportunidades para viabilizar a exportação de serviços do Brasil para outros países”, afirmou Rubião. O executivo fez questão de destacar o trabalho de apoio feito pelo IBP e pela Onip.

“Viemos apresentar as diversas áreas de atuação da Radix e explorar um pouco a nossa capacidade de fazer um bom meio de campo entre as soluções, as tecnologias e os produtos que algumas empresas têm para oferecer e os problemas que precisam ser resolvidos nos clientes finais”, explicou. “Essa capacidade é extremamente interessante para empresas que estão de olho no mercado brasileiro e se mostrou bastante útil para conquistar clientes internacionais.”

Ele reconhece que existe um grande interesse de todos pelo Brasil, embora haja algumas dúvidas em relação à real possibilidade de se executar tantos projetos ao mesmo tempo no Brasil. “Eu, particularmente, conversei com pelo menos uma dúzia de pessoas que, em algum momento, acabavam perguntando sobre o desempenho da Petrobras. Acho que o mundo vive um momento de dúvidas Divulgação e receios. A crise na Europa assusta e as pessoas olham para um país como o Brasil com muita esperança, mas também com uma natural dose de desconfiança”, analisou Rubião, destacando que, mesmo sem a Petrobras, o Pavilhão Brasileiro continuou chamando a atenção.

Petróleo & Energia, Luiz Eduardo Rubião, Diretor-presidente, OTC 2012 - Negócios em offshore crescem e ignoram crise
Rubião: estrangeiros se interessam pela capacidade de integrar sistemas

Ele pondera que o bom momento brasileiro pode induzir as empresas fornecedoras daqui a uma acomodação. “Acaba sendo mais confortável você fazer negócios em seu próprio país”, avaliou. Essa indução fica ainda mais forte diante de um cenário internacional de crise que dificulta a conquista de clientes em mercados como os EUA e a Europa. “Mesmo com tudo isso, acho fundamental tentar explorar o mercado internacional. E a participação na OTC é extremamente importante neste sentido. Estamos desenvolvendo alguns trabalhos comerciais nos EUA e seguimos extremamente otimistas”, finalizou.

Revestimento inovador – A Dow Chemical apresentou seus produtos para o setor de óleo e gás e aproveitou para lançar o Neptune, novo tipo de revestimento para conferir isolamento térmico em águas profundas, capaz de resistir a altas temperaturas e suportar condições operacionais de -40ºC. Para isso, levou para a feira todo o seu pessoal técnico e de pesquisa e desenvolvimento. “O Neptune será lançado no Brasil por ocasião da próxima Rio Oil&Gas”, anunciou Cláudia Schaeffer, diretora comercial da Dow Oil&Gas para a América Latina. “Participar da OTC é uma excelente oportunidade de interagir com empresas de engenharia, equipamentos e revestimentos para essa indústria e entender tendências e projetos futuros em águas profundas, nos Estados Unidos e no mundo; para tanto, trazemos profissionais de várias regiões.”

 

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