Petróleo e Energia

OTC – Negócios em offshore crescem e ignoram crise

Bia Teixeira
26 de maio de 2012
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    Com um público superior ao da população de centenas de cidades dos Estados Unidos, a Offshore Technology Conference (OTC), realizada anualmente desde 1969, reafirmou sua posição como o principal evento mundial do setor. Mais de 89,5 mil pessoas circularam pela feira, que tem o objetivo de mostrar o estado da arte em perfuração, exploração e produção de petróleo e gás, incluindo sistemas de proteção e segurança offshore para minimizar impactos ambientais e sociais, que se tornaram cada vez mais prioritários.

    Espalhadas por quase 60 mil metros quadrados, na parte interna e externa do gigantesco Reliant Park, centro de convenções de Houston, no Texas (EUA), 2.500 empresas dos cinco continentes se apresentaram na grande vitrine tecnológica da OTC 2012, realizada entre 30 de abril e 3 de maio. Foi a maior área ocupada pelos Divulgação Alta tecnologia dominou a feira, que teve área para o Brasil 44 encontros já realizados até hoje.

    Com o pré-sal na ordem do dia e o Brasil em posição de destaque no Hemisfério Ocidental, ainda afetado pela crise, a OTC atraiu 200 novos participantes, entre empresas ou representações de países como o pequeno, porém rico em petróleo, Bahrain, o tigre asiático Taiwan, a isolada, mas altamente desenvolvida, Nova Zelândia, além de Hungria, Lituânia e Israel, que estrearam no evento desse ano em busca de bons negócios movidos a óleo e gás natural.

    A despeito dos números recordes – foi o terceiro maior público da história da OTC –, a crise se refletiu na participação mais reduzida de países representados pelas empresas que montaram estande na feira e pelos papers inscritos nas sessões técnicas: somente 46 países, contra mais de 110, em 2007.

    Isso não ofuscou o brilho do evento, considerado como “o de maior sucesso desde os anos 80”pelo chairman da OTC, Steve Baliant, que destacou o forte conteúdo técnico das sessões (com mais de 300 papers) da conferência, assim como o vasto número de soluções tecnológicas apresentadas na feira.

    Uma programação que incluiu oito painéis técnicos – um dos quais, com uma apresentação da Petrobras sobre o sistema submarino de separação água-óleo (SSAO), utilizado em Marlim, na Bacia de Campos – e quase três dezenas de apresentações de executivos, especialistas ou autoridades em almoços e cafés da manhã temáticos.

    “Esta é uma indústria em ascensão, com inúmeros desafios à frente, tornando fundamental compartilhar o conhecimento e as melhores práticas do mercado. A OTC é o espaço para se fazer isso”, afirmou Baliant, lembrando que o evento está sempre na vanguarda da tecnologia, como ficou evidenciado pelas 13 premiações do OTC Spotlight.

    Mercado brasileiro ainda atrai – Não foi a crise econômica que fez a Petrobras se ausentar do congresso mais badalado do setor e que já lhe auferiu as duas mais importantes premiações, uma delas para o projeto de desenvolvimento do Campo de Roncador, na Bacia de Campos, onde a P-36 afundou em 2001, após a premiação. A estatal sabe que não precisa despender esforços para atrair as atenções do mundo diante de seu posicionamento estratégico na exploração da camada do pré-sal.

    Tal atrativo não se restringe à petroleira brasileira e tem mantido o Brasil em posição de destaque nas últimas edições do evento, como ficou comprovado no primeiro dia. Aberta com um café da manhã temático, no qual a BP falou sobre gerenciamento de riscos e a Oceaneering destacou as inovações tecnológicas subsea, a OTC já havia reservado espaço para o Brasil no primeiro almoço, conforme constava na programação impressa do evento, que trazia o tema Brazil Strategic and Business Plan.

    Quem assumiu a tarefa de dar ao país uma posição de destaque nos debates foi a diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, que discorreu sobre o marco regulatório brasileiro, conteúdo nacional e os atrativos das bacias brasileiras, que vão muito além do pré-sal, incitando as empresas estrangeiras a “ousarem” mais no país.

    A executiva observou que o Brasil está a ponto de dobrar suas reservas provadas de petróleo graças às descobertas no pré-sal, que vão demandar, até 2020, um mínimo de US$ 400 bilhões em produtos e serviços. E que boa parte dessa demanda poderá ser atendida por empresas que se instalarem no país, alinhadas com a questão do conteúdo nacional, uma vez que a indústria instalada hoje não terá condições de suprir a grande maioria dos bens (equipamentos) que serão necessários para os novos projetos. Por último, instigou as oil companies a buscar oportunidades mais além das parcerias com a Petrobras.

    Em relação à questão de segurança operacional, Magda frisou que o país tem mecanismos regulatórios considerados rigorosos até por outros países e que a ANP acredita mais em medidas efetivas, como a paralisação da operação, do que multas. “Nós cobramos US$ 23 milhões em multas, entre 2010 e 2011, quando foram realizadas 130 auditorias e constatadas 910 não conformidades. Mas descobrimos que ordenar a parada de operação é mais eficaz do que aplicar multas”, concluiu a ‘comandante’ da ANP, recebendo aplausos dos comensais, que haviam esgotado quase uma semana antes os convites (a US$ 50,00) do disputado almoço.



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