Notícias: Vendas de máquinas importadas crescem

O presidente da Abimaq teme as medidas que o governo federal possa vir a adotar para conter a desvalorização do real, com a justificativa de que esse movimento exerceria impacto sobre os índices oficiais de inflação. “Elevar os juros só prejudica o setor produtivo e não traz efeitos benéficos, porque os países centrais também elevaram suas taxas de juros e inverteram o fluxo de capitais que nos beneficiou no passado”, avaliou.

noticias_vendas_de_maquinas_tabela_002 ©QD Química e DerivadosAubert salienta que os preços das commodities minerais tendem a cair, enquanto os produtos agrícolas apenas manterão seu valor atual. “Não dá para segurar o câmbio com swaps nem com a venda de divisas, e o déficit de conta-corrente já passa de 4% do PIB e afugenta investidores”, comentou. Como 2014 é ano eleitoral, o dirigente não espera mudanças nas políticas fiscal, tributária e trabalhista antes de 2015.

Mesmo assim, a entidade consegue enxergar raios de luz atrás das nuvens escuras. “Caso o real se desvalorize um pouco mais e as concessões públicas saiam do papel, a área de infraestrutura será a grande locomotiva do crescimento brasileiro para os próximos dez anos”, apontou Aubert. Como o modelo de crescimento com base no consumo das famílias está esgotado e o mercado internacional está em crise, incapaz de absorver produtos feitos aqui, a construção civil e os grandes projetos estruturais são a única alternativa. Mas será preciso vencer a maratona dos certames de licitação, da obtenção das devidas licenças e alguns entraves políticos.

Porém, segundo o dirigente setorial, os investidores globais buscam sofregamente projetos em áreas produtivas e lucrativas para aplicar seus capitais. “A infraestrutura brasileira é um bom negócio, mas as normas de conteúdo local precisam ser respeitadas”, salientou.

Ele teme a desnacionalização das atividades produtivas no país. “De usinas de açúcar e álcool a faculdades, os grupos estrangeiros estão comprando tudo o que podem, mas isso tira do Brasil os centros de tomada de decisões, o que é muito ruim”, avaliou.

noticias_vendas_de_maquinas_tabela_003 ©QD Química e DerivadosEle também recomenda ao BNDES estabelecer limites para a liberação de benefícios por setores e por porte dos solicitantes. “Como está, as pequenas e médias empresas não conseguem pegar os recursos mais baratos”, criticou.

Petrobras – A poderosa estatal do petróleo e gás natural é uma grande compradora de bens de capital feitos no Brasil. “Nosso relacionamento com a estatal é muito bom, embora ela tenha dado um cavalo de pau no seu planejamento e brecado alguns investimentos”, afirmou. As dificuldades com o segmento petroleiro se ligam ao comportamento de alguns epecistas, que reiteradamente atrasam os pagamentos aos seus fornecedores.

Além disso, Aubert reclamou que, até o momento, não foi resolvida a questão do conteúdo local nos projetos de exploração e produção de petróleo. “A Petrobras considera produto nacional tudo aquilo que ela compra no Brasil, mesmo que o item tenha sido fabricado no exterior; gostaríamos de mostrar para a estatal que isso não pode ser visto como conteúdo local”, finalizou.

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