Energia

Notícias: Reino Unido mostra avanços em smart grids

Marcelo Fairbanks
20 de Maio de 2014
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    Ele salientou que a introdução dos smart grids não é uma tarefa trivial. “A integração da distribuição elétrica com a transmissão de dados exige uma política específica, pois os dados precisam ser coletados e levados a um integrador e de lá enviados para outro concentrador. é um esquema complexo”, salientou.

    Além disso, a introdução da energia gerada de forma distribuída na rede em pontos impróprios pode acarretar novas dificuldades, exigindo criar metodologia adequada. “Isso já deu problemas na Alemanha e em outros lugares da Europa”, alertou.

    O professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, José Antonio Jardini, aponta algumas dificuldades para a adoção de sistemas de geração distribuída. “Os governos estaduais querem cobrar o ICMS dos pequenos geradores e as distribuidoras perderiam muita receita se o número de residências com geração própria fosse significativo, essa conta não fecha”, argumentou. Para ele, a solução imediata seria a distribuidora cobrar mais caro pela energia que fornece do que pela adquirida.

    Pepitone considerou que o pagamento imediato da energia gerada pelas residências seria um fator importante para tornar economicamente atraente a geração distribuída, especialmente na modalidade solar. “A questão do ICMS ainda precisa ser avaliada pelo Confaz; Minas Gerais teve a sensibilidade de anular essa tributação”, comentou.

    A EDP Energias do Brasil, empresa internacional com sede em Portugal, implantou em 2011 um piloto de rede inteligente em Aparecida do Norte-SP, cidade com 35 mil habitantes situada no Vale do Paraíba, no qual deverá investir cerca de R$ 10 milhões. “Na primeira fase do programa, trocamos 3.650 medidores, distribuímos lâmpadas econômicas e geladeiras mais eficientes, além de aquecedores solares e também painéis fotovoltaicos”, explicou Jefferson Marcondes, gerente executivo de desenvolvimento tecnológico do grupo.

    Para ele, a adoção do smart grid não eliminará as chamadas perdas não-técnicas de eletricidade, mais conhecidas como furto. “Rede inteligente não resolve todos os problemas, mas ajuda a melhorar a qualidade do sistema”, defendeu. Ele informou a ocorrência de 150 blecautes acima de 100 MW desde janeiro de 2011. No entanto, ele admite que os custos de implantação em larga escala dos smart grids é elevado no Brasil, país em que há pouca tradição de uso de ferramentas de telecomunicações na área de energia, com uma demanda cada vez maior pela automação dos sistemas. “O governo precisa ditar as regras do jogo”, disse.

    Marcondes estima que o custo das tarifas de eletricidade deverá subir 450% até 2050, mantido o sistema atual. Com a introdução de smart grids, esse aumento ficará em 50%. A EDP firmou acordo de parceria com a USP para que sejam desenvolvidos vários estudos envolvendo a tecnologia.



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