Notícias: Parques eólicos ganham impulso com leilões

Para o executivo da Renova não há, entretanto, razão para qualquer temor. “Nossa visão é a de que, para assegurar o crescimento do Brasil, é fundamental uma matriz elétrica diversificada, contando com todas as fontes”. Ressalta que cada uma delas tem as suas peculiaridades: “São relevantes para formar um mix, para que a matriz nacional não dependa somente de uma ou de outra fonte, e sim das quatro: hídrica, eólica, térmica e fotovoltaica, fora a nuclear. O papel do governo é minimizar os riscos de desabastecimento e apagões.”

Para ele, o fato de o governo sinalizar que criará oportunidades para a energia térmica denota preocupação em assegurar o abastecimento, e garantir que eventos mundiais, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, aconteçam sem sobressaltos. “As térmicas são mais caras e poluentes, no entanto, apresentam como vantagem o acionamento rápido para ingresso no grid”, argumenta.

Foi justamente em razão da necessidade de formar uma matriz diversificada que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) excluiu a matriz eólica do leilão de energia nova que contratará a demanda das distribuidoras em 2018. A EPE advertiu: se eólicas e térmicas forem misturadas, nessa e em outras licitações, apenas as eólicas ganharão. A solução para evitar que a energia térmica seja suprimida dos novos contratos foi realizar leilões distintos para as duas fontes, como o de 23 de agosto, exclusivo para projetos eólicos.

Em defesa da energia eólica, Maron alega que a fonte hídrica responde por mais de 80% da eletricidade utilizada no país, realidade que assegura uma das matrizes mais limpas do mundo. “No entanto, os últimos períodos de seca têm sido severos, elevando a exposição do suprimento hídrico a risco.” É aí que a fonte eólica mostra o seu alto valor estratégico, decorrente da circunstância de que os períodos de pouca chuva são, exatamente, aqueles com maior incidência de ventos. Maron resume: “Se venta mais, chove menos, se venta menos, chove mais.”

Essa complementaridade entre as matrizes hídrica e eólica dará mais segurança ao sistema elétrico, segurança essa “comprovada meteorologicamente”. Os estudos mostram que, historicamente, o Brasil apresenta variação hídrica média entre 13% e 17%, e variabilidade eólica em torno de 4%. “Logo, é mais fácil prever quando vai ventar, do que quando vai chover”, conclui, ressalvando: “Isso não significa que devemos deixar de lado a premissa de que é preciso ter uma matriz amplamente diversificada, segura e limpa.”

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