Combustíveis

Notícias: Leilão de gás da ANP gera pouco interesse

Bia Teixeira
13 de janeiro de 2014
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    Petróleo & Energia, Zimmermann e Magda, no centro da mesa, satisfeitos com resultado

    Depois de Libra, com lance único, um leilão de um terço foi o resultado pífio da 12ª Rodada de Licitações de Blocos Exploratórios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada no dia 28 de novembro de 2013. Foram feitas ofertas para 72 blocos, menos de um terço dos 240 oferecidos em 13 setores de 17 bacias sedimentares brasileiras.

    Doze empresas, das quais quatro estrangeiras, deram lances e saíram com aquisições, sendo a Petrobras a arrematante do maior número de blocos – 43 como operadora –, além de participação em outros seis. As demais onze empresas arremataram os 29 demais blocos, sozinhas ou em consórcio. A contribuição da 12ª rodada foi pequena: R$ 165,2 milhões em bônus (menos de 1% do total) e R$ 503,5 milhões em investimentos mínimos (pouco acima de 6% do PEM).

    Faltou gás ao mercado no último leilão de um ano atípico, em que a ANP promoveu três rodadas, incluindo a primeira do pré-sal, arrecadando em torno de R$ 18 bilhões em bônus de assinatura e quase R$ 8 bilhões em programas exploratórios mínimos (PEM), para períodos que variam de quatro a oito anos, nas diferentes licitações.

    O pífio resultado do leilão, que tinha como foco principal o potencial de gás convencional e não convencional nas bacias sedimentares terrestres, reflete o que muitos já temiam: ninguém quer fazer apostas mais ousadas enquanto não for consolidada a infraestrutura para escoamento e distribuição deste energético.

    Afinal, diferentemente do petróleo, não dá para armazenar gás e para carregar na primeira oportunidade: gás produzido tem de ser escoado. Ou seja, devidamente transportado e distribuído, para monetizar a produção. Em outras palavras: gerar recursos para o investidor. Nem mesmo a possibilidade de fazer uso deste energético em termoelétricas aguçou o apetite de grandes
    companhias.

    Por isso mesmo, pareceu um pouco forçada a declaração da diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, sobre o sucesso do leilão, destacando os resultados obtidos nas bacias do Paraná (que teve 84% das áreas arrematadas) e do Acre, onde apenas um dos nove blocos oferecidos foi arrematado pela Petrobras. “Essa bacia surge como uma nova possibilidade no cenário exploratório brasileiro”, ponderou.

    Para Chambriard, o leilão confirma a expectativa do potencial das bacias maduras do Recôncavo e de Sergipe-Alagoas, onde estão 54 dos 72 blocos arrematados. Sua avaliação foi endossada pelo ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, que destacou o “papel pioneiro” deste leilão.

    Petrobras domina – Quem pensava que a estatal iria se esquivar desse leilão em razão da dimensão dos compromissos assumidos com o campo de Libra, enganou-se redondamente. A estatal fez 50 ofertas, perdendo apenas uma. Dispendeu um total de R$ 120.176.207,80 em bônus, com uma previsão de quase R$ 273 milhões em investimentos mínimos.

    A Trayectoria Oil & Gas foi a segunda no ranking de vencedores. Pagou R$ 4,8 milhões para assumir a operação de dez blocos, nos quais prevê investir um mínimo de R$ 32 milhões na etapa exploratória.

    Dos 49 blocos arrematados pela Petrobras, 22 foram em parceria, sendo 16 operados pela Petrobras e seis operados por parceiros, que pagaram em bônus de assinatura um total de R$ 23 milhões.

    O maior investimento se concentrou no Recôncavo Baiano, no qual foram arrematados 30 blocos dos 50 ofertados pela ANP. A petroleira adquiriu 100% de dez blocos, além de participar em outros dez, junto com as brasileiras Cowan e Ouro Preto e a francesa GDF Suez.

    Outros sete blocos foram adquiridos pela Trayectoria Oil & Gas, com sede no Panamá (o que nada indica sobre a nacionalidade do capital, por se tratar de um conhecido paraíso fiscal) e quatro pela colombiana Alvopetro.

    A Petrobras também apostou suas cartas na bacia de Alagoas, na qual foram arrematados 12 dos 39 blocos oferecidos. A estatal obteve o controle total sobre seis blocos, além de participar em outros quatro, com a brasileira Nova Petróleo. A Trayectoria e a Geopark Brasil arremataram um bloco cada uma nesta bacia.

    Dos 16 blocos arrematados na bacia terrestre do Paraná – da qual foram ofertados 19 blocos –, a Petrobras deu o lance vencedor em quatro áreas e participa em outros cinco, com a Cowan como operadora.

    Foi nessa bacia que a estatal brasileira sofreu a única derrota do leilão. A joint venture verde-amarela que reúne a Bayar e a Petra ganhou três dos cinco lances. E elas ainda participam em outros quatro blocos arrematados junto com outra estreante nacional, a Tucuman Engenharia.

    Já em Sergipe, dos 41 blocos ofertados, 12 foram arrematados: seis pela Petrobras, que formou joint venture com a Nova Petróleo para fazer lance em outros três. A Trayectoria arrematou três blocos, enquanto a Geopark Brasil, que fez dois lances, saiu sem nada nessa região.

    No entanto, foi a Geopark quem apresentou o único lance por um bloco na bacia de Parnaíba. Com isso, arrematou o único bloco, dos 32 oferecidos pela ANP nessa bacia, que muitos afirmavam ser uma das mais atrativas.

    Na bacia do Acre, da qual foram ofertadas nove blocos, a Petrobras foi a única a dar lance e arrematar um bloco. Não houve lances para os 36 blocos da bacia de São Francisco ou para os 14 da bacia do Parecis-Alto Xingu.

    Em termos de número de blocos e investimentos mínimos previstos, a bacia do Paraná vai receber o maior volume: está previsto um total de R$ 230 milhões para os 16 blocos arrematados. Já no Recôncavo, que teve o maior número de blocos arrematados, os investimentos mínimos somam R$ 153,2 milhões para 30 blocos.

    A bacia de Parnaíba se destacou por apresentar a maior média em conteúdo local: 80% na etapa exploratória e 85% na fase de produção – índice que é quase igual para todas as áreas nesta etapa.

    Que venham os próximos leilões do pré-sal!



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