Economia

21 de novembro de 2013

Notícias: Klein Tools compra fabricante nacional

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Mudanças no setor de ferramentas profissionais aplicadas aos setores de energia elétrica e petrolífero no Brasil: a americana Klein Tools adquiriu a brasileira Civitella & Cia., após uma negociação iniciada em 2012 e concluída em março deste ano. A partir dessa data, a Civitella passou ao domínio da compradora, mas manterá sua marca e produção local para os produtos destinados à transmissão e distribuição elétrica, entre eles as camisas de puxamento de cabos, que servem também à exploração de petróleo. As demais linhas de produtos, nas quais a Klein Tools possui uma longa tradição (foi fundada em 1857), especialmente nos alicates para o setor elétrico, serão comercializadas com o nome desta, operando como Klein Tools do Brasil.

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    Civitella: ferramentas para o setor elétrico precisam ter alta qualidade

    “Temos algumas diferenças quanto à política comercial, por exemplo, nós fazemos mais negócios diretamente com os clientes, eles usam as grandes empresas de distribuição, mas a operação terá bons resultados para ambos”, comentou Giuliano Civitella, que permanece na companhia como diretor de marketing.

    Filho do fundador – a Civitella & Cia. foi criada em 1959 –, o diretor comenta que a empresa já pensava em buscar parceiros internacionais, quando foi consultada pela Klein Tools para uma possível aquisição. “Nós já os conhecíamos, eles atuaram no Brasil nas décadas de 1950 e 60, mas saíram daqui porque não tinham produção local, que se tornou necessária por causa das restrições às importações instituídas naquela época”, explicou.

    É grande a complementaridade dos portfólios das companhias, embora ambas tenham se especializado no setor de energia. “A Civitella se direcionou mais para as linhas de transmissão, enquanto a Klein atua mais na distribuição elétrica, só há alguma coincidência nos esticadores de cabos”, comentou. O portfólio foi harmonizado, com a inclusão de alguns modelos da Klein na linha da brasileira.

    Segundo Civitella, há quatro ou cinco fabricantes capazes de produzir esticadores de alta qualidade, entre eles a companhia brasileira. “É um produto de alta responsabilidade, muitos clientes reconhecem isso, outros se contentam com uma segunda linha”, disse. Como de costume, os produtos chineses também ameaçam o mercado de ferramentas como um todo.

    No entanto, o diretor de marketing aponta uma evolução no mercado brasileiro. “Desde o ano passado, as leis brasileiras se tornaram mais rígidas e impuseram a solidariedade do contratante, em geral, uma concessionária de serviços públicos, em relação às suas contratadas nos casos de acidentes de trabalho”, afirmou. Era muito comum a ocorrência de acidentes com funcionários de pequenas empreiteiras que, por terem capacidade financeira limitada, investiam pouco em ferramentas de boa qualidade e bem isoladas. “Hoje, as concessionárias estão se aproximando mais dessas empreiteiras e impõem exigências mais severas de segurança”, afirmou. Essa mudança de atitude já alimenta melhores expectativas de mercado.

    O tamanho da demanda desses tipos de ferramentas é difícil de estimar. Para Civitella, um bom indicador são os projetos de expansão das redes de transmissão, que surgem com os leilões promovidos pelo governo federal. “Há estudos que indicam a necessidade de ampliar as linhas de transmissão do Brasil em 5% ao ano, ou seja, devem ser erguidos 47 mil km de linhas até 2020, tudo isso requer uma quantidade enorme de ferramentas específicas”, considerou. Entre os projetos estão as conexões necessárias para reforçar o Sistema Interligado Nacional, para evitar apagões, além de conduzir a eletricidade gerada pelas usinas do rio Madeira para os centros consumidores.

    O conjunto de ferramentas é, em parte, reaproveitado de uma obra para outra. Porém, cada linha tem cabos com diâmetros diferentes, conforme o projeto. Nesses casos, é preciso usar esticadores e acessórios diferentes. Além disso, existe o desgaste natural das peças, que recomenda a substituição oportuna.

    Petróleo & Energia, Kit de ferramentas manuais da Klein Tools

    Kit de ferramentas manuais da Klein Tools

    Em sentido contrário, ele aponta os efeitos da MP 579, que tinha por objetivo reduzir o preço da eletricidade mediante a federalização do parque gerador. “Essa medida afetou muito a rentabilidade das empresas do setor elétrico e representa um desafio financeiro ainda maior para elas”, avaliou. Ele sente que isso afetou o mercado de distribuição elétrica, mas deve haver uma recuperação no futuro.

    No setor de óleo e gás, a situação é um pouco diferente. A Civitella produz camisas de puxamento de cabos feitas de aço, aço galvanizado ou poliamida, produtos que obtiveram homologação da Petrobras nos anos 1980, contando com aprovação ISO 9000. “Além da estatal, atendemos também os estaleiros que constroem navios e plataformas, um setor em alta no Brasil”, afirmou. Nesse caso, ele tem a vantagem de contribuir para o índice de conteúdo local dos investimentos. Seus esticadores também são requisitados por esses clientes.

    Uma parte relevante do mercado nacional está relacionada às ferramentas manuais usadas por eletricistas. “A Klein é famosa por fabricar alicates maiores que os outros e, por isso, eles podem ser usados com as grossas luvas desses profissionais”, explicou. Todas as grandes empresas, a Petrobras incluída, possuem eletricistas de manutenção e essa demanda deve crescer nos próximos anos.



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