Petróleo e Energia

Notícias – Fluorpolímero impede adesão de molusco

Marcelo Fairbanks
26 de junho de 2012
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    O APARECIMENTO e a proliferação descontrolada do mexilhão dourado (Limnoperna fortunei), um molusco bivalve introduzido na década de 1990 no ambiente brasileiro, onde não encontrou nenhum predador natural, trazem inconvenientes para geradoras hidrelétricas. Esses mo­luscos aderem firmemente às su­perfícies metálicas das grelhas de proteção das usinas, formando uma incrustação crescente, capaz de in­terromper o fluxo de água para as turbinas. A remoção dos moluscos aderidos requer a retira­da frequente das grades para limpeza mecânica por raspagem.

    Petróleo & Energia, Notícias - Fluorpolímero impede adesão de molusco

    Após 13 meses, a grade pintada com epóxi (esq.) foi coberta pelo molusco, enquanto a revestida com fluorpolímero está limpa

    Convidada pela paranaense Copel para estudar o problema em junho de 2008, a AkzoNobel reali­zou testes comparativos, ao fim dos quais apresentou como solução um sistema de pintura que combina pro­priedades anticorrosivas com uma superfície final tão lisa que impede a adesão das larvas do molusco.

    “Fizemos a primeira aplicação do sistema em junho de 2008 e na pri­meira avaliação posterior, em julho de 2009, verificamos que nenhum molusco havia aderido à grade trata­da. Mesmo após 36 meses, em junho de 2011, agrade se apresentava como nova, enquanto a pintada da forma convencional estava completamente coberta pelo mexilhão já na primeira inspeção”, relatou Roberto Mariano, supervisor para o mercado de energia e especialista da AkzoNobel.

    Mariano explicou que o sistema aplicado com sucesso na Copel foi criado originalmente para proteger cascos de navios contra incrustações diversas, sendo uma alternativa para o uso de biocidas, como o óxido cuproso. “Os tratamentos com bio­cidas sofrem lixiviação e aproveitam o deslocamento do casco contra a água para facilitar a remoção das cracas”, comentou. No caso das hidrelétricas, as partes metálicas são fixas, sendo ignorado o comporta­mento dos biocidas nessa situação.

    O sistema de pintura proposto por Mariano prevê a aplicação de uma camada anticorrosiva, com duas demãos de epóxi-amina (Intershield 300). Sobre ela, é preciso colocar uma camada intermediária com base em silicone (Intersleek 731) para ancorar o acabamento (Intersleek 970), este produzido com um fluorpolímero produzido pela mesma AkzoNobel. “Essa camada fica muito lisa e se mantém assim, resistindo bem à abrasão”, comentou o especialista. A espessura final do filme seco é de 500 micrômetros.

    Segundo Mariano, a Copel pas­sou a exigir dos seus fornecedores de grades para geradoras a aplicação desse revestimento, em substituição ao convencional. “Esse trabalho foi desenvolvido para as grades, não podemos recomendá-lo para outras aplicações antes de testá-lo”, considerou.

    Ele comentou que não existem dados consistentes sobre o avanço do mexilhão dourado pelas bacias hidrográficas brasileiras. Ao que se sabe, esse molusco foi lançado no lago Guaíba-RS, em 1998, com a água de lastro de alguns navios provenientes do Sudeste Asiático. Ele se propagou pelos rios da Região Sul, havendo notícias de seu aparecimento no estado de São Paulo. “Esse sistema está sendo usado em Ibitinga-SP e há consultas de usinas paulistas”, informou. Nos navios, as incrustações aumentam o arraste, incrementando o consu­mo de combustível. No caso das hidrelétricas, os custos adicionais resultam da necessidade de pro­mover a manutenção das grelhas a curtos intervalos de tempo. Sem que se apresente esse inconveniente, Mariano reconhece que o sistema não será muito demandado. “Ele é bem mais caro que o sistema con­vencional”, admite.

    É possível também controlar a po­pulação do mexilhão no ambiente com a injeção de dióxido de cloro em locais estrategicamente selecio­nados. “A AkzoNobel pode suprir esse sistema, com dióxido de clo­ro produzido pela subsidiária Eka Chemicals”, comentou.

     

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