Energia

Notícias: Eólica aguarda leilões para crescer

Jose Valverde
25 de agosto de 2013
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    Petróleo & Energia, Elbia: falta financiamento adequado para o setor operar no mercado livre

    Elbia: falta financiamento adequado para o setor operar no mercado livre

    A presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo, entende que os próximos dois leilões dessa fonte de energia, marcados para agosto e outubro, tendem a confirmar a trajetória claramente baixista do custo de geração elétrica com os ventos. A executiva ressalta que essa trajetória é percebida desde o leilão de reserva realizado em 2009 e a consequente contratação de 1,8 GW ao preço médio de R$ 148,39 por MW/hora.

    O leilão marcado para 23 de agosto, exclusivo da matriz eólica, cadastrou 655 projetos, perfazendo o total de 16 GW, muito mais do que os 2 GW a 3 GW em licitação. Elbia pondera: a alta quantidade de concorrentes está em sintonia com o interesse que a energia eólica passou a despertar no ambiente empresarial. Nem todos os 655 projetos, porém, concorrerão até o fim. “Haverá o peneiramento”, comenta. Os vencedores deverão entregar a energia contratada em um prazo de dois anos.

    No leilão da modalidade A-3, anunciado para outubro, a energia eólica concorrerá com a das outras matrizes, convencionais e alternativas, incluindo a estreante fotovoltaica. O anúncio desse leilão atenuou a expectativa de que o governo, acuado pela necessidade de assegurar energia disponível, estivesse pondo de lado a energia eólica. A condição de fonte intermitente, dependente dos ciclos e humores dos ventos, à qual está associada, seria a razão. Ao anunciar anteriormente que a energia eólica estaria excluída dos leilões previstos, porque não daria oportunidade a outras fontes, uma vez que venceria inevitavelmente todas as disputas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) teria disseminado tal expectativa.

    Satisfeita pela inclusão da energia eólica no leilão de outubro, contradizendo o aviso do ONS, Elbia Melo concorda que nessas competições a alegada – e real – vantagem competitiva da energia eólica tende a alijar outras fontes, incluindo as que devem estar presentes na matriz energética nacional, notadamente a térmica.

    As térmicas devem formar o sistema de back-up de proteção, previsto para ser acionado provisoriamente, nas situações emergenciais. Seria a eficaz precaução para se avançar no uso crescente das fontes renováveis e limpas, como a sociedade e os protocolos ambientais exigem. Outras fontes intermitentes preocupantes são as grandes hidrelétricas sem reservatórios, confiadas apenas à vazão dos rios, como as que estão em construção na Amazônia. Essas usinas a fio d’água tenderiam a inibir a presença dos parques eólicos.

    Quanto ao aproveitamento dos ventos, a expectativa da Abeeólica é a de que, por meio dos leilões, sejam acrescidos anualmente, na média, 2 GW dessa matriz ao suprimento do país. A favor dessa pretensão, além do fator ambiental, conta a circunstância de que a energia procedente dos ventos se tornou a mais econômica, excetuando a das hidrelétricas.

    Elbia Melo lembra que depois do leilão de 2009, que resultou em contratos ao preço médio de R$ 148,39, ocorreram outros, como o de 2011, também na categoria reserva, quando o MWh foi cotado a R$ 99,54; mais recentemente, houve o de dezembro de 2012, com oscilação entre R$ 88,68 e R$ 87,50. Avanços tecnológicos, como o desenvolvimento de torres com 100 metros de altura – 30 m a mais do que as até então usuais –, estão assegurando a redução do custo.

    Atestado apontado por Elbia Melo da competitividade crescente da matriz dos ventos é o fato de a Honda decidir erguer no Rio Grande do Sul, ao custo de R$ 100 milhões, um parque eólico de 27 MW para suprir toda a demanda de sua montadora de automóveis instalada em Sumaré-SP. Será o primeiro investimento da multinacional nessa energia.

    Petróleo & Energia, Parques eólicos tendem a ter custos menores

    Parques eólicos tendem a ter custos menores

    Mercado livre – Elbia Melo pondera quanto à alegação que atribui aos empreendedores da energia eólica dependência excessiva dos leilões da Aneel e, consequentemente, do mercado regulado. Estariam, assim, renunciando ao desenvolvimento do mercado livre. Para Elbia, o que trava esse amplo mercado potencial é a falta de linhas de crédito adequadas aos contratos mais curtos, que tendem a prevalecer nesse nicho. O fato de o BNDES condicionar a aprovação de financiamentos à apresentação de contratos de venda de longo prazo, em torno de 16 anos, é o maior empecilho. Para contornar a restrição, produtores independentes já estariam preferindo negociar com grupos de maior porte, os menos aferrados à exigência quanto ao prazo.

    Outra questão suscitada se refere à influência, no mercado das energias alternativas, da MP 579. Ao transformar-se em lei, ela prorrogou por 30 anos, com reduções de receita e tarifa, a energia procedente das hidrelétricas já amortizadas. Para Elbia Melo, essa seria uma preocupação desnecessária, pois tal energia assim desonerada já existe, está em uso. “Os projetos eólicos concorrem com produções novas, seja qual for a matriz”, arremata.

    Brazil Windpower

    Atentos ao potencial de negócios estimado em US$ 15 bilhões, referentes à instalação de 6,7 GW de potência a instalar, já contratada, durante os próximos anos, todos os envolvidos na geração eólica do Brasil têm encontro marcado para 3 a 5 de setembro, na Brazil Windpower 2013. Essa 4ª Conferência e Feira de Negócios do setor será realizada no Centro de Convenções Sulamérica, no Rio de Janeiro, com organização da Abeeólica e da associação internacional GWEC. A expectativa dos organizadores é a de reunir mais de 3 mil visitantes e cerca de 170 expositores, a fim de fortalecer a cadeia produtiva setorial e facilitar negócios, além de discutir aspectos econômicos e regulatórios ligados ao aproveitamento da fonte eólica. Informações: www.brazilwindpower.org



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