Economia

Notícias: Brasil aproveita mal a energia

Bia Teixeira
14 de novembro de 2013
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    O país precisa ter uma política energética mais efetiva para assegurar energia para todas as atividades da economia. Esse foi o tema central do XV Congresso Brasileiro de Energia, realizado entre 22 e 24 de outubro, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), na capital fluminense.

    O aumento da participação nacional na indústria de petróleo, a interrupção das privatizações do setor de energia, com a volta do planejamento central energético, o crescimento da geração eólica e o programa Luz para Todos, entre outros, foram alguns dos avanços citados pelo professor Luiz Pinguelli Rosa, presidente do XV CBE e diretor da COPPE/UFRJ.

    Realizado exatamente no dia seguinte ao leilão de Libra, o tema petróleo deu o tom da abertura do evento. Pinguelli afirmou que as mudanças no marco regulatório – que hoje tem, além do regime de concessão, a partilha e a cessão onerosa – são um fator positivo no cenário energético.

    Petróleo & Energia, Abertura do CBE: especialistas pedem política energética efetiva

    Abertura do CBE: especialistas pedem política energética efetiva

    O presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Maurício Tolmasquim, destacou que o novo modelo tornará possível à União reter até 85% da renda proveniente da produção do campo e aumentar seu poder geopolítico no cenário mundial. “Não poderia haver escolha melhor. Fica difícil dizer que foi um mau negócio”, afirmou.

    “O que precisamos é transformar a riqueza do petróleo em desenvolvimento econômico e social”, complementou Helder Pinto Queiroz, diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que participou da abertura do congresso.

    Mas nem tudo são rosas no setor. Pinguelli destacou que há algumas questões que precisam ser equacionadas, e logo, entre as quais o atraso na construção de refinarias, a redução do uso de etanol, por causa da atual política de preços, a importação de etanol de milho dos Estados Unidos, e a dificuldade conjuntural da Petrobras.

    Os gargalos na indústria de equipamentos para a produção petrolífera e de maior desenvolvimento tecnológico na indústria de energias alternativas foram apontados por Pinguelli como fatores críticos. Ele também chamou a atenção para o aspecto ambiental, principalmente no que diz respeito aos riscos de vazamento de óleo na exploração em águas profundas e ultraprofundas.

    O diretor de Gás e Energia da Petrobras, José Alcides Santoro Martins, afirmou que o leilão de Libra foi o grande marco deste ano, acrescentando que a companhia também ampliou seus investimentos em geração elétrica. “Sol, vento, biomassa, gás, nenhuma fonte deve ser excluída. Cada uma deve ser considerada, conforme a especificidade de cada estado”, afirmou, defendendo a diversificação na geração energética no país, que terá outra grande oportunidade com o leilão de áreas com potencial de gás natural ainda este ano.

    Ingerência política – O professor Edmilson Moutinho dos Santos, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), abriu de forma polêmica os debates do segundo dia do XV CBE. Ao iniciar a palestra “O custo de energia como fator de produtividade”, ele pediu desculpas prévias à Firjan, ao afirmar que ela e a congênere paulista, Fiesp, estão erradas em lutar pelo barateamento da energia.

    “A política econômica tomou conta da política energética. O modo de cobrança dos diferentes insumos vai frear investimentos e reduzir a competitividade não só das empresas de energia, como de toda a indústria nacional”, afirmou. “A prioridade deveria ser alocada para novos investimentos. Mas, com a política atual, os nossos projetos de eficiência energética ficarão na academia.”

    Com 340 projetos em carteira na área de energia, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é um dos fomentadores do setor, como mostrou Eduardo Chagas, gerente do Departamento de Energia Elétrica da área de Infraestrutura do banco, que enfatizou o forte crescimento de aportes.

    O gerente executivo da diretoria de Gás e Energia da Petrobras, Hugo Repsold Júnior, afiança que a pesquisa e o desenvolvimento na área são fundamentais para o Brasil reduzir sua dependência desse energético, frisando que o mercado termoelétrico já consome mais de 1/3 da produção nacional de gás.

    Ele destacou os resultados do Programa Onshore de Gás Natural (Pron-Gás) na avaliação do potencial das bacias sedimentares brasileiras: nos últimos 18 meses foram feitas 55 descobertas, das quais 27 marítimas (16 no pré-sal). E lembrou que, desde 2000, tem havido reposição das reservas, principalmente em decorrência do potencial exploratório, e destacou o aumento das descobertas de gás não associado ao óleo, o que facilita e reduz o custo da exploração.

    Para Zevi Kann, consultor de Regulação da Abegás, associação que reúne as distribuidoras de gás natural no país, o maior desafio do setor é a interiorização. “Apesar de existirem cerca de 20 empresas estaduais de distribuição, algumas delas existem apenas no papel, pois o gás não chega àquela região”, alertou, afirmando que estão em plena atividade apenas as distribuidoras que estão localizadas na costa brasileira, próximas às reservas de gás offshore.



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