Indústria Naval

Niterói naval offshore – Setor naval cresce com avanço petroleiro, mas aponta falta de pessoal

Bia Teixeira
1 de novembro de 2011
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    Literalmente ancorado às margens da Baía de Guanabara, o mais antigo e tradicional polo naval brasileiro, que se estende pelos municípios de Niterói, Rio de Janeiro e São Gonçalo, há décadas tem assegurado ao estado fluminense uma posição de destaque no cenário nacional. Por isso mesmo, nada mais natural que a Niterói Naval Offshore Expo and Conference 2011 (NNO) “atracasse” nessa verdadeira cidade-estaleiro, que tem em sua carteira alguns dos mais importantes projetos offshore da indústria nacional de óleo e gás.

    Realizado no complexo arquitetônico denominado Caminho Niemeyer, de7 a10 de novembro, o evento ocupou uma área total de7.200 metros quadrados, com 118 empresas expositoras atraindo mais de 16.500 visitantes, e foi promovido pelo Instituto de Tecnologia Aplicada a Energia e Sustentabilidade Socioambiental (Itaesa) e pela prefeitura de Niterói, com o patrocínio da Transpetro e do Governo Federal, por meio da Caixa Econômica Federal.

    “Queremos destacar, com essa iniciativa, que a questão da sustentabilidade deve estar no centro dos negócios”, ressaltou Pedro Thadeu Silva, presidente do Itaesa, animado com os resultados obtidos na feira. “Conseguimos reunir uma quantidade expressiva de estaleiros, empresas da construção naval e prestadores de serviços para a indústria”, afirmou o dirigente, convocando o público para a próxima edição do evento, em 2012.

    Concorrentes reunidos – A NNO buscou reunir os grandes players da indústria naval e offshore, entre estaleiros, empresas de navegação de longo curso e cabotagem, de apoio marítimo e portuário, além de consultorias, autoridades marítimas e profissionais das áreas de engenharia naval, petróleo e gás. É justamente na esteira da indústria petrolífera que esses eventos vêm se multiplicando no país, hoje visto como um dos mais atrativos mercados do planeta, não só para a cadeia produtiva de óleo e gás, como também por empresas do setor naval. Daí a presença, ainda que discreta, de comitivas de empresários de outros países que vieram aferir de perto as oportunidades de negócios.

    Afinal, era possível encontrar no mesmo espaço, a poucos metros de distância, alguns dos mais importantes estaleiros do país, como CBO-Aliança, Atlântico Sul, Mauá e Enavi, além de empresas com forte atuação no setor, como Rolls-Royce Marine e Wellstream (que se apresentou como tal, sem nenhuma alusão à sua nova controladora, a GE).

    Qualificação é prioridade – O centro das atenções ficou, porém, com a patrocinadora master do evento, a Transpetro, subsidiária da área de logística da Petrobras, que mantém uma gigantesca carteira de encomendas de bens e serviços nos estaleiros do país – incluindo o navio Celso Furtado, construído pelo Estaleiro Mauá, cuja entrega seria feita um dia depois do final do evento, mas que foi adiada por duas vezes.

    Somando-se as encomendas da Transpetro aos projetos previstos pelo Plano de Negócios da Petrobras, a carteira de encomendas da estatal é a grande geradora de oportunidades para o setor. Embora reconhecendo que “a indústria naval brasileira é um player respeitado em todo o mundo”, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, apontou a existência de alguns impasses durante a abertura do evento, que reuniu autoridades municipais e estaduais, além de empresários.

    “Estamos em um momento ímpar. Já temos demanda e tecnologia, mas, para chegarmos ao futuro mais cedo, isso não basta, precisamos investir na formação de pessoal, principalmente para atuar na gerência intermediária e superior”, frisou o executivo.

    Para ele, essa deve ser uma prioridade para todos, de forma que garanta o desenvolvimento sustentável da indústria naval brasileira, que já amargou quase três décadas de estagnação. Um claro alerta para todos de que o setor precisa investir nisso para ter condições de conquistar todas as demandas do Programa de Expansão e Modernização da Frota (Promef), assim como as novas licitações da Petrobras por plataformas, sondas e barcos de apoio.

    Encomendas geram otimismo – O prefeito Jorge Roberto Silveira reafirmou o apoio irrestrito à indústria naval, lembrando que Niterói é o berço da indústria naval brasileira e da industrialização do país, que começou na Ponta da Areia com o Barão de Mauá. “Fico orgulhoso de Niterói sempre estar à frente, assumindo um papel de pioneirismo ao promover essa feira, que vai gerar diversos negócios.”

    O tom otimista foi mantido por Manuel Ribeiro, presidente do estaleiro Mauá, que hoje integra o grupo controlador do Eisa, localizado no Rio de Janeiro, que está acertando os últimos detalhes da encomenda de mais oito navios do Promef II. “Formamos um grupo de estaleiros e estamos estudando um cronograma para dividir as obras de construção dos oito navios da Transpetro. Como o Eisa está com mais encomendas do que o Mauá, existe a possibilidade de as oito embarcações serem construídas em Niterói”, explicou o executivo.

    O Estaleiro Atlântico Sul, atual líder do ranking do setor e que levou Pernambuco ao primeiro lugar, com 3.072.000 TPB (toneladas de porte bruto) de encomendas até junho desse ano, ocupou um espaço similar bem em frente ao do concorrente niteroiense, o Mauá, mas optou pela discrição, uma vez que tem ocupado o noticiário em razão das demissões efetuadas nos últimos meses e do atraso na entrega de encomendas à Transpetro e à Petrobras. O navio João Cândido, por exemplo, deveria ter sido entregue em setembro.

    Mar de negócios – Um dos pontos altos desse evento foi a Rodada de Negócios promovida pelo Serviço de Apoio ao Empreendedor e Pequeno Empresário (Sebrae) e Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), que reuniu 126 empresas fornecedoras do setor naval e offshore e 14 empresas-âncora: Cameron, Estaleiro Cassinú Ltda., Estaleiro Mauá, Keppel Fels, Nitshore e Nitport, Osx Brasil S/A, Rolls-Royce Brasil, Shell, Estaleiro STX, Technip, Transpetro, Wellstream, Bram Offshore, Sermetal.



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