Indústria Naval

Navalshore – Marintec South America 2012 – Estaleiros investem pesado para suprir demanda das petroleiras

Bia Teixeira
14 de agosto de 2012
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    As expectativas de continuidade desse crescimento estão apoiadas nos estaleiros fluminenses que iniciaram operação este ano, como o Aliança Offshore, em São Gonçalo do Amarante, e o Estaleiro Inhaúma, no Rio. E são reforçadas pelo estudo Decisão Rio 2012-2014, produzido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que estimou para esse período investimentos de R$ 6 bilhões na instalação de estaleiros na região, um aumento de 37% em relação a estudo anterior (2011-2013).

    Petroleo & Energia, Sergio Luiz Camacho Leal, secretário executivo do Sinaval, Navalshore - Marintec South America 2012

    Sergio Luiz Camacho Leal: encomendas navais podem chegar a R$ 180 até 2020

    Aglutinador de interesses – Independentemente da localização geográfica, o fato é que a Navalshore se posiciona hoje como o principal foro de negócios deste setor, prestigiado por autoridades e dirigentes de companhias assim como pelas principais organizações empresariais do país. “Ficamos duas décadas sem produzir navios e hoje temos a quarta maior carteira do mundo, além de novos estaleiros em implantação”, relembrou Sergio Machado, presidente da Transpetro, uma das principais demandantes da indústria naval, com seu Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), que prevê a construção de 49 naviospetroleiros (dos quais três foram entregues e dois estão em construção).

    Tal estímulo à indústria naval é reconhecido até por empresários de outros estados, nos quais estão sendo implementados vários empreendimentos, como é o caso de São Paulo, que abriga hoje mais de cem dos quase 400 projetos listados pelo Sinaval. “A indústria naval estava paralisada, mas com a demanda gerada pela Petrobras várias empresas ressurgiram”, comemorou Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

    Petroleo & Energia, Sergio Machado, presidente da Transpetro, Navalshore - Marintec South America 2012

    Sergio Machado: carteira de pedidos no país é a quarta maior do mundo

    Augusto Mendonça, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), concorda com Skaf. “O Brasil vive um bom momento e é grande o interesse de empresas estrangeiras de ter uma produção local, até mesmo em parceria. Mas é fundamental que ganhemos maior competitividade em toda a cadeia produtiva”, ponderou o dirigente, que fez uma palestra sobre as oportunidades de fornecimento para o setor naval e offshore, traçando um panorama das demandas e de como o mercado tem respondido às exigências de conteúdo local.

    “Nossa indústria já atingiu um conceito forte. Não devemos mais falar de retomada”, afirmou Alexandre Gurgel, diretor de Política Industrial e Novos Negócios da Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin), órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços (Sedeis) do Estado do Rio de Janeiro. “O país responde por 60% da carteira mundial de construção de FPSO (plataformas que produzem mais de 100 mil barris/dia, e estocam até um milhão de barris de petróleo) e por 30% dos barcos de apoio”, informou Gurgel, lembrando que o Rio de Janeiro abrigará um polo de navipeças com 4 milhões de m², a ser erguido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

    Petróleo & Energia, Alexandre Gurgel, diretor de Política Industrial e Novos Negócios da Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin), Navalshore - Marintec South America 2012

    Alexandre Gurgel: indústria naval do Brasil já tem conceito elevado

    Recursos, aparentemente, não faltarão. Além dos R$ 11,2 bilhões da Transpetro para o Promef, há uma linha de crédito específica para a indústria naval, de R$ 15 bilhões. Estes recursos deverão ser liberados até o final do ano, para 50 projetos que estão em diferentes estágios de análise na superintendência de Petróleo, Gás e Indústria Naval da Caixa, criada em 2010.
    As linhas de crédito da instituição financeira podem também viabilizar a construção e modernização de outras 320 embarcações, assim como a instalação de mais sete estaleiros no país.

    De acordo com o superintendente Antonio Gil Padilha, já foram liberados mais de R$ 7 bilhões, para projetos de pequeno, médio e grande porte. “A maioria deles abrange barcos de apoio e transporte de produtos. O mais importante é que os riscos são avaliados por especialistas e as taxas de juros e condições variam de acordo com o porte da empresa”, destacou. Desde a criação dessa superintendência, já foram contratados cerca de R$ 13 bilhões em operações com empresas do setor.

    Petroleo & Energia, Antonio Gil Padilha, superintendente , Navalshore - Marintec South America 2012

    Antonio Gil Padilha: financiamentos são adequados para cada caso



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