Indústria Naval

Navalshore – Marintec South America 2012 – Estaleiros investem pesado para suprir demanda das petroleiras

Bia Teixeira
14 de agosto de 2012
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    Com quase 7,5 mil quilômetros de extensão em linha reta, ou mais de 9 mil km quando computadas reentrâncias e saliências de baías, restingas, falésias e outros acidentes, o Brasil desponta como um “porto” atrativo para negócios da cadeia produtiva naval internacional. Prova disso foi a presença massiva de empresas, delegações, técnicos e visitantes estrangeiros na Navalshore 2012 – Feira e Conferência da Indústria Naval e Offshore, realizada entre os dias 31 de julho e 3 de agosto, no Centro de Convenções SulAmérica, na capital fluminense.

    Os números da Navalshore, criada em 2004 por uma organização brasileira, projetam a grande expectativa de negócios para os próximos anos: na sua nona edição, a feira reuniu 350 expositores nacionais e estrangeiros – incluindo cinco pavilhões internacionais – e recebeu 17 delegações estrangeiras. Foram quase 16.200 visitantes ao longo dos três dias do duplo evento, que teve a participação de profissionais de mais de 40 países na conferência e workshops técnicos.

    O evento carioca, que há menos de dois anos passou a ser controlado pelo braço brasileiro do grupo internacional UBM, revela o bom momento da indústria naval brasileira, que fechou o primeiro semestre do ano com números recordes, como registra o balanço semestral do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval).

    O país tem hoje 26 estaleiros em atividade e 11 em implantação, dois destes já começaram a operar este ano, enquanto prosseguem as obras de implantação, ou seja, navio e estaleiro estão em construção simultânea. Há 385 obras em andamento, entre plataformas de produção de petróleo, navios, petroleiros, barcaças fluviais, empurradores fluviais, rebocadores portuários etc., que somam 6,86 milhões de TPB (toneladas de porte bruto) em construção.

    “Há perto de 570 mil toneladas de aço sendo processadas nas unidades em funcionamento. E deveremos chegar a 1,2 milhão de t em 2016, quando os 37 complexos estiverem em operação plena”, destacou Sergio Luiz Camacho Leal, secretário executivo do Sinaval. O sindicato registrou em junho nada menos que 62 mil empregos diretos, 23 mil a mais que no apogeu do setor, em 1979. E a expectativa é a de chegar a 100 mil oportunidades de emprego em 2016. Números que podem ser quadruplicados se forem contabilizados os postos gerados nos demais elos da cadeia produtiva, tanto nos segmentos de equipamentos como no de serviços.

    Ele pontuou ainda que no primeiro semestre deste ano quase R$ 1,2 bilhão foi desembolsado pelo Fundo de Marinha Mercante (FMM), dois terços dos quais no segundo trimestre. Tal volume de recursos é superior ao desembolso total do FMM em 2007. “Além dos empreendimentos em andamento, serão necessários 287 barcos especiais e de apoio para atender à demanda do plano de negócios da Petrobras. O que sinaliza cerca de R$ 180 bilhões em investimentos no setor até 2020”, concluiu Sergio Leal.

    Ou seja: uma enorme oportunidade de negócios para a cadeia produtiva, tanto doméstica como internacional, principalmente dos países que vivem ainda o reflexo da crise econômica deflagrada em 2008 e que enfrentam a estagnação dos seus mercados locais. Desde os desenvolvedores de projetos e design de embarcações até os fornecedores de bens e serviços, em todas as escalas dessa cadeia produtiva, que tem players de todos os portes e dos mais distintos países.

    Todos “bateram ponto” nos estandes da Petrobras (ou melhor, da Transpetro) e, principalmente, no pavilhão inédito, exclusivo para os estaleiros que estão em atividade ou se instalando no país.

    Feira consolidada – O aquecimento do setor naval brasileiro, por conta principalmente da indústria de petróleo e gás, aliada ao bom momento econômico do país nessa última década, tem levado estes players a singrar os mares em busca de oportunidades de negócios, apresentando-se nesse evento que cresce a cada ano.

    Em oito anos, a Navalshore cresceu 75% em número de expositores, e quase triplicou de tamanho no quesito público. E se internacionaliza cada vez mais: no ano passado, 30% dos expositores eram da América Latina, enquanto 29% tinham origem europeia, 19% da Ásia e 17% dos Estados Unidos. Segundo a UBM, executivos e pessoas com poder de decisão representam em torno de 40% dos visitantes, enquanto 30% são técnicos.

    Índices que não mudaram muito este ano, embora a participação estrangeira seja cada vez mais incisiva: é que a indústria nacional também tem crescido e se posicionado com mais força, alentada pelas exigências de conteúdo nacional em projetos do setor de petróleo e gás.

    “Acreditamos que essa evolução é consistente, dentro das perspectivas altamente positivas da indústria naval brasileira, que está buscando a melhoria contínua em termos tecnológicos para atingir níveis de excelência em produtividade e, assim, ganhar maior competitividade”, afirmou o gerente da feira, Michael Fine. Segundo ele, a feira tem cumprido plenamente seu papel como um espaço propício ao networking do setor naval. “Buscamos encurtar a distância entre oferta e demanda”, afirmou.

    A realização do evento anual na cidade do Rio de Janeiro se deve ao peso que o estado fluminense tem no setor. Embora seja o segundo em volume em toneladas de porte bruto (TPB) – perde por pouco para Pernambuco, onde o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) tem uma pesada carteira de encomendas –, o Rio responde por mais de 48% dos empregos diretos e abriga o maior número de estaleiros do país, sendo considerado há mais de quatro décadas o grande parque naval brasileiro.



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