Indústria Naval

Navalshore 2013: Qualificação dominou a área técnica

Bia Teixeira
4 de novembro de 2013
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    Além de tudo o que se vê nos estandes espalhados pelo Centro de Convenções SulAmérica, a Navalshore é também um importante foro do setor naval, por abrigar workshops técnicos (esta foi a segunda edição) e painéis de debates.

    Em tempos de aumento de competitividade e de melhoria da eficiência operacional de ativos offshore – ponto nevrálgico de qualquer companhia de petróleo que opera em águas profundas –, quanto mais técnicos os temas, melhor para todos. Afinal, os workshops de dois dias são uma espécie de curso intensivo.

    Por isso mesmo, não surpreendeu ninguém o fato de os temas dos workshops deste ano, realizados nos dias 13 e 14, na parte da manhã, terem sido galvanização a quente e soluções, construção e desafios da soldagem. Afinal, como afirmou o coordenador técnico do Instituto de Metais Não Ferrosos (ICZ), Paulo Silva Sobrinho, o Brasil perde o equivalente a 4% do PIB com corrosão de equipamentos públicos e privados. “A solução é investir na galvanização por imersão a quente. É o modo mais eficiente para combater a corrosão do ferro e do aço”, afirmou.

    No dia seguinte, foi a vez da soldagem, que demanda conhecimento e tecnologia, como ficou demonstrado na apresentação feita por Daniel Almeida, diretor executivo da Associação Brasileira de Soldagem (ABS). “É muito importante o profissional conhecer os equipamentos e os consumíveis que podem garantir a qualidade e a produtividade dos trabalhos”, destacou o dirigente.

    Eficiência e competitividade – Evento paralelo à Navalshore, a segunda edição da conferência internacional Workboat South America foi realizada com uma série de palestras sobre o cenário atual e as ações necessárias para o desenvolvimento da atividade de apoio no país. Tecnologia, melhorias de processo, capacitação dos agentes da cadeia e as novas fronteiras de exploração nas regiões Norte e Nordeste são alguns dos principais desafios para a cadeia logística offshore do Brasil.

    O mesmo tom dominou os painéis promovidos durante o evento, que reuniram autoridades, empresários, instituições de fomento e especialistas do setor. Representantes da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e da Caixa Econômica Federal confirmaram a evolução da indústria, assim como a necessidade de agregar maior competitividade para que toda a cadeia de suprimento se desenvolva melhor.

    “Não temos problemas para atingir o conteúdo local exigido, nosso foco é atingir o conteúdo local com competitividade. O momento agora é de empreender”, enfatizou o presidente da Abenav, Augusto Mendonça.

    Opinião endossada pelo coordenador de conteúdo local da ANP, Marcelo Mafra. Para ele, o próximo passo é investir em sustentabilidade e competitividade, defendendo o conceito de cluster industrial como o caminho ideal para as empresas se consolidarem. Cesar Prata, diretor da Abimaq, questionou a falta de uma política industrial para o setor naval e de uma política econômica que fomente a indústria nacional, enquanto Antonio Gil Padilha Silveira, superintendente executivo da Secretaria de Petróleo, Gás e Indústria Naval da Caixa, apontou como os principais gargalos do setor a capacidade de produção, a mão de obra qualificada, a carga tributária e os preços competitivos.

    Investimentos não faltam para superar esses impasses. Silveira afirmou que a Caixa já liberou R$ 5 bilhões em créditos para empresas do setor, em sua maior parte proveniente do Fundo de Marinha Mercante (FMM), em quatro anos; e ainda há R$ 1 bilhão em fase de aprovação. “Queremos ser o banco da indústria naval”, afirmou, lembrando que o Fundo da Marinha Mercante (FMM) aprovou recentemente o financiamento de R$ 4 bilhões para seis estaleiros.



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    Um Comentário


    1. Fernando Borghi

      Oportuno!



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