Navalshore 2013: Fornecedores aproveitam a maré

A diversidade de empresas presentes na décima edição do maior evento naval da América do Sul reflete o mar de oportunidades oferecido pelo setor. Tanto na área de tecnologia como na de produtos, da tinta ao sistema de automação, tudo é importante para a indústria naval brasileira nessa nova etapa, que vai demandar investimentos massivos em processo, incorporação de novas tecnologias, implantação de sistema de gestão etc.

Petróleo & Energia, Neves: inovação permite secagem rápida e detecção de falhas com UV
Neves: inovação permite secagem rápida e detecção de falhas com UV

Razão pela qual a norte-americana Sherwin-Williams decidiu apostar suas cartas no mercado, participando pela primeira vez da Navalshore. “O setor naval é de extrema importância para a Sherwin-Williams, principalmente pelo grande número de estaleiros que estão sendo construídos no Brasil”, destacou Cláudio Neves, gerente de Desenvolvimento de Mercado Marine & Offshore da Sherwin-Williams Sumaré, a divisão brasileira dessa área.

Essa importância foi confirmada com a compra da portuguesa Euronavy, para consolidar a sua posição no mercado de revestimentos e proteção marítima para aplicação em navios, plataformas offshore, tanques de armazenamento, aço, concreto e pavimentação. Sem falar na parceria tecnológica com a Nippon Paint para a fabricação de um shop primer (pintura realizada em chapas, tubos etc., que serão estocados ao ar livre antes da instalação e montagem em plataformas, navios etc.) e de antifoulings (anti-incrustante).

Para marcar a estreia no evento, a empresa levou uma linha completa de soluções para proteção contra corrosão (epóxis, zincos, poliuretanos), além de produtos especiais para alta temperatura e antifoulings.

O principal destaque foi o Firetex, um revestimento epóxi intumescente para proteção passiva contra fogo à base de hidrocarbonetos. Indicada para os mercados offshore e onshore, como refinarias, plataformas e instalações químicas, pode ser usada em cenários de pool fire e jet fire. Em contato com o fogo, o revestimento começa a se expandir para que o aço seja protegido por um período mais amplo, sem entrar em colapso, dando mais tempo às pessoas para deixar o local em caso de incêndio.

Para as novas construções, a principal solução continua sendo a tecnologia Duraplate 301 (ES 301), produto 100% composto por sólidos para aplicações em superfícies hidrojateadas, inclusive em baixas temperaturas, com a versão inverno (W), que cura em temperaturas abaixo de 0ºC negativo. “O superior desempenho do produto é comprovado pelo nosso longo histórico de fornecimento no mercado offshore e naval”, diz o gerente.

A empresa também trouxe para a Navalshore o Fast Clad ER Epóxi, um produto multifuncional que pode ser usado após o hidrojateamento, alcançando grandes espessuras, possibilitando sua aplicação como revestimento único. Como a secagem é ultrarrápida, uma pessoa pode caminhar sobre o local pintado depois de três horas. E, por dispor de pigmento AOP (opticamente ativo), permite inspeção de falhas mediante uma simples exposição à luz ultravioleta.

Além de produtos que devem ter boa aceitação no mercado naval, a Sherwin-Williams montou um time especializado na área técnica e de segmento do mercado naval & offshore para dar apoio ao setor comercial e aos 59 centros de distribuição espalhados em pontos estratégicos pelo Brasil.

Tinta anticorrosão – Presente na Navalshore desde a primeira edição, a AkzoNobel, maior empresa do mundo em tintas e revestimentos, dona da marca International Paint, e uma das principais fabricantes mundiais de especialidades químicas, buscou destacar suas inovações em soluções mais sustentáveis.

Petróleo & Energia, Machado: shop primer de zinco com base aquosa protege trabalhadores
Machado: shop primer de zinco com base aquosa protege trabalhadores

“Buscamos inovações que incrementem o processo produtivo e reduzam seus custos operacionais com foco na proteção da mão de obra direta e do meio ambiente”, destacou Juarez Machado, gerente técnico e de vendas Brasil da AkzoNobel, afiançando que a empresa tem sido pioneira nesse sentido.

Ele cita três inovações que consagram essa atuação. Uma delas é a Interplate Zero, shop primer de silicato de zinco à base de água, que não emite voláteis durante sua aplicação, protegendo o meio ambiente e não agredindo o trabalhador. “Este produto tem mais sólidos e, consequentemente, reduz significativamente as embalagens para descarte”, acrescenta.

Outro destaque é a nova linha de anti-incrustantes, que promove um controle de desgaste mais eficiente, reduzindo os custos de operação das embarcações e proporcionando menor coeficiente de arraste.

As soluções “eco premium” têm maior apelo. São ambientalmente amigáveis, com baixa ou nenhuma emissão de poluentes na atmosfera, como o Intersleek 1100SR, revestimento de controle de incrustações, isento de biocidas, ou seja, não libera substâncias químicas no meio ambiente marinho e proporciona redução na emissão de dióxido de carbono. “É uma nova geração de fluorpolímero, que assegura maior eficiência na resistência à aderência de cracas, proporcionando menor coeficiente de arraste sem emitir resíduos para o meio ambiente marinho”, detalha o gerente da Akzo. O produto também alcança uma economia de até 9% no consumo de combustível e dura até dez anos mais do que os produtos convencionais.

Juarez Machado frisa que todas estas soluções visam a atender a um mercado estratégico para a Akzo. O crescimento do mercado naval também tem impulsionado os resultados no Brasil. Até maio, o faturamento da AkzoNobel – considerando os negócios como um todo no país – teve crescimento entre 5% e 10% em relação ao mesmo período do ano passado. “No Brasil, os planos da AkzoNobel são de dobrar o faturamento até 2015, chegando a R$ 4 bilhões com base nos resultados de 2010”, pontua.

“A expectativa é a de que os mercados marítimo e protetivo cresçam mais rápido do que a economia brasileira. E o setor que liderará será o de óleo e gás”, diz Juarez Machado. Daí os investimentos da empresa também em inovação: um laboratório central de análise e síntese de resinas, com foco em renováveis, foi recentemente inaugurado em Mauá-SP. “E também estudamos a implementação de um segundo laboratório, ainda mais focado no mercado de óleo e gás, mas ainda não podemos dar detalhes”, conclui.

Negócios limpos – Empresa brasileira da área de tratamento de água e efluentes para plataformas e navios (regulados pelo Protocolo da IMO – Marpol, regra internacional de controle da poluição marítima), a Vicel é veterana na Navalshore, da qual participa consecutivamente há oito anos.

Petróleo & Energia, Brasileiro respeita as normas internacionais
Brasileiro respeita as normas internacionais

E com boas expectativas de fechar contratos e reforçar a visibilidade, de acordo com o gerente de novos negócios e marketing do grupo Vicel, Helio Brasileiro. “O setor naval continua aquecido e isso pode ser constatado também pelo crescimento da Navalshore que, a cada ano, reúne um número maior de expositores e visitantes”, observa.

Ele lembra que é crescente a demanda por novas embarcações. E todas devem estar em conformidade com as regulamentações ambientais vigentes, como a Marpol, convenção internacional para o controle da poluição marítima. “Conhecê-la e colocá-la em prática é de extrema importância para todos aqueles que trabalham na operação e na manutenção do mercado naval e offshore. Este é o nosso trabalho, prover soluções para que nossos clientes estejam sempre em conformidade”, frisa Brasileiro.

Desde 1995 disponibilizando para o mercado brasileiro sistemas de tratamento de água e efluentes para a prevenção da poluição causada por navios e plataformas, a Vicel é a única empresa no país a representar o Marpol Training Institute, programador de softwares de treinamentos especializados nas boas práticas ambientais.

“Em outras palavras, o setor naval está crescendo e o grupo Vicel se qualificou para atender às novas demandas com as melhores tecnologias e o entendimento das regulamentações ambientais nacionais e internacionais, que estão cada vez mais rígidas”, afirma o executivo.

Com extenso portfólio de equipamentos e serviços para atender às demandas da indústria naval e offshore, a Vicel tem ampliado sua carteira de projetos ao trabalhar em conjunto com os parceiros para cumprir os requisitos de conteúdo local.

Petróleo & Energia, Sistema Balpure trata a água de lastro em navios
Sistema Balpure trata a água de lastro em navios

Lastro de conteúdo nacional – “O Projeto Conteúdo Local, da Vicel, viabiliza a importação de equipamentos de classe mundial para a geração de água e tratamento de efluentes para navios e plataformas em kits desmontados para montagem no Brasil, com mão de obra local e componente nacional”, explica Brasileiro.

A unidade de dessalinização por osmose reversa Aqua-Chem, primeiro equipamento montado pela empresa no país, confirmou a exequibilidade do empreendimento. Outro equipamento que faz parte dessa iniciativa é o GWTS, sistema para tratamento de água cinza (usada, porém sem contaminação de esgotos), inteiramente desenvolvido pela Vicel. Com mais de 90% de conteúdo nacional, foi projetado para atender aos requisitos das novas regulamentações ambientais brasileiras – NT01/11 e Resolução Conama 430.

“O sistema Balpure, lançado recentemente pela Severn Trent De Nora, também pretende atender a uma nova regulamentação ambiental, prestes a entrar em vigor, que obriga o tratamento de água de lastro dos navios”, observa o gerente de novos negócios da Vicel. A empresa, no período da Navalshore, recebeu a visita do gerente de produtos da linha Balpure, que veio ao Brasil para avaliar a possibilidade de estabelecer uma parceria com a Vicel para a montagem de equipamentos no país.

Também integram o portfólio do grupo as unidades Mariner Omnipure, para tratamento eletrolítico de águas servidas, e os separadores de água e óleo de porão (bilge) Boss. “Dessa forma, asseguramos aos armadores um atendimento eficiente e, aos estaleiros, equipamentos com maior performance e menor custo de propriedade”, explica Brasileiro.

Com isso, a empresa quer ampliar sua liderança. “Somos líderes de mercado no tratamento de água e efluentes no setor offshore. Nossa expectativa é estender essa liderança também para o setor naval nos próximos anos”, conclui Brasileiro.

Petróleo & Energia, Software da Ghenova replica navio em ambiente virtual
Software da Ghenova replica navio em ambiente virtual

Engenharia da competitividade – Foi com foco nesta questão que uma das mais tradicionais empresas de engenharia do setor, o grupo Forship, participou da décima edição da Navalshore. Criada há 15 anos pelo engenheiro naval Fábio Fares, que começou a carreira em estaleiros (Arsenal de Marinha e Mauá), a Forship Engenharia já tem um sólido portfólio de projetos realizados no setor offshore.

Tendo consolidada a cultura da engenharia do comissionamento, requisito da Petrobras desde que começou a fazer a conversão de petroleiros em plataformas de produção ou armazenamento (os famosos FPSOs e FSOs), a Forship hoje atua em vários segmentos de mercado, do naval e offshore ao de energia, passando pelo de mineração e de suporte regulatório. “A engenharia de comissionamento pode ser aplicada a qualquer planta industrial complexa, de plataforma a refinarias, de usinas a minas”, frisa o CEO da Forship.

Mas é primordial no setor naval em expansão, que busca ganhar competitividade ao mesmo tempo em que se renova e amplia suas atividades. “A competitividade é o mote desta Navalshore, é o grande desafio desta segunda onda da indústria naval brasileira, uma vez que a retomada já está consolidada”, observou.

Essa busca pela competitividade abre inúmeras oportunidades para a Forship, criada um pouco antes do processo de retomada da indústria naval. “Temos expertise reconhecida em comissionamento, operação e manutenção e um amplo portfólio de produtos e serviços que dão suporte a todo o ciclo de vida de um ativo nas etapas da construção, do projeto básico à operação e manutenção de um ativo. Ou seja, temos domínio de todos os processos que podem assegurar maior competitividade em projetos navais e offshore.”

A espanhola Ghenova, outra empresa de engenharia com forte atuação no setor naval e offshore, também quer oferecer seu aporte para a indústria naval brasileira dar o grande salto para se tornar competitiva no mercado mundial.

Na sua terceira participação com estande, a empresa procurou dar maior visibilidade aos seus principais diferenciais. “Destacamos a nossa capacidade de gerenciar e coordenar projetos executados pelos nossos engenheiros e o uso das mais sofisticadas ferramentas de cálculo e de modelagem 3D, que permitem replicar um navio ou plataforma num ambiente virtual”, observou o diretor da Ghenova Brasil, Rui Miguel de Sousa Vieira.

Petróleo & Energia, Yada: informação integrada gera qualidade e produtividade
Yada: informação integrada gera qualidade e produtividade

“Estamos percebendo, com base em dados tangíveis já no mercado brasileiro, que o uso de modelos 3D completos de navios nos permite gerar os planos de construção com o nível de detalhamento adaptado às necessidades de cada estaleiro”, salienta o executivo. Com isso, a construção das embarcações é feita de uma forma mais eficaz, ajudando o estaleiro a economizar grandes quantidades de HH (homem-hora) e a entregar dentro do prazo contratado.

“Nossa atuação está respaldada em 19 anos de experiência em projetos usando modelos 3D”, complementa o diretor técnico-comercial, o engenheiro naval Gregorio Galán Garcia, frisando que a empresa tem sólida expertise para oferecer seus serviços nas fases de desenho conceitual, básico e de detalhamento.

“Em relação aos projetos básicos, sendo a Ghenova independente em relação à cadeia de fornecedores de equipamentos, pode oferecer um projeto básico embasado nas necessidades de cada cliente, no qual o armador escolhe os equipamentos principais que pretende usar”, explica Vieira. Deste modo, o contratante aumenta o conteúdo nacional das suas embarcações, como é o caso dos PSVs, AHTS e OSRVs.

No estande, a empresa também apresentou alguns de seus projetos básicos para PSVs, AHTS, OSRVs, que cumprem “os estritos requerimentos técnicos da Petrobras”, e aproveitou para divulgar a obtenção do Certificado de Registro de Classificação Cadastral (CRCC) da petroleira para serviços de engenharia naval. “Apresentamos igualmente um trabalho sobre como os estaleiros podem pensar e estruturar a subcontratação de serviços de engenharia naval”, complementa o executivo.

Um passo decisivo para quem vê o mercado brasileiro como uma prioridade. “O Brasil tem uma importância cada vez maior nos nossos negócios, uma vez que o volume de faturamento do grupo Ghenova no país vem aumentando ano após ano. Faturamos R$ 1 milhão em 2011, R$ 7,4 milhões em 2012 e para 2013 projetamos algo em torno de R$ 14 milhões”, contabiliza Rui Miguel de Sousa Vieira. Estes recursos vão advir dos contratos firmados com quatro estaleiros e três armadores, entre os mais importantes do mercado nacional.

Petróleo & Energia, Yada: informação integrada gera qualidade e produtividade
Yada: informação integrada gera qualidade e produtividade

“É um mercado que se adapta bem às nossas linhas de atuação: naval, offshore, civil (inclui portos, diques e cais), industrial, aeronáutica, agroindustrial e energia”, pontua Vieira. Segundo ele, a Ghenova não tem sócios, mas sim vários acordos de colaboração pontuais com diversas empresas locais, nas diferentes linhas de negócio. “Estamos totalmente abertos a analisar parcerias que aportem valor”, conclui o diretor da Ghenova, que também conta com escritórios em diversos lugares do mundo, como Alemanha, Espanha, Países Baixos, Equador, Chile e Noruega.

Base tecnológica – A Sisgraph aposta nas soluções tecnológicas de seu portfólio, para ajudar a indústria naval a ganhar competitividade. Empresa de TI especializada no desenvolvimento de softwares, como o SmartMarine 3D, solução voltada para projetos de plataformas de petróleo, a Sisgraph, do grupo Hexagon, levou para a feira soluções para todo o ciclo de vida do empreendimento, desde a engenharia básica até a manutenção dos ativos.

“O SmartMarine Enterprise vem sendo amplamente utilizado por grandes estaleiros e epecistas brasileiros e internacionais. Para nós, a integração e o reaproveitamento das informações, não só entre as fases do empreendimento, mas também entre as equipes e empresas envolvidas, são um grande desafio para a garantia da qualidade e o aumento da produtividade. É isso que o SmartMarine Enterprise garante”, destaca Fábio Yada, gerente de contas da divisão process, power & marine da Sisgraph.

A expectativa da empresa em relação ao setor naval e offshore brasileiro é muito boa, por conta do avanço dos projetos existentes e dos novos empreendimentos. “O plano de negócios da Petrobras prevê grandes investimentos na área de E&P, não apenas em novas plataformas, mas também em outros tipos de embarcações. A conclusão e a operação de novos estaleiros também são fatores importantes”, afirmou Yada.

Ele observa que as empresas estrangeiras também estão aumentando os investimentos em E&P no Brasil. “Como líderes no segmento naval e offshore brasileiro em fornecimento de softwares para engenharia, suprimentos e construção, esse movimento de mercado tem um peso importante nos nossos negócios”, complementa.

Petróleo & Energia, Pena: TI reduz problemas nas várias etapas da construção
Pena: TI reduz problemas nas várias etapas da construção

Esta também é a expectativa de outro gigante da área de TI: a Aveva, que participa da Navalshore há quatro anos, acompanhando o ‘renascimento’ do mercado naval brasileiro. “A companhia foi uma das pioneiras em fornecer tecnologia 3D no país e vê com muito otimismo a retomada da indústria naval, principalmente influenciada pelo pré-sal”, afirma Santiago Pena, vice-presidente sênior da Aveva para a América Latina.

Segundo ele, a cadeia de óleo e gás sempre foi e será o principal segmento de mercado da empresa. “A Aveva se consolidou no setor do refino anos atrás, fortalecendo sua presença no país”, lembra o executivo, afirmando que “os investimentos na área offshore não se traduzem apenas em termos financeiros, mas na experiência que temos nessa área e o que está sendo capitalizado pelo mercado”.

O vice-presidente pontua que a resistência dessa indústria ao uso de TI em todas as etapas, do projeto à construção e entrega do ativo, vem sendo vencida nos últimos anos. “Hoje podemos dizer que boa parte das empresas já aplica as melhores práticas de mercado e automação de projetos”, afirma.

Essa transformação se deveu também a um fenômeno único do mercado brasileiro, durante o qual as empresas voltadas tradicionalmente para engenharia civil passaram a atuar também como epecistas e construtores navais. “Com isso, elas levaram sua excelência e boas práticas já bem desenvolvidas para esses projetos. O setor e os empreendimentos só têm a ganhar com esse processo, que deve ser aprofundado diante dos desafios do offshore apresentados pelo pré-sal”, avalia Santiago Pena.

Ele observa que o principal desafio atual é a formação da mão de obra qualificada, justamente para extrair tudo o que a tecnologia tem a oferecer para o setor naval. “A indústria tem o interesse e a responsabilidade de mitigar essa limitação no Brasil. A Aveva também. Tanto que, desde o início das nossas operações no país, temos iniciativas educacionais que oferecem treinamentos e seminários”, revela o vice-presidente, agregando que a empresa faz doações de licenças para um grande número de instituições de ensino, do nível técnico até a pós-graduação.

Petróleo & Energia, Pena: TI reduz problemas nas várias etapas da construção
Pena: TI reduz problemas nas várias etapas da construção

Afinado com o desafio maior que é o da competitividade, ele salienta que as soluções de TI podem minimizar alguns problemas do setor naval, principalmente inconformidades entre projeto e a obra em execução, prazos, comissionamento etc. “Um navio ou projeto offshore consiste em um longo e complexo fluxo de trabalho, reunindo vários participantes em torno da criação e organização de inúmeros dados e da aquisição e uso de uma vasta quantidade de materiais”, pontua.

Segundo ele, para alcançar êxito, construtores navais e projetistas necessitam de ferramentas altamente produtivas para gerar dados do projeto e gerenciar sua evolução e uso ao longo de toda a construção naval. “A utilização da tecnologia permite identificar e ajustar interferências entre projetos, otimizar custos com materiais e homens-horas trabalhadas, e gerar informações precisas que levem a um alto nível de qualidade, difícil de alcançar sem a automação”, conclui Pena.

Motores para o setor – O sucesso de sua estratégia de oferecer pacotes com conteúdo nacional foi o grande destaque da Cummins Marine, divisão de negócios marítimos da Cummins. A empresa, que se prepara para entregar sete unidades de geradores de emergência para sete sondas de perfuração que vão atuar no pré-sal, comemorou o feito na Navalshore. A primeira unidade será entregue em dezembro de 2013, para a General Electric (GE), que é a responsável pelos módulos de potência das sondas, em construção no Estaleiro Atlântico Sul, em Recife-PE.

Petróleo & Energia, Farfan: geradores equipam sete sondas para o pré-sal
Farfan: geradores equipam sete sondas para o pré-sal

Montado no Brasil e composto por motor e gerador, o pacote diesel elétrico da Cummins permite a seus clientes/estaleiros atender aos requisitos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em conteúdo local. “Trata-se da solução integrada mais completa e moderna da Cummins para o mercado offshore e disponível para todos os tipos de embarcações”, diz Olmedo Farfan, líder regional da Cummins Marine para o México e a América do Sul.

A solução nacionalizada da companhia também conta com o Painel C-Command, que trabalha de forma preventiva, auxiliando os operadores marítimos a controlar todos os parâmetros do motor, como gerenciar os custos operacionais, pois é capaz de monitorar todo o seu funcionamento, como rotação, consumo de combustível, período de parada para manutenção e temperatura de óleo e água. O C-Command permite o monitoramento via satélite.

Além do pacote diesel elétrico, a empresa também divulgou o portfólio de produtos, que inclui motores de propulsão, motores auxiliares, geradores de emergência e geradores de bordo. A empresa explicou que a entrega do conteúdo local será feita de forma escalonada.

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