Navalshore 2013: Cadeia produtiva de carteira cheia precisa melhorar competitividade

Parcerias não saem do papel – Mas, para isso, ainda será necessário fazer uma série de acertos entre os governos destes países. A indústria naval argentina deseja ver concretizada, na prática, a parceria realizada em 2008 entre o Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore) e a Fina (Federación de la Industria Naval Argentina), firmada novamente em 2010, para o desenvolvimento de ações comerciais e produtivas entre estaleiros dos dois países.

O acordo contempla a cooperação na capacitação de recursos humanos e desenvolvimento tecnológico; regime comum no Mercosul para importação de bens e serviços para a atividade de construção e reparação naval; e ação em conjunto para uso de embarcações brasileiras ou argentinas no transporte fluvial no sistema hidroviário Paraná-Paraguai.

Petróleo & Energia, Torresin (esq.) e Martínez: estaleiros buscam parcerias
Torresin (esq.) e Martínez: estaleiros buscam parcerias

“A indústria naval brasileira está entrando na segunda onda e para seguir adiante precisa agregar competitividade. Isso pode ser feito em parceria com os estaleiros argentinos, que têm grandes quadros técnicos e profissionais que podem somar esforços neste processo”, frisou Juan Antonio Torresin, presidente da Fina, entidade que participa pela quinta vez da Navalshore.

“Agregar competitividade em um processo de crescimento de uma indústria tão completa, como a naval, não é tarefa fácil. Mais ainda exigir que isso se dê dentro de um processo de crescimento tão rápido”, pontuou o dirigente argentino, que é presidente do estaleiro Coserena, localizado na Patagônia e com forte atuação no Atlântico Sul, desde sua criação, em 1980.

“Acreditamos que este processo possa ser acelerado com a efetivação de parcerias firmadas há cinco anos entre Brasil e Argentina, uma vez que temos uma indústria naval consolidada, com atuação histórica e apta a atender às demandas da região”, acrescentou Horácio Martínez, dirigente da Unión Industrial Argentina (UIA).

Ele recorda que a indústria argentina também passou por uma crise, nos anos 80 e 90. “Hoje estamos com a capacidade ideal para atender a este crescimento do setor naval no Brasil, principalmente pela conquista do pré-sal”, afirma.

A segunda onda – O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, na abertura da Navalshore, já havia pontuado a questão da competitividade. “Temos estaleiros modernos em plena operação e outros que estão se instalando e se equipando, mas precisamos consolidar a indústria naval como um todo, de forma sustentável”, afirmou.

O comandante do braço logístico da Petrobras, um dos principais demandadores do setor naval, com quase meia centena de encomendas em andamento ou previstas – das quais recebeu apenas cinco embarcações até agora –, acredita que investimentos concentrados na melhoria do processo vão tornar o serviço e o produto nacional mais atraente e competitivo.

“Temos condições de dar este grande salto”, afirmou, lembrando que o país já superou etapas importantes, como a retomada da construção naval no país e o índice de 65% de conteúdo nacional, alcançado pelo setor. “A meta é nos tornarmos competitivos no contexto mundial”, disse.

Machado não fez referências à Argentina, mas um dia depois da cerimônia de abertura da Navalshore um dos principais executivos do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro, estava no estande do país vizinho, conversando com os empresários argentinos como velhos amigos.

Sinais dos tempos. Esta cordialidade não seria vista com bons olhos antes da retomada dos investimentos na indústria brasileira, impulsionada pelas encomendas da Petrobras e de prestadores de serviços offshore. Com um cenário promissor para os estaleiros e para toda a cadeia de serviços e suprimentos, parece que chegou a hora de acolher parceiros regionais que possam ajudar a indústria brasileira a não perder o rumo.

Os números mostram que o momento é propício: a indústria naval emprega hoje mais 73.505 pessoas, um aumento de nove mil empregos em relação a 2012. E gera mais 240 mil postos de trabalho indiretos. E hoje, segundo Machado, há 373 obras em andamento nos estaleiros brasileiros. Ou seja: há espaço para a indústria naval expandir as fronteiras e bater a quilha da nau da integração do Mercosul.

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