Navalshore 2013: Cadeia produtiva de carteira cheia precisa melhorar competitividade

Petróleo & Energia, Navalshore 2013 - Cadeia produtiva de carteira cheia precisa melhorar competitividade

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17.314 visitantes
350 expositores – 60 estreantes
Mais de 40 nacionalidades presentes
11 mil m² de área

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O nome do jogo agora é competitividade. Depois da tão propalada retomada, com a quarta carteira mundial de encomenda de navios, atrás apenas dos Estados Unidos, Noruega e Grécia, a indústria naval brasileira entra em uma nova fase. Com um cenário promissor, animado pelo enorme volume de encomendas do setor de óleo e gás, estaleiros e a cadeia de serviços e suprimentos precisam ganhar competitividade para disputar o mercado internacional e assegurar o desenvolvimento sustentável dessa indústria para a próxima década.

Para isso, toda a cadeia produtiva precisa melhorar seus processos, aprimorar o planejamento e a gestão dos negócios, ganhar maior excelência e eficácia na execução, cumprir prazos e ter preços atraentes para competir com os gigantes internacionais do setor, principalmente os grandes estaleiros asiáticos.

Petróleo & Energia, Na cerimônia de abertura, Machado recomendou ao setor avançar no caminho da sustentabilidade
Na cerimônia de abertura, Machado recomendou ao setor avançar no caminho da sustentabilidade

É o que ficou claro na 10ª Navalshore – Marintec South America – Feira e Conferência da Indústria Naval e Offshore 2013, realizada entre os dias 15 e 17 de agosto, no Centro de Exposições SulAmérica, no Rio de Janeiro (RJ). Com praticamente o mesmo número de expositores do ano anterior – em torno de 350, de quase 20 países –, a feira registrou novo recorde de visitantes, superior a 17.300 pessoas, 1.200 a mais que na nona edição. No total, contabilizando o staff da organização da feira e equipes dos expositores, mais de 20 mil pessoas passaram pelo local nos três dias do evento.

Argentina, Uruguai, Japão, China, Espanha, Suécia, Coreia do Sul, EUA, Itália, Noruega, Polônia, Canadá e Holanda montaram estandes ou pavilhões, com representantes de organizações governamentais e empresas. Além destes 13 pavilhões, muitos estrangeiros circularam pela feira, com perspectivas de iniciar ou ampliar seus negócios. Para o diretor da UBM Brazil, Joris Van Wijk, esse interesse crescente da indústria naval internacional pelo mercado brasileiro confirma o bom momento do setor no país.

Integração naval – Além das pretensões da indústria local, a Navalshore sinalizou que o boom do mercado, movido a óleo e gás, estimulou o apetite não somente de fornecedores estrangeiros de bens e serviços da cadeia produtiva, mas também de estaleiros da região.

A Argentina e o Uruguai aportaram na Navalshore prospectando negócios que possam ser ancorados em seus estaleiros. A ideia é pegar carona no modelo de fábricas de plataformas ao longo da costa brasileira, delineado pela Petrobras, para fabricação em série dessas unidades em diferentes etapas – cascos, módulos, integração – e em distintos estaleiros ou canteiros de obras.

Argentinos e uruguaios desejam estender essa linha de produção pela costa Atlântica até o sul do continente. Os estaleiros destes países podem se dedicar à construção de parte das mais de 500 embarcações de apoio previstas até o final da década, enquanto os brasileiros focam a sua atenção nas grandes unidades de produção offshore.

Essa expectativa foi alimentada por um discreto, porém incisivo, tour realizado em meados deste ano por técnicos da Petrobras da área de engenharia responsável pelos empreendimentos de exploração e produção (E&P). Ou seja: vinculados diretamente a José Antonio Figueiredo, diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais da petroleira brasileira, e que tem como gerente corporativa a presidente do Centro de Excelência em EPC (CE-EPC), Renata Baruzzi.

Figueiredo e Baruzzi têm visitado pessoalmente os projetos da Petrobras em andamento, incluindo os que estão em estaleiros e canteiros de obras navais. E ambos querem mais agilidade, eficiência, produtividade e pontualidade na entrega.

Por isso mesmo, ‘olheiros’ da Petrobras foram aferir as condições dos estaleiros da região, para ver se eles podem agilizar o processo, assumindo obras menores, como as construções dos barcos de apoio e até sondas. Ou seja, a tão desgastada integração econômica do cone sul pode ganhar novo alento, desta vez na onda da indústria naval e offshore, movida a óleo e gás.

Parcerias não saem do papel – Mas, para isso, ainda será necessário fazer uma série de acertos entre os governos destes países. A indústria naval argentina deseja ver concretizada, na prática, a parceria realizada em 2008 entre o Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore) e a Fina (Federación de la Industria Naval Argentina), firmada novamente em 2010, para o desenvolvimento de ações comerciais e produtivas entre estaleiros dos dois países.

O acordo contempla a cooperação na capacitação de recursos humanos e desenvolvimento tecnológico; regime comum no Mercosul para importação de bens e serviços para a atividade de construção e reparação naval; e ação em conjunto para uso de embarcações brasileiras ou argentinas no transporte fluvial no sistema hidroviário Paraná-Paraguai.

Petróleo & Energia, Torresin (esq.) e Martínez: estaleiros buscam parcerias
Torresin (esq.) e Martínez: estaleiros buscam parcerias

“A indústria naval brasileira está entrando na segunda onda e para seguir adiante precisa agregar competitividade. Isso pode ser feito em parceria com os estaleiros argentinos, que têm grandes quadros técnicos e profissionais que podem somar esforços neste processo”, frisou Juan Antonio Torresin, presidente da Fina, entidade que participa pela quinta vez da Navalshore.

“Agregar competitividade em um processo de crescimento de uma indústria tão completa, como a naval, não é tarefa fácil. Mais ainda exigir que isso se dê dentro de um processo de crescimento tão rápido”, pontuou o dirigente argentino, que é presidente do estaleiro Coserena, localizado na Patagônia e com forte atuação no Atlântico Sul, desde sua criação, em 1980.

“Acreditamos que este processo possa ser acelerado com a efetivação de parcerias firmadas há cinco anos entre Brasil e Argentina, uma vez que temos uma indústria naval consolidada, com atuação histórica e apta a atender às demandas da região”, acrescentou Horácio Martínez, dirigente da Unión Industrial Argentina (UIA).

Ele recorda que a indústria argentina também passou por uma crise, nos anos 80 e 90. “Hoje estamos com a capacidade ideal para atender a este crescimento do setor naval no Brasil, principalmente pela conquista do pré-sal”, afirma.

A segunda onda – O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, na abertura da Navalshore, já havia pontuado a questão da competitividade. “Temos estaleiros modernos em plena operação e outros que estão se instalando e se equipando, mas precisamos consolidar a indústria naval como um todo, de forma sustentável”, afirmou.

O comandante do braço logístico da Petrobras, um dos principais demandadores do setor naval, com quase meia centena de encomendas em andamento ou previstas – das quais recebeu apenas cinco embarcações até agora –, acredita que investimentos concentrados na melhoria do processo vão tornar o serviço e o produto nacional mais atraente e competitivo.

“Temos condições de dar este grande salto”, afirmou, lembrando que o país já superou etapas importantes, como a retomada da construção naval no país e o índice de 65% de conteúdo nacional, alcançado pelo setor. “A meta é nos tornarmos competitivos no contexto mundial”, disse.

Machado não fez referências à Argentina, mas um dia depois da cerimônia de abertura da Navalshore um dos principais executivos do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro, estava no estande do país vizinho, conversando com os empresários argentinos como velhos amigos.

Sinais dos tempos. Esta cordialidade não seria vista com bons olhos antes da retomada dos investimentos na indústria brasileira, impulsionada pelas encomendas da Petrobras e de prestadores de serviços offshore. Com um cenário promissor para os estaleiros e para toda a cadeia de serviços e suprimentos, parece que chegou a hora de acolher parceiros regionais que possam ajudar a indústria brasileira a não perder o rumo.

Os números mostram que o momento é propício: a indústria naval emprega hoje mais 73.505 pessoas, um aumento de nove mil empregos em relação a 2012. E gera mais 240 mil postos de trabalho indiretos. E hoje, segundo Machado, há 373 obras em andamento nos estaleiros brasileiros. Ou seja: há espaço para a indústria naval expandir as fronteiras e bater a quilha da nau da integração do Mercosul.

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