Entrevistas

Mercado Regional de softwares tem potencial imenso de negócios

Petroleo e Energia
25 de fevereiro de 2013
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    Foto: Rodrigo Mantovani

    Com apenas 42 anos, o vice-presidente regional e diretor-geral das operações latino-americanas da Aspen Technology, Inc., Filipe Soares Pinto, é um verdadeiro globetrotter. Nascido e criado no Porto (Portugal), formou-se engenheiro químico na Universidade de Birmingham, na Inglaterra, para depois graduar-se mestre e doutor pela Universidade de Manchester, sempre direcionando o foco de estudos para modelação e simulação de processos industriais. Voltou a Portugal para trabalhar em uma petroquímica local, passando depois para uma unidade na Coreia do Sul. Em 1998, passou para a área comercial de softwares de engenharia de processo em Barcelona, na Espanha, na filial da canadense Hyprotech, comprada pela Aspentech em 2002. Lá permaneceu mais quatro anos e foi indicado como vice-presidente da companhia para o Sudeste Asiático, de onde veio para São Paulo para criar a estrutura regional da companhia, em novembro de 2011.

    Petróleo&Energia: Como o sr. classifica o mercado regional para softwares de engenharia?
    Filipe Soares Pinto: A região toda apresenta um potencial enorme de negócios, por exemplo, no Brasil, México e Venezuela. Há dois anos, a companhia dividia seus interesses em três regiões: Ásia, Américas e Europa. Ao verificar as oportunidades, foi preciso considerar a América Latina como a quarta região, exigindo montar estrutura local.

    P&E: Quais são as etapas de instalação?
    Filipe: Estamos montando as equipes em cada localidade relevante, com a coordenação em São Paulo. Atualmente, nosso ritmo de atividades é muito forte, precisamos contratar algumas pessoas altamente qualificadas, embora em pequeno número. Esse modelo de negócio usa equipes pequenas, temos 1,2 mil pessoas em todo o mundo. Os trabalhos são distribuídos entre toda a equipe global, quando necessário, aproveitando as especialidades e disponibilidades de pessoal.

    P&E: O que a Aspentech pode oferecer para a região?
    Filipe: Oferecemos softwares de engenharia que podem aumentar a produtividade e a eficiência das operações nos ramos de óleo e gás, petroquímica, química básica, química fina e empresas de construção, por exemplo. A Aspentech iniciou seus trabalhos dentro do MIT [Massachussets Institute of Technology, nos EUA], em 1981, com um projeto de um simulador de processos, que deu origem ao famoso Aspen Plus, hoje integrado ao sistema aspenONE.

    P&E: Para que serve o aspenONE?
    Filipe: Trata-se de um conjunto único de soluções informatizadas nos campos de engenharia, otimização e cadeia de suprimentos. Em engenharia, o sistema integra ferramentas para design de linhas completas de produção, o sistema mais usado no mundo para engenharia conceitual, além de contar com simuladores para verificar o funcionamento virtual dos processos. Para otimização, temos um sistema próprio para aquisição de dados do processo que auxilia a determinação de parâmetros que orientam o nosso programa de controle avançado de processos (APC), que é independente dos produtos oferecidos por algumas empresas fornecedoras de produtos e sistemas de automação e controle. Contamos com o auxílio de uma biblioteca de dados dos principais equipamentos termodinâmicos em processos, para orientar novas instalações. No campo do supply chain, temos softwares específicos para gerenciar compras, estoques, transportes e prazos de matérias-primas e insumos críticos, por exemplo, de óleo para refinarias de petróleo. Isso permite reduzir custos, ao selecionar os óleos processáveis mais econômicos. É uma forma de planejamento inteligente, operado por computadores. Fazer isso sem um programa específico daria um trabalho imenso e haveria o risco de ocorrência de erros.

    P&E: Há exemplos de uso real desses programas?
    Filipe: Aqui no Brasil, a Refinaria Henrique Lage (Revap), da Petrobras, obteve ganho de US$ 13 mil por dia com o uso de ferramentas de otimização em tempo real (OTR) da Aspentech. Trata-se de uma refinaria para 250 mil barris/dia, na qual o programa facilitou o uso ao máximo de óleos crus nacionais pesados, com menor necessidade de misturar óleos leves, importados e mais caros, sem prejuízo da qualidade e diversificação do portfólio de produtos, que até melhoraram. No exterior, a Chevron conseguiu reduzir o tempo necessário para restabelecer as operações de refino após paradas, diminuindo perdas.

    P&E: A instalação do programa e a adequação ao cliente são complexas?
    Filipe: Pelo contrário. Diferentemente de todos os demais sistemas oferecidos no mercado, o nosso é entregue completo, com todas as ferramentas, para cada cliente. Cabe a este decidir o que pretende instalar e quantos usuários serão habilitados a operar o sistema. Quando concluímos a negociação, licenciamos os módulos desejados e entregamos tokens, pequenos aparelhos eletrônicos que geram senhas para permitir o uso dos programas. Desse modo, o cliente precisa definir quantas pessoas entrarão simultaneamente no sistema. A instalação é feita em minutos e a adequação ao processo pode demorar mais ou menos, dependendo de cada caso.


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