Indústria Naval

Marintec South America: Cadeia naval se mobiliza para disputar mercados no exterior

Bia Teixeira
26 de setembro de 2014
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    Petróleo & Energia, Marintec South America: Cadeia naval se mobiliza para disputar mercados no exterior
    Tonar-se uma protagonista mais atuante no cenário internacional é a grande meta da indústria naval e offshore brasileira, propalada e reafirmada nos diversos eventos realizados nos três dias da Marintec South America, a 11ª Navalshore, realizado entre os dias 12 e 14 de agosto, no Centro de Convenções SulAmerica, no Rio de Janeiro-RJ. Para isso, toda a cadeia produtiva deve se mobilizar, incluindo o setor de navipeças e equipamentos, que ainda não foi fortemente impactado pelos benefícios do conteúdo local.

    Todos os atores desse mercado sinalizaram, dentro e fora do evento, que a estabilidade proporcionada pelo conteúdo local e a grande demanda por bens e serviços da indústria petrolífera e offshore não asseguram a longevidade no médio e longo prazos.

    Na percepção do setor é fundamental conquistar outros mercados, até mesmo para poder concorrer, dentro e fora do país, com os estrangeiros que vêm se instalando no Brasil por meio de incorporações, aquisições e parcerias com empresas locais. Com este mote, há uma onda inversa, que defende a flexibilidade (com revisão de alguns pontos das regras de conteúdo local) em relação à participação de empresas estrangeiras de países que têm forte tradição no setor, como os asiáticos, mas disputras pelas encomendas das estatais.

    Petróleo & Energia, Machado, com Bueno e Van Wijk: conteúdo local, com melhor gestão, ampliará a produtividade

    Machado, com Bueno e Van Wijk: conteúdo local, com melhor gestão, ampliará a produtividade

    O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, discorda de mudanças, afirmando que o setor vive outra etapa e precisa enxergar longe. “Sou contra a diminuição da exigência de conteúdo local nos projetos realizados no país, pois devemos pensar em aperfeiçoar a gestão e chegar a 50% de produtividade para competir internacionalmente, não podemos ficar em 10%”, diz o dirigente da empresa que criou o programa de modernização da frota (Promef) do setor de óleo e gás, o maior demandante de novos navios.

    Essa melhoria na gestão pode ser acelerada com a interação com players que têm expertise, tecnologia própria e competitividade internacional. Atributos que a indústria local precisa e deseja incorporar, reforçando a conexão internacional. E não é preciso fazer muito esforço nesse sentido: eles já estão singrando os mares, em busca de ‘portos’ brasileiros, associando-se a estaleiros nacionais.

    Mercado atraente – O número de empresas estrangeiras que participaram do evento confirma o interesse internacional no mercado brasileiro: a Marintec – Navalshore 2014 teve 380 marcas expositoras (das quais, 70 estreantes) de 17 países. As empresas se apresentaram em estandes próprios ou em um dos 12 pavilhões internacionais: Argentina, Uruguai, China, Japão, Reino Unido, Polônia, Noruega, Dinamarca, Holanda, Alemanha, Canadá e Coréia do Sul.

    “Os R$ 100 bilhões em entregas programadas até 2020 tornaram o Brasil uma das principais carteiras de construção naval do mundo. O desafio agora é fortalecer a cadeia de suprimentos e a formação de mão de obra para atender essa demanda no país”, destacou Joris Van Wijk, diretor-geral da UBM Brazil, subsidiária local do grupo internacional.

    O encontro naval reuniu lideranças governamentais e setoriais, empresas e especialistas do setor e recebeu 16.600 visitantes, vindos de 40 países, público formado, em boa parte, por executivos e gestores com poder de decisão nas empresas do segmento.

    O que mostra a força dessa feira cujo principal objetivo é propiciar um ambiente voltado para a geração de negócios, exposição de tecnologias e melhores práticas, assim como do portfólio de produtos e serviços para toda a cadeia produtiva.

    O potencial do mercado brasileiro atraiu, há quatro anos, a gigante UBM, uma das maiores empresas do mundo em mídia de negócios, que adquiriu o controle da Navalshore, que neste ano assumiu definitivamente a denominação Marintec South America.

    Um dia antes do evento, foi anunciada a aquisição pela UBM da Seatrade Communications, um dos principais grupos de mídia especializados no cenário naval. Com isso, ficou ainda mais robusta a projeção da UBM na indústria marítima internacional, fortalecendo o portfólio de feiras organizadas: passou de nove para 14 o número de eventos de negócios e de conteúdo realizados na Ásia, Europa e Américas.

    Petróleo & Energia, Rocha: projetos padronizados melhorariam a competitividade

    Rocha: projetos padronizados melhorariam a competitividade

    Estabilidade sem âncora – “Esta feira reflete o momento positivo do setor no Brasil: além de termos hoje 82 mil trabalhadores diretos envolvidos, há cerca de 700 mil empregados na cadeia produtiva como um todo; queremos ampliar a competitividade e a ampliação de mão de obra qualificada”, disse o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Santana da Rocha.

    Júlio Bueno, secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Governo do Rio de Janeiro, concorda com Rocha. Mas salienta: “agora, precisamos olhar para frente e pensar na competitividade internacional, em como podemos inserir ainda mais o Brasil no cenário mundial.”

    Para os especialistas, somente a competitividade poderá ‘ancorar’ essa estabilidade e assegurar o ‘combustível’ necessário para o setor se arriscar em trajetos de longo curso, rumo a mercados no exterior, assim como atender a demanda local. O que só será possível se for estabelecido um novo modelo de negócios, como pleiteia o Sinaval, a Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav) e a Associação Brasileira de Empresas de Apoio Marítimo (Abeam).

    Novo modelo – “Precisamos de um modelo de negócios que possibilite a construção local de um estoque de cascos de plataformas, em ação integrada entre estaleiros locais e internacionais”, diz Ariovaldo Rocha, lembrando que estão previstas 56 novas plataformas até 2030, com grande concentração de entregas até 2025. “Uma das soluções possíveis seria adotar projetos padronizados de sistemas de produção, como o das plataformas replicantes, em construção no Rio de Grande do Sul”, apontou.



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