Indústria Naval

Marintec Sout America 2014: Indústria naval acerta o curso para a internacionalização

Bia Teixeira
18 de agosto de 2014
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    Petróleo & Energia, Promef estimulou a construção de navios para o setor petroleiro

    Promef estimulou a construção de navios para o setor petroleiro

    Agora com o nome definitivo de Marintec South America – 11ª Navalshore, a estratégia do principal evento do setor no país é trazer o know how da similar chinesa – a segunda maior do mundo – para acelerar a internacionalização da indústria naval brasileira

    SERVIÇOS – Marintec South America – 11ª Navalshore

    Data: 12 a 14 de agosto 2014
    Local: Centro de Convenções SulAmérica
    Área: 11.000m²
    Expositores: 380
    Pavilhões internacionais: 13

    A mais importante feira naval da América Latina, Marintec South America – 11ª Navalshore, que se realiza entre os dias 12 e 14 de agosto, no Rio de Janeiro, reflete a evolução e a expectativa desse setor no Brasil, que vem crescendo 19,5 % ao ano desde 2000, como apontam os estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

    Petróleo & Energia, Marintec Sout America 2014: Indústria naval acerta o curso para a internacionalizaçãoA previsão é que essa indústria brasileira registre novo recorde de embarcações entregues neste ano, superando os números de 2013, quando foi lançado ao mar o total de 77 embarcações, de acordo com o Fundo da Marinha Mercante (FMM), gerenciado pelo Ministério dos Transportes.

    Foi o mais alto índice desde a retomada desse setor, com a criação, em 2004, do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro, braço logístico da Petrobras, a grande demandante de navios e plataformas de exploração de óleo e gás natural.

    Petróleo & Energia, Rocha: formação e qualificação do pessoal é prioridade no setor

    Rocha: formação e qualificação do pessoal é prioridade no setor

    “A Petrobras realiza o maior investimento mundial na produção de petróleo e gás natural offshore, gerando relevante volume de encomendas de grande valor agregado e alta tecnologia aos estaleiros locais e internacionais”, destacou Ariovaldo Rocha, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval).

    “Além de plataformas e sondas, está em expansão a demanda por navios de apoio marítimo, embarcações de transporte fluvial e navios de transporte ao longo da costa brasileira. Este mercado demonstra o valor dos estaleiros como ativos produtivos que despertam o interesse de investidores”, complementou o dirigente do Sinaval.

    Presença internacional – Este cenário atrativo seria a razão de o evento, realizado pela primeira vez em 2005, com pouco mais de 90 expositores, atrair quase 400 empresas, oriundas de aproximadamente 20 países, e contar com nada menos que 13 pavilhões internacionais para abrigar players da China, Noruega, Japão, Alemanha entre outros.

    Ainda na primeira metade do ano, o gerente da feira, organizada pela UBM Brazil, Renan Joel, comemorava mais de 80% dos espaços comercializados e o número crescente de empresas estrangeiras. “O processo de reaquecimento do setor gera frutos para toda a cadeia; a prova da pujança setorial são as 380 empresas que formam o grupo de expositores”, ressaltou.

    Essa pujança levou o grupo internacional UBM a adquirir o controle do evento, há alguns anos, para incorporá-lo à agenda global de feiras Marintec – que passa a ser o nome oficial do evento brasileiro, agora representando toda a América do Sul. Primeira organização internacional promotora de eventos a entrar no mercado brasileiro, a UBM tem ampliado e aumentado a visibilidade dessa vitrine da indústria naval. Razão pela qual atrai cada vez mais empresas que não costumavam participar de feiras na região. Tanto que a expectativa dos organizadores é receber um número de adesões para o próximo ano que extrapole o espaço de 11 mil m² de exposição que ocupa hoje no Centro de Convenções SulAmérica.

    Petróleo & Energia, Prata: feira consegue atrair players locais e internacionais

    Prata: feira consegue atrair players locais e internacionais

    A atuação global da UBM, na opinião do vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), César Prata, possibilitou que o evento superasse as barreiras do regionalismo, tornando-se o ponto de encontro da indústria na América do Sul. “A feira reúne os principais atores nacionais e internacionais em um só lugar”, afirma.

    Além de atrair empresas de toda a cadeia produtiva – apenas 20% dos expositores são de estaleiros –, a Navalshore, como já ficou conhecida popularmente, este ano terá, pela primeira vez, o Espaço Inovação. “Sentíamos falta de uma área dedicada ao lançamento e apresentação de projetos, de forma a criar uma ponte entre universidade, iniciativa privada e governo. O Espaço Inovação vem atender esta demanda”, afirma Renan Joel.

    Iniciativa que vem reforçando a interação entre fornecedores e contratantes em todos os eventos de petróleo e gás do país (dois dos maiores do mundo são realizados aqui, a Rio Oil & Gas e a Brasil Offshore), as rodadas de negócios também voltam à cena. “A feira é um importante catalisador de negócios e de troca de experiências, ajudando a promover a capacitação e o ganho de eficiência e de produtividade, tão necessários nessa retomada da indústria naval”, conclui o gerente do evento.

    O programa de palestras da conferência, realizada em simultâneo à exposição, vai colocar em debate questões cruciais para o setor, tendo como tema central “Novas Tecnologias, Recursos Humanos e Qualificação de Mão de Obra e Infraestrutura Brasileira”.

    Petróleo & Energia, Frota de apoio recebeu estímulos do Prorefam

    Frota de apoio recebeu estímulos do Prorefam

    Carteira apetitosa – O maior atrativo da feira é a oportunidade de aferir de perto como anda o mercado e prospectar parcerias. Afinal, como a própria Petrobras reiterou em abril, de 2012 a 2020, serão investidos em torno de US$ 100 bilhões na indústria naval brasileira, com encomendas de 28 sondas, 49 navios e 146 barcos de apoio, dos quais 26 já foram entregues, 61 estão em construção e os 59 restantes devem ser contratados até o final deste ano. E com índices de conteúdo nacional que variam de 55 a 75%.

    As encomendas englobam ainda 31 plataformas de produção de petróleo, das quais 16 já estão contratadas e em construção: oito plataformas no Estaleiro Rio Grande (ERG-Ecovix), em Rio Grande-RS; três no Estaleiro Brasa, em Niterói-RJ, (que fará integração de módulos); uma no Estaleiro BrasFELS, Angra dos Reis-RJ (também realizará integração de módulos); e quatro plataformas no Estaleiro Inhaúma, no Rio de Janeiro-RJ.

    Outras tantas deverão ser contratadas até 2020 para possibilitar à petroleira e suas parceiras, acelerar a produção do pré-sal, que vai ter um peso decisivo nas metas da Petrobras para o final dessa década, que é, entre outras, atingir 4,2 milhões de barris de óleo por dia. De acordo com a estatal, as demandas consagram a quarta maior carteira do mundo na categoria de navios em geral e a terceira em número de petroleiros.

    Petróleo & Energia, Carteira de encomendas: principais contratos firmados até agora (parcial)

    Carteira de encomendas: principais contratos firmados até agora (parcial)

    Ela fez a força de trabalho dos estaleiros aumentar mais mil por cento desde 2003: saltou de 7.465 para mais de 78 mil o número de pessoas empregadas diretamente na construção destas embarcações e unidades de produção. E há outros 300 mil empregos diretos na cadeia produtiva, de acordo com o Sinaval.

    Se não houver imprevistos, a Transpetro deve comemorar, na virada do ano, novo recorde de recebimento de embarcações de grande porte em um ano:  seis navios (2 suezmax, 2 panamax e 2 gaseiros) e três comboios hidroviários construídos por estaleiros nacionais estão previstos no cronograma de entregas para 2014.

    São dois navios a mais que em 2013, quando a empresa recebeu quatro petroleiros: dois navios de produtos, Rômulo Almeida e o José Alencar, e dois suezmax, Zumbi dos Palmares e o Dragão do Mar. São navios que têm comprimento superior ao de dois campos oficiais de futebol e mais de 43 metros de altura (mais alto que a estátua do Cristo Redentor). Até 2020, a frota passará dos atuais 60 para 110 navios.



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