Máquinas – Petróleo e derivados lideram a demanda

Mas projetos para transição energética avançam

Embora em índices inferiores aos de 2021, devem seguir evoluindo este ano os números da indústria brasileira de máquinas e equipamentos, bem os de segmentos como equipamentos para óleo e gás, válvulas industriais, bombas e motobombas, entre outros.

No total, projeta José Velloso, presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), as vendas dessa indústria devem este ano elevar-se aproximadamente 6% (em reais, relativamente a 2021).

Será menor a expansão no mercado interno (3%), enquanto a importação pode crescer quase 16%. A produção física pode crescer 4,5%, e o emprego 5%.

No ano passado, ressalta Velloso, o setor obteve um desempenho “excepcional”, em todas as suas vertentes. Sua receita, por exemplo, elevou-se mais de 21%.

“Obter números similares já significaria um bom desempenho, mas acredito em crescimento”, enfatiza.

Tornando mais competitivas as máquinas nacionais, tanto no mercado interno quanto no exterior, a valorização do dólar perante o real contribui para esse desempenho.

E Velloso não prevê grandes alterações na conjuntura cambial.

Máquinas - Petróleo e derivados lideram a demanda, mas projetos para transição energética avançam ©QD Foto: QD Produções
José Velloso, presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos)

“O ano deve terminar com um dólar valendo algo próximo a R$ 5,50”, projeta.

Dados da própria Abimaq, referentes aos meses finais de 2021, parecem requerer alguma atenção.

Um deles: em dezembro, o consumo aparente de máquinas e equipamentos caiu 7,4% (relativamente a novembro).

Simultaneamente, a carteira de pedidos, medida em número de semanas para atendimento, baixou 8,2%.

Óleo e gás – Na indústria de O&G, os investimentos em máquinas e equipamentos seguirão estimulados pela recuperação global dos preços do petróleo, crê Idarilho Nascimento, presidente do conselho dedicado a esse setor pela Abimaq.

Mas as grandes corporações globais do ramo, atentas aos movimentos em direção à outras matrizes energéticas, investirão de forma mais seletiva.

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Idarilho Nascimento, presidente do conselho da Abimaq

“Passam a privilegiar os campos mais produtivos, que proporcionem retorno mais rápido: o pré-sal brasileiro, projetos na Guiana Francesa, campos maduros on e offshore de águas rasas de menor custo de operação e investimentos”, detalha Nascimento.

Ele endossa sua perspectiva de mais investimentos por parte da indústria de O&G recorrendo a informações como o plano de negócios da Petrobras para o período 2022-2026, que prevê investimentos 24% superiores aos dos cinco anos anteriores, bem como o processo de desinvestimento implementado por essa estatal, que já vendeu campos onshore e em águas rasas, além das refinarias Refinaria Landulpho Alves de Mataripe (na Bahia) e Isaac Sabá (Manaus) e gasodutos. Isso sem contar com o anúncio do projeto de construção do segundo trem de refino da Refinaria Abreu e Lima, e dos investimentos em outras refinarias para melhorar a qualidade do diesel S10.

O Brasil, destaca Nascimento, consolidou-se como o principal contratante mundial de FPSO (plataformas flutuantes): “Segundo estimativas devem vir para cá sete das dez FPSO que este ano devem ser contratadas em todo o mundo”, diz.

“O montante de investimentos em O&G no Brasil não será este ano tão grande quanto aquele de dez ou quinze anos atrás; mas será importante, certamente superior aos dos últimos anos”, complementa.

O gás será vertente importante desses investimentos. “Ele será uma fonte muito importante no processo de transição energética, pois, apesar da origem fóssil, seu consumo emite menos carbono que carvão, diesel e óleo combustível”, justifica Nascimento.

“É também matéria-prima para a produção de fertilizantes nitrogenados e o Brasil, embora seja um grande produtor agropecuário, importa a maior parte dos fertilizantes que utiliza”, acrescenta.

Válvulas e bombas – Para os fabricantes de válvulas industriais, 2022 será um “ótimo ano”, acredita Rodolfo Garcia, presidente da CSVI (Câmara Setorial de Válvulas Industriais) da Abimaq.

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Rodolfo Garcia, presidente da CSVI (Câmara Setorial de Válvulas Industriais) da Abimaq

“As empresas estão com boas carteiras de pedidos e, assim como ocorreu em 2021, devemos ter um crescimento no patamar de dois dígitos”, projeta.

Ele visualiza maiores incrementos de vendas em segmentos como saneamento e agroindústria (incluindo papel e celulose).

“Devemos ter um ano favorável também nas indústrias química e de plástico, que já estiveram aquecidas no ano passado: mais ainda o plástico, principalmente no segmento focado nos produtos de consumo”, destaca.

De acordo com Garcia, em 2021, os fabricantes de válvulas industriais registraram bom desempenho em setores como agroindústria, plásticos, químicos, cimento, mineração.

“O saneamento deve começar a crescer a partir de agora, e se manter forte pelos próximos anos”, complementa.

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Francisco Novaes, presidente da CSBM (Câmara Setorial de Bombas e Motobombas) da Abimaq

Por sua vez, os produtores de bombas e motobombas registrarão este ano “algum crescimento, no mínimo um volume de negócios similar ao do ano passado”, prevê Francisco Novaes, presidente da CSBM (Câmara Setorial de Bombas e Motobombas) da Abimaq.

O setor agro contribuirá para esse desempenho. Mas há, prossegue Novaes, investimentos capazes de incrementar a demanda por bombas e motobombas também nos setores químico e petroquímico.

Como exemplos, ele cita investimentos já realizados ou programados por empresas como a Unigel – em projetos de fertilizantes e amônia na Bahia – e Braskem, que está ampliando sua capacidade de produção de polietileno. “O marco legal do saneamento também já começou a gerar alguma demanda”, acrescenta.

Possibilidades e ponderações – No Brasil, ainda há grande potencial para ampliação dos investimentos em máquinas e equipamentos, observa Velloso, da Abimaq. Afinal, ele ressalta, estimativas indicam que as máquinas utilizadas pela indústria nacional têm idade média de dezessete anos:

“Certamente esse tempo gera muita defasagem, especialmente nessa época na qual as tecnologias evoluem de forma muito rápida”, ele pondera.

Mas Garcia, da CSVI, embora projete expansão das vendas de válvulas industriais, vê em fatores como alta dos juros e influência de questões políticas nas decisões de investimento, possíveis entraves a uma expansão mais acentuada da demanda.

E, segundo ele, embora seja agora necessário programar as compras com maior atenção, está “mais equilibrada” a oferta das matérias-primas industriais, muitas delas escassas durante boa parte do ano passado.

Os preços dessas matérias-primas também “deram uma arrefecida”, afirma Garcia. “Com o câmbio, e com o aumento dos custos da logística global, ganhamos mais competitividade no mercado interno e na exportação, especialmente em regiões mais próximas, como o Mercosul”, acrescenta.

Nascimento, do Conselho de O&G, também crê que o atual patamar do câmbio, com altos preços e os problemas da logística global, podem estimular as empresas desse setor a dedicar mais recursos a produtos locais.

“Isso por enquanto é apenas uma possibilidade, pois esses demandantes, vários deles globais, ainda trazem de fora muita coisa, por exemplo, os FPSO, tanto o casco quanto vários dos principais módulos montados sobre eles”, lamenta.

“Mas os estaleiros nacionais estão se movimentando para atender, se não toda, pelo menos parte dessa demanda. Reduzindo-se o Custo Brasil, eles se tornarão ainda mais competitivos”, complementa.

Cerca de 25% dos associados da Abimaq – algo como quatrocentas empresas – vendem para a indústria de O&G, (embora não exclusivamente para esse setor), estima Nascimento.

“Essas empresas têm novas oportunidades não apenas com a retomada dos investimentos em O&G, mas com o próprio processo de transição energética, por exemplo, com a geração de energia a partir de hidrogênio, já consolidada na Europa e que começa a gerar alguns projetos aqui, especialmente no Ceará, na região de Pecém”, finaliza.

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