Máquinas e Equipamentos

Máquinas – Fabricantes esperam a volta dos grandes clientes às compras

Domingos Zaparolli
28 de janeiro de 2012
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    Produtos nacionais enfrentam importados

    Um início bastante lento e uma aceleração gradual no ritmo dos negócios, com um ápice no terceiro trimestre. O crescimento das vendas deve evoluir em 6% ou 7% no ano. É este o desempenho previsto pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) para 2012. Mario Bernardini, assessor econômico da presidência da Abimaq, porém, coloca uma condicionante para a concretização desta previsão. “Ela só se confirmará se as estatais, as grandes empresas privadas, como a Vale, e o governo federal cumprirem o cronograma de investimentos programados para o ano”, ressalta.

    A advertência tem sentido. A indústria de máquinas e equipamentos iniciou 2011 com a expectativa de crescer 10%. O valor definitivo só será conhecido no final de fevereiro, mas a Abimaq projeta um crescimento entre 5% e 6% em relação a 2010. Segundo Bernardini, as expectativas para 2011 foram frustradas em decorrência principalmente da baixa execução dos investimentos planejados pelos grandes clientes. “O esperado é uma execução de 85% a 90% do anunciado. Mas a Petrobras executou 70%; o PAC, 60% e a Vale, 80%”, informa o executivo.

    De fato, o governo iniciou 2011 prometendo investimentos recordes das estatais no ano. Mas as 73 companhias federais não conseguiram cumprir os R$ 107,3 bilhões programados para 2011. Os atrasos foram generalizados, abrangeram desde ampliações de aeroportos, a cargo da Infraero, até as obras de hidrelétricas e linhas de transmissão sob a responsabilidade da Eletrobras. No final do ano, o governo acabou por cancelar R$ 12,1 bilhões do orçamento das estatais e remanejando outros R$ 8,6 bilhões.

    Os atrasos da Petrobras estão entre os que mais geram impacto no setor de máquinas e equipamentos. A petroleira orçou um investimento de R$ 91,3 bilhões para 2011. Até outubro, só havia desembolsado R$ 55,8 bilhões, ou 61% do total. Em igual período de 2010 e2009, aexecução fora de 74% e 73%, respectivamente. Entre as obras que não deslancharam a contento estão o Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), a Refinaria Abreu e Lima,em Suape- PE, a construção de petroleiros e os projetos das usinas Termoceará e Termomacaé. A estatal acabou o ano com R$ 11 bilhões de investimentos cancelados. Mas o total realmente investido só será conhecido na divulgação do balanço da companhia.

    O não cumprimento do cronograma da petrolífera levou dificuldades para alguns de seus fornecedores. A Lupatech, empresa que tem por volta de 70% de sua carteira de pedidos de R$ 2,5 bilhões vinculados à Petrobras, endividou-se e perdeu prestígio entre os analistas do mercado financeiro. Em setembro, possuía uma dívida de R$ 312,8 milhões a vencer nos 12 meses seguintes, total superior aos R$ 306 milhões esperados para receber da estatal no mesmo período. O diretor executivo de Óleo e Gás da Abimaq, Alberto Machado, em depoimento a jornalistas, solicitou que as petroleiras ofereçam garantias em relação ao cumprimento de seus cronogramas estabelecidos. “Se você se prepara para uma coisa que vai acontecer em cinco anos e isso acontece em dez anos, você quebra”, diz o executivo.

    Bernardini relaciona um segundo fator que impactou negativamente os negócios em 2011: o crescimento das importações. O déficit da balança comercial de máquinas e equipamentos é crescente. Entre janeiro e outubro somou US$ 14,6 bilhões, o que representou um crescimento de 13,6% na comparação com o mesmo período de 2010; e a previsão é que o déficit ultrapasse os US$ 18 bilhões no fechamento de 2011. “Hoje as importações representam 50% do faturamento do mercado de equipamentos e máquinas. A participação em números de máquinas vendidas é de 60%. Há cinco anos, era de 40%”, diz o economista. Até outubro, as exportações de bens de capital mecânicos somaram US$ 9,7 bilhões. Os principais itens exportados são máquinas para logística e construção civil e infraestrutura e indústria de base, setores esses que realizam um grande volume de transações intercompany, as quais dependem apenas das políticas estabelecidas entre matrizes e suas subsidiárias. Os principais destinos das exportações foram os Estados Unidos, Argentina, Holanda e México.

    As importações somaram US$ 24,357 bilhões até outubro e foram alavancadas por máquinas para logística e construção civil, máquinas para bens de consumo e máquinas para a indústria de transformação. Entre as principais origens das importações estão EUA, Alemanha e China. Henrique Prado Alvarez, diretor da divisão de equipamentos do grupo Combustol & Metalpó, um dos principais fornecedores de fornos industriais do país, classifica a importação que vem sendo feita no Brasil como indiscriminada e sem critério. “Isso deixa a indústria nacional numa situação bastante crítica. Isto é válido nas duas pontas, tanto para os componentes e materiais utilizados em nossos produtos, o que nos obriga a consultar e comprar do mercado externo, como também em fornos prontos, que competem diretamente com nossos produtos”, relata.



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