Mapa da produção de energia no Brasil é alterado por crise climática

Um relatório apoiado pela Coalizão Energia Limpa destaca a necessidade de revisão no planejamento do setor.

Mapa da produção de energia no Brasil é alterado por crise climática

Profissionais especializados em clima e energia estão unindo forças para incentivar as autoridades públicas a reavaliarem o planejamento do mapa da produção de energia no Brasil, considerando as projeções de eventos climáticos extremos. As previsões indicam períodos de seca mais longos, com grande incidência de sol e ventos nas regiões Norte e Nordeste, e chuvas abundantes no Sul. Isso seria semelhante a experimentar o fenômeno El Niño por períodos mais prolongados.

Conforme as previsões, é esperado que a elevação da temperatura no Brasil seja maior do que a média global. Isso pode resultar em um aumento médio de pelo menos 4°C, o que certamente afetará um dos principais pilares da produção de energia no país: as hidrelétricas.

Relatório de entidade trata do problema

O relatório “Vulnerabilidade do setor elétrico brasileiro diante da crise climática global e sugestões de adaptação” apresenta cenários. O ClimaInfo, em representação da Coalizão Energia Limpa, divulgou o documento na última sexta-feira (26).

Hidrelétricas respondem por aproximadamente metade do suprimento energético do Brasil e também fornecem estabilidade e potência ao sistema, servindo como um suporte contra interrupções de energia. No entanto, essas usinas são suscetíveis a flutuações de temperatura e a escassez de água decorrente de períodos de seca, que enfraquecem rios e barragens. Em 2021, bacias hidrográficas sofreram os efeitos da pior crise hídrica dos últimos 90 anos.

Os especialistas afirmam que o governo e outros planejadores do sistema elétrico resistem à mudança de modelos no setor, especialmente em relação às térmicas. Desde a crise de abastecimento em 2000, quando a água nos reservatórios das hidrelétricas ficou escassa, as térmicas movidas a combustíveis fósseis têm sido utilizadas como uma opção segura para evitar o desabastecimento. No entanto, isso encareceu a energia brasileira.

O relatório não concorda com essa solução tradicional, incluindo as usinas a gás, e recomenda a eliminação dessa fonte até 2050, seguindo a tendência global. No entanto, o governo está concentrando seus esforços em aumentar o número de térmicas a gás, construir gasodutos e explorar novas áreas na margem equatorial.

Especialistas afirmam que investir em energia solar e eólica é a melhor alternativa para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater as mudanças climáticas. Eles esperam conscientizar os reguladores brasileiros sobre a importância dessas fontes de energia em um momento de mudanças.

Em 2014 e 2015, após uma extensa pesquisa, alertamos sobre os efeitos do clima, que não foram considerados no planejamento do setor elétrico e pelo Ministério de Minas e Energia. Agora, pode-se dizer que o sinal amarelo foi acionado”, afirma Marangon.

Segundo o estudo, o aumento nas secas e ventos naturais no Norte e Nordeste favorece a expansão das fontes renováveis, que atualmente representam quase 25% da geração do país, com projetos concentrados nessas regiões. No entanto, esta vantagem também apresenta desafios a serem superados.

Foto ilustrativa

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