Petróleo e Energia

Lubrificantes – Rerrefino amplia negócios e aprimora tecnologia

Antonio Carlos Santomauro
27 de maio de 2012
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    Amparada por uma legislação ambiental cada dia mais rigorosa, mas também por razões econômicas capazes de justificar o reúso de insumos, a atividade do rerrefino evolui não apenas no volume de óleos por ela processado, mas também em sua estrutura tecnológica. A Lwart, maior rerrefinadora do país, inaugura ainda em meados deste ano uma unidade produtiva na cidade de Lençóis Paulista-SP, onde garante que irá gerar óleo do Grupo II, por enquanto disponível no Brasil apenas mediante importação.

    Inicialmente, produzirá 150 milhões de litros por ano desse óleo (em suas duas outras unidades, a empresa pode gerar 160 milhõesde litros de óleo do Grupo I). E a qualidade de óleo do Grupo II, afirma Silvio Fante, gerente industrial da Lwart, será atestada pela conformidade com as especificações estabelecidas pela API e pela ANP.

    Petróleo & Energia, Silvio Fante, Gerente industrial da Lwart, Lubrificantes - Rerrefino amplia negócios e aprimora tecnologia

    Fante: processo permite obter óleo do Grupo II

    Segundo Fante, a empresa adotará o processo da Chemical Engineering Partners, no qual o óleo a ser rerrefinado passa por reatores de hidrotratamento na presença de catalisadores, sob alta pressão e temperatura. Isso remove átomos de enxofre e nitrogênio, quebra as duplas e triplas ligações químicas entre carbonos, gerando, assim, um óleo mais puro e estável. “Há uma grande ansiedade pelo início dessa produção, a oferta regular de óleo do Grupo II é requerida pelo mercado há muito tempo, e a importação é sempre sujeita a fatores comerciais ou logísticos”, explica.

    Mesmo ofertando apenas óleo básico do Grupo I, o rerrefino segue crescendo no Brasil, como indica a Tabela 1. E deve se ampliar ainda mais com a contínua edição de normas ambientais, como uma portaria assinada há pouco mais de dois meses pelos Ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente, que estabelece: até 2015, o índice mínimo de coleta para rerrefino de óleos lubrificantes usados ou contaminados deve chegar a 38,5% do total disponível para esse processamento (esse índice não discrimina óleos industriais dos automotivos).

    Petróleo & Energia, Manoel Browne, Gerente de meio ambiente e relações internacionais da Lwart, Lubrificantes - Rerrefino amplia negócios e aprimora tecnologia

    Browne: coleta de óleos usados aumenta no Brasil

    Na opinião de Manoel Browne, gerente de meio ambiente e relações institucionais da Lwart, outros fatores, além das exigências legais e das razões econômicas, hoje estimulam essa atividade: “As empresas atualmente buscam certificações, e querem atender aos requisitos da sustentabilidade”, comenta.

    Há questões capazes de refrear essa expansão. Segundo Walter Françolin, diretor executivo do Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais (Sindirrefino), existe enorme concorrência de óleos básicos importados, muitas vezes subsidiados em seus países de origem, dificilmente rastreáveis para as estatísticas do rerrefino. “Isso inviabiliza todos os investimentos voltados à garantia do modelo de logística reversa envolvendo óleos lubrificantes usados e do desenvolvimento sustentável”, observa Françolin.

    Não obstante essas ponderações, quem atua nesse mercado segue investindo. Enquanto a Lwart conclui sua nova fábrica, a empresa Supply busca licenças ambientais para, em 2013, ampliar em pelo menos 50% a capacidade de sua planta, localizada no município paulista de Tapiraí.


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