Lubrificantes ficam mais eficientes, mas consumo cai

Os óleos básicos para uso industrial geralmente pertencem aos grupos I, II e III. Como explicou, o grupo I é mais conhecido e seu desempenho é previsível nas formulações. “Quando se usam óleos mais nobres, de outros grupos, como ésteres, glicóis e silicones, o trabalho do formulador fica mais complexo, porque nem sempre os aditivos entregam o efeito desejado”, comentou. Cada aplicação precisa ser avaliada criteriosamente, para evitar que o cliente pague a mais por benefícios de que não precisa.

Como salientou Sibinel, a Klüber não compra pacotes prontos de aditivos dos fornecedores tradicionais do ramo. “Compramos os ingredientes separadamente e formulamos nossa própria aditivação, somos especialistas nisso e não queremos depender do conhecimento de terceiros”, afirmou. A companhia mantém um centro de pesquisas na Alemanha, além de contar com unidades de desenvolvimento de produtos e customização de formulações nos países em que atua. “Não dá para fazer um lubrificante na Alemanha para atender o mundo todo”,  comentou. “No Brasil, identificamos necessidades e tendências, mas seguimos as regras e políticas da matriz.” No caso de produto direcionado apenas ao mercado local, a subsidiária tem autonomia para fazer a formulação conforme as regulamentações locais; se um item pode ser exportado, é preciso observar também as normas do país de destino. “Quando exportamos para a Europa, precisamos seguir as regras do sistema Reach, usando apenas insumos previamente certificados”, explicou.

Na região, a Klüber possui fábricas no Brasil e na Argentina, além de escritórios comerciais. A companhia deseja operar essas unidades de forma coordenada, integrando suas produções da forma mais eficiente possível. “A ideia é aproveitar o que cada unidade faz de melhor, respeitadas as regulamentações e exigências de cada mercado”, informou.

O suprimento de insumos para a produção de lubrificantes é limitado, na avaliação de Sibinel. “O biodiesel, por exemplo, tirou muitos produtos que serviam para fazer óleos básicos e aditivos”, lamentou. “Para as graxas, havia uma produção local de derivados de mamona, mas hoje isso está sendo suprido pela Índia, o Brasil perdeu esse negócio.”

O consumo de graxas lubrificantes é muito pequeno em comparação com o de óleos. “É um mercado que ficava na média de 55 mil a 60 mil t/ano no Brasil, mas caiu para 48 mil t em 2015”, informou Silva, da LubeKem. Mercado pequeno, porém interessante, pois as exigências técnicas avançaram muito. “O maior problema das graxas é o preço do lítio, o seu principal aditivo, pelo menos nas linhas de maior volume.”

Segundo o consultor, a demanda industrial por lubrificantes cresceu até 2013, mas depois despencou. Ainda há consumo expressivo nos setores de mineração, açúcar e álcool, agrícola e em vários segmentos menores, de forma pulverizada. “O segmento industrial é menos dinâmico que o automotivo, usa menos aditivos, por isso depende mais da qualidade do óleo básico, mas há evolução técnica, pois há uma preocupação em reduzir a emissão de vapores”, avaliou. Quando aumenta a qualidade, cai o consumo.

“No segmento industrial, também existe a migração dos óleos minerais para os de melhor qualidade – sintéticos e semissintéticos – como uma forma de postergar ou evitar a troca do maquinário”, afirmou Roberta Maia, da Cosan. Como informou, os lubrificantes Mobil são formulados criteriosamente para ajudar as empresas a conseguir a máxima eficiência dos seus equipamentos, desde turbinas a gás ou a vapor, até motores a gás, caixas de engrenagens de trituradoras de carvão ou exaustores de fuligem.

Depois do tombo sofrido nos últimos anos, o mercado brasileiro espera as definições políticas que permitam a retomada de investimentos, especialmente por parte de grupos estrangeiros. Então será possível reativar segmentos industriais que demandam grandes volumes de lubrificantes, a exemplo do automotivo. E, talvez, sonhar com a evolução da oferta local de óleos básicos e ingredientes.


CLASSIFICAÇÃO OFICIAL DOS ÓLEOS BÁSICOS PARA LUBRIFICANTES

Grupo I: teor de saturados menor do que 90%, teor de enxofre maior do que 0,03% e índice de viscosidade entre 80 e 120

Grupo II: teor de saturados maior do que 90%, teor de enxofre menor do que 0,03% e índice de viscosidade entre 80 e 120

Grupo III: teor de saturados maior do que 90%, teor de enxofre menor do que 0,03% e índice de viscosidade maior ou igual a 120

Grupo IV: todas as polialfaolefinas

Grupo V: óleos naftênicos, óleos minerais brancos, ésteres sintéticos, polibutenos, naftalenos alquilados (AN), óleos vegetais, poliglicóis

Grupo VI: poliolefinas internas

Óleos básicos minerais: para fins de registro e rotulagem, são óleos básicos que se enquadram nos grupos I, II e óleos naftênicos e minerais brancos

Óleos básicos sintéticos: para fins de registro e rotulagem, óleos básicos que se enquadram nos grupos III, IV, VI, ésteres sintéticos, poliglicóis, polibutenos e naftalenos alquilados

Fonte: Resolução ANP 22/2014

Página anterior 1 2 3 4

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios