Lubrificantes ficam mais eficientes, mas consumo cai

Petróleo & Energia, Lubrificantes ficam mais eficientes, mas consumo cai

Uma possibilidade seria investir para produzir alguma quantidade de óleos do grupo III, ainda valiosos. O consultor recomenda fazer as contas desse projeto com muito cuidado para evitar prejuízos. Como disse, sempre haverá mercado para óleos do grupo I, produzidos pela extração a solvente de petróleos brutos, que precisam ter qualidade adequada para tanto. Já os tipos II e III dependem menos da qualidade do cru, pois decorrem do seu hidrocraqueamento que pode ser menos (gerando o grupo II) ou mais severo (grupo III). “Neste último caso, o óleo tem maior qualidade, mas o rendimento do processo é consideravelmente mais baixo, condição que se reflete no preço”, avaliou.

O hidrocraqueamento, diferente da extração por solvente, gera um range diferente de produtos quando comparados com o do grupo I, sendo o neutro pesado produzido em quantidades menores na produção de óleos grupo II (e não há produção deste óleo no range de produção de grupo III), e o brightstock não é produzido no range de produção do grupo II ou III, sendo ambos muito utilizados nos lubrificantes industriais. Mais um ponto a favor de manter a produção do grupo I em alguns países. “Ainda há muita capacidade de produção do grupo I na Europa, são produtos que têm seu uso definido, notadamente no segmento industrial, que representa entre 30% e 35% do mercado de lubrificantes”, salientou.

No caso dos óleos do grupo III, Silva aponta que nem os Estados Unidos os produzem, preferindo importá-los da Ásia e Oriente Médio, geralmente, apesar de demandarem quantidades significativas. Há casos recentes de investimentos em processos de síntese para produzir óleos do grupo III. A Shell usa gás natural do Qatar para alimentar reatores do processo Fischer-Tropsch com modernas técnicas de catálise. “Essa deve ser a maior unidade de grupo III do mundo, para 1,5 milhão de t/ano, geram óleos de altíssima qualidade, com índice de viscosidade na faixa de 140”, comentou.

Além desses derivados de petróleo e gás, existem alternativas de alta qualidade para produzir óleos básicos. É o caso dos ésteres de óleos vegetais, produtos nos quais o Brasil teria amplas capacidades de avançar. “Nesse caso, o programa nacional de biodiesel absorveu a produção dos ésteres e o alto preço dos óleos vegetais dificulta a sua popularização”, lamentou. Seria também possível produzir naftalenos alquilados e outros produtos de maior valor agregado, consideradas as melhores bases para lubrificantes. “A capacidade desses produtos não chega a 2% da demanda global de lubrificantes”, apontou.

O avanço dos motores e sistemas mecânicos exige lubrificantes de qualidade cada vez maior, até porque eles ficarão muito mais tempo dentro dos equipamentos. Melhorar os óleos básicos ajuda, mas isso não reduz a necessidade de adicionar aditivos. “Pelo contrário, o uso de aditivos é crescente”, apontou Silva. Formulações para uso industrial usam, em geral, no máximo 10% de aditivos em volume. Nos produtos automotivos, porém, a aditivação chega a representar mais de 20% do volume final e quase 50% do custo.

Linha industrial – O avanço dos lubrificantes industriais também é constante, apesar do mau momento da economia nacional. “Há situações em que o lubrificante precisa mudar, mesmo para uso em equipamentos velhos”, comentou Aguinaldo Sibinel, da Klüber. A entrada de novas regulamentações é um motivo para isso. E não apenas em âmbito local. “Todo fabricante de lubrificantes no Brasil usa pelo menos um ingrediente importado, especialmente entre os aditivos; por isso, caso algum insumo seja proibido no exterior, ele deixará de ser oferecido e obrigará a mudar a formulação daqui também”, explicou.

Petróleo & Energia, Sibinel: lubrificantes evoluem mesmo para uso em máquinas velhas
Sibinel: lubrificantes evoluem mesmo para uso em máquinas velhas

Até o comportamento da economia influencia a escolha do lubrificante por parte dos clientes. Em geral, na bonança, a demanda fica mais estável. Nas crises, o mercado procura produtos com melhor custo/benefício. “Nós preferimos aumentar os benefícios a brigar por preços, oferecemos redução do número de paradas, menor desgaste das máquinas e até a diminuição do consumo de energia pela redução de atrito”, afirmou. Mas alerta: a formação técnica das equipes compradoras melhorou muito, sendo exigentes com a qualidade e com o desempenho oferecido. “Pré e pós-venda são muito importantes.”

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