Lubrificantes ficam mais eficientes, mas consumo cai

A Klüber está se adaptando às exigências da ANP para o seu extenso portfólio de produtos. “Toda formulação lubrificante precisa ser registrada na agência, que aceita normas internacionais de desempenho e qualidade, mas deixou bloqueada a entrada de novos fabricantes”, disse. No caso dos produtos destinados à indústria de alimentos, em geral se aceita a norma americana NSF H1, para contato incidental, sendo necessário certificar o produto e também a indústria produtora. “Estamos importando esses itens, porque não há fábricas certificadas no Brasil, mas concorremos com quem já estava estabelecido antes da edição da norma”, afirmou. Além disso, embora reconheça qualidades na regulamentação, ele nota insuficiência de fiscalização. Por isso, é importante que os clientes sejam rigorosos na seleção de fornecedores.

Petróleo & Energia, Lubrificantes ficam mais eficientes, mas consumo cai

Avanço sintético – Os óleos que formam a base dos lubrificantes estão em processo de atualização no Brasil. A tendência atual é de substituir o óleo grupo I por ingredientes mais avançados (grupos II e III), mas também favorece o avanço de outras linhas (veja tabela com a classificação oficial).

Segundo o Anuário Sindicom 2015, o mercado de lubrificantes no Brasil gira R$ 20 bilhões ao ano. São mais de 125 produtores autorizados pela ANP e 184 importadores no Brasil. Mais de 9 mil produtos são comercializados nesses segmentos. O mercado de óleos lubrificantes no país ainda é predominantemente mineral (92%), seguido de semissintético (4%) e sintético (1%). “Entretanto, esse mercado passa pela principal mudança de sua história, com o crescimento na utilização de produtos sintéticos e semissintéticos, em substituição ao óleo mineral, de menor qualidade”, afirmou Roberta Maia.

Ela comentou que, no segmento automotivo, é patente essa migração. “Hoje, 90% dos carros saem das montadoras com óleos sintéticos; em 2015, 58% dos veículos que saíram de fábrica no Brasil já estavam com lubrificante sintético, e outros 37%, com semissintético. Somente 5% deixaram as montadoras com óleo mineral no cárter”, relatou.

Nesse passo, ela calcula que a frota nacional em circulação terá um novo perfil em poucos anos. Atualmente, 20% dos carros em circulação usam óleo sintético, 26% rodam com semissintético e 54% ainda usam o mineral. Roberta salientou que os óleos sintéticos aumentam a eficiência dos motores, poluem menos, duram mais e ajudam a economizar combustível. O motor do carro dura mais, porque esse óleo reduz mais o atrito e sofre menos oxidação. Os sintéticos também resistem melhor ao calor, entre outras vantagens.

“A Cosan Lubrificantes, detentora da marca Mobil, é líder no segmento de produtos sintéticos e também a empresa que mais aumentou sua participação no mercado nos últimos cinco anos, saindo de 11% para 17,7% no primeiro trimestre de 2016, oferecendo o lubrificante ideal para todas as marcas e tipos de veículo”, ressaltou.

Em geral, a qualidade dos lubrificantes brasileiros está cinco anos defasada em relação ao estado-da-arte dos países mais avançados, como Estados Unidos e os europeus, como explicou Cláudio Pereira da Silva, da LubeKem. “Como não há produção de óleos básicos de alta qualidade no Brasil, em especial dos grupos II e III, a crescente demanda possivelmente continuará a ser atendida por importações dos EUA, Ásia e Oriente Médio”, alertou.

Como explicou, em âmbito mundial, existe um excesso de capacidade produtiva de óleos básicos que deverá chegar a 8 milhões de t/ano em 2021. “O mercado mundial de lubrificantes, pelo menos nos últimos 15 anos, está estagnado na faixa de 37 milhões a 39 milhões de t/ano, mas foram construídas mais de 10 milhões de t/ano de novas capacidades entre 2011 e 2016, e não há demanda para tudo isso”, afirmou. É preciso considerar a evolução dos motores e sistemas mecânicos, e também dos lubrificantes, cuja qualidade cada vez mais elevada permite ampliar os intervalos de troca. “As caixas de transmissão de alguns automóveis já são fabricadas com sistema de fill for life, ou seja, dispensam a troca do lubrificante”, explicou. Óleos de motor eram trocados a cada 5 mil km, mas hoje é comum suportarem 10 mil km e já se fala em 20 mil km entre substituições. Com isso, a demanda caiu, mesmo com o aumento da frota circulante mundial e do maquinário instalado.

Silva comenta o caso brasileiro, que só conta com a produção local de óleo básico grupo I, produzido principalmente pela Refinaria Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras, estimada em 500 mil t/ano, para um consumo total de 1,1 milhão de t/ano. “Esperava-se que a refinaria do Comperj já estivesse operando; com ela, seriam produzidas mais 400 mil t/ano de óleos básicos grupo II, mas como esse projeto está parado, a importação segue e seguirá elevada nos próximos anos”, afirmou o consultor.

“A estatal pode ter perdido o bonde da história, pois hoje os baixos prêmios de preço entre os óleos básicos grupo I e II, e o oversupply global de óleos de alta qualidade não justificariam mais este investimento no Brasil”. Silva considera que com o aumento dos requisitos mínimos de qualidade dos lubrificantes automotivos, talvez ainda fosse um bom plano dar um upgrade de investimento marginal na Reduc para a produção de óleos grupo II neutro leve/médio, mas mantendo a produção dos óleos grupo I neutro pesado e brightstock 150, cujos prêmios de preço são mais altos e com boa demanda no mercado de lubrificantes industriais. “Os preços de óleos grupo III (4 cSt, 6 cSt) também estão sob forte pressão e os prêmios de qualidade já são bem menores do que no passado recente, após um verdadeiro tsunami de novas capacidades de óleos grupo II e III que iniciaram a produção entre 2011 e 2016”, explicou (veja gráfico).

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