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25 de outubro de 2016

Lubrificantes ficam mais eficientes, mas consumo cai

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Petróleo & Energia, Lubrificantes ficam mais eficientes, mas consumo cai

    Assim como toda a indústria instalada no Brasil, a produção de autoveículos capotou em 2015 e 2016. Com índice de ocupação de capacidade instalada beirando 50%, a expectativa atual é de produzir pouco mais de 2 milhões de unidades, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, voltando ao patamar de 2005.

    Considerando a média de cinco litros de óleo lubrificante em cada cárter de motor, a queda de demanda esperada superaria os 12 milhões de litros, apenas no suprimento para montadoras. Isso sem pensar nos óleos das caixas de transmissão e de direção, nos circuitos hidráulicos e nas várias graxas aplicadas em cada veículo. Um tombo e tanto, lembrando que esse setor é o mais importante para o mercado de lubrificantes em todo o mundo.

    Petróleo & Energia, Lubrificantes ficam mais eficientes, mas consumo cai

    Além dele, a venda de óleos e graxas para o setor industrial, um mercado com características diferentes e pulverizado em várias atividades específicas, também amarga anos difíceis. Uma conjunção muito danosa, evidenciada pelo mau desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), que caminha para o segundo ano de retração, estimada em mais de 8% para o biênio.

    “Os lubrificantes têm uma correlação muito grande com o PIB, a ponto de o setor funcionar como termômetro para a atividade econômica. Quando o PIB cresce, a venda de lubrificantes cresce acima dele. E quando o PIB cai, tende a cair mais. Até 2013 o mercado apresentou crescimento e, a partir de 2014, o setor passou a registrar uma queda significativa de mais de 10%, acumulada nos últimos dois anos”, apontou, Roberta Maia, gerente de marketing da Cosan Lubrificantes.

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    O consultor especializado e proprietário da LubeKem, Cláudio Pereira da Silva, confirma a queda. “Nos últimos dois anos, o mercado brasileiro de lubrificantes encolheu 11%, com isso, a briga de preços ficou mais acirrada e, segundo dados da ANP, 31 fabricantes saíram desse mercado apenas em 2015”, salientou (veja gráfico).

    A tendência é de aumento na concentração de mercado. Segundo informou Silva, o Brasil contava com mais de 130 produtores de lubrificantes há alguns anos, quantidade que caiu para 94 no final do ano passado. Em parte, as regulamentações impostas pela ANP (casos da Resolução ANP 18/2009 – estabelece os requisitos necessários à autorização para o exercício da atividade de produção de óleo lubrificante acabado –, e ANP 22/2014, ampliada com ensaios técnicos em janeiro de 2016) contribuiu para isso, ao impor aos pequenos fabricantes ônus maior do que poderiam suportar. “A ANP 22/2014 exige o registro da formulação completa do lubrificante, verifica a estrutura do produtor e confere até a rotulagem, incluindo ensaios feitos por laboratórios especializados”, relatou. “A partir de 1º de janeiro de 2017, os novos níveis mínimos de desempenho dos óleos lubrificantes para motores automotivos ciclos Otto e Diesel permitidos para fins de registro, comercialização, produção ou importação serão: API SL, API CH-4 e ACEA vigente. A qualidade dos óleos lubrificantes e graxas está aumentando, mas a respectiva fiscalização continua apresentando problemas”.

    “Nós nos preparamos para superar essa fase e estamos conseguindo alcançar as metas projetadas para 2016, mas não projetamos nenhum grande aumento de demanda em curto prazo”, avaliou Aguinaldo Sibinel, supervisor de desenvolvimento da Klüber Lubrication no Brasil. A companhia, integrada ao grupo alemão Freudenberg, atua em vários segmentos industriais, com foco em especialidades lubrificantes, com desempenho superior e alto índice de customização. No segmento automotivo, por exemplo, participa mais do suprimento aos maquinários de produção e, nos carros, apenas nos pequenos pontos mais críticos. “Não dependemos de nenhum segmento específico da indústria, por isso, conseguimos até crescer em alguns mercados que sofreram menos nessa crise”, disse. A empresa fornece lubrificantes para as indústrias alimentícia, siderúrgica, de mineração, celulose e papel, açúcar e álcool e automotiva.


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