Petróleo e Energia

27 de Maio de 2012

Lubrificantes – Apelo ambiental impulsiona uso de óleos de fontes renováveis

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Publicado por: Antonio Carlos Santomauro
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    A conjunção entre a demanda por práticas mais sustentáveis e o emprego de máquinas e equipamentos de grande porte, com maior capacidade produtiva e operação ininterrupta – muitas vezes sob condições adversas –, impõe novos desafios para os lubrificantes industriais, impulsionando seu desenvolvimento comercial e tecnológico.

    Na seara tecnológica, a aparentemente inexorável tendência de substituição dos óleos minerais básicos por outros de origem sintética ganha agora uma nova vertente: a busca por óleos provenientes de fontes renováveis. De maneira geral, óleos sintéticos são ainda usados em escala muito menor do que os minerais, mas conquistam espaço mesmo entre os usuários de lubrificantes mais tradicionais. Afinal, embora seus custos iniciais sejam superiores, permitem desempenhos inalcançáveis pelos minerais, cujo desgaste é muito mais acelerado. Além disso, requerem quantidades menores e, assim, reduzem os passivos ambientais.

    Ao lado da crescente presença dos óleos sintéticos na fabricação de lubrificantes industriais, tornam-se mais palpáveis as perspectivas de oferta de óleos minerais básicos de melhor qualidade produzidos no país. O Brasil – leia-se, Petrobras –, por enquanto, produz apenas óleos colocados no Grupo I da classificação estabelecida pelo American Petroleum Institute (API), com grupos que vão de I a V. Já houve, porém, o anúncio do início da produção, com o rerrefino de óleos do Grupo II, de melhor qualidade.

    Daqui a quatro anos, também a Petrobras deverá produzir óleos desse grupo: “Em seu plano de negócios 2011-2016, a empresa anunciou um investimento no Comperj para a produção, a partir de 2016, de 400.000 m³por ano de óleos básicos do Grupo II”, salientou Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da estatal. Segundo ele, entre 2006 e 2011, a procura por óleos básicos no Brasil cresceu em média 4,2% ao ano, e no ano passado chegou a 1,45 milhão de m³.

    A maior parte dessa demanda não se destina aos lubrificantes industriais, que representam, pelas estimativas de Maurício Matta, diretor do Sindicato Interestadual das Indústrias Misturadoras, Envasilhadoras de Produtos Derivados de Petróleo (Simepetro), algo entre 25% e 30% do total dos lubrificantes produzidos no país (o restante corresponde aos lubrificantes automotivos).

    No ano passado, ressalva Matta, o crescimento do consumo de lubrificantes se deveu apenas aos produtos automotivos – no segmento industrial, houve queda estimada em algo entre 4% e 5% em relação a 2010. Por que esse recuo? “De maneira geral, a indústria brasileira teve dificuldades no ano passado”, responde Matta. “Além disso, embora cresça o consumo de produtos automotivos, as montadoras fabricantes dos veículos consumidores desses produtos hoje importam muitas peças da China, e assim impactam a indústria metal-mecânica, assim como a siderurgia, um segmento muito importante para os negócios do nosso setor”, acrescenta.

    Petróleo & Energia, Antonio Ennes, Diretor da unidade de lubrificantes da Chevron, Lubrificantes - Apelo ambiental impulsiona uso de óleos de fontes renováveis

    Ennes: disponibilidade de óleos sintéticos cresce no mundo

    Atualmente, diz o diretor do Simepetro, o maior mercado da indústria nacional de óleos lubrificantes é composto pelos produtos hidráulicos, responsáveis por algo entre 55% e 58% do volume total produzido. E, para ele, a produção de óleos básicos de melhor qualidade no Brasil não decorrerá apenas dos investimentos já programados pelos fabricantes. “Na camada do présal, foi identificada a presença de óleos de melhor qualidade”, ressalta Matta.

    Lubrificantes verdes – Por enquanto, produtos confeccionados com bases sintéticas ainda respondem, no máximo, por algo entre 5% e 10% da demanda brasileira por lubrificantes industriais, como estima Antonio Ennes, diretor da unidade de lubrificantes da Chevron no Brasil. Mas ele também confirma ser crescente o interesse pelos óleos sintéticos, especialmente os semissintéticos (mistura adequada de bases sintéticas e minerais).

    Além disso, prossegue Ennes, há hoje um uso mais intenso de produtos fabricados com óleos minerais do Grupo III, qualificado nesse mercado como “sintético” por apresentar alta pureza. “Há hoje maior disponibilidade internacional desses óleos”, explica.

    Agora, outro desafio se coloca para essa indústria: “É preciso encontrar matérias-primas renováveis com a mesma performance das demais”, destaca Rosimeire Zilse, gerente de vendas e marketing da operação brasileira da multinacional de origem alemã Klüber (do grupo Freudenberg).

    A própria Klüber lançou um lubrificante destinado à indústria naval composto por um óleo de origem 100% renovável, de origem não revelada pela gerente. “Ele é altamente adesivo, com excelente resistência à água, protegendo cabos de aço e engrenagens abertas da corrosão e do sal”, explicou Rosimeire. Brevemente, a Klüber colocará no mercado outro lubrificante “de origem totalmente renovável e biodegradável”, agora para engrenagens abertas e moinhos utilizados na mineração e na produção de cimento.

    A ITW Chemical, atuante no campo dos lubrificantes industriais com a marca Rocol, também amplia sua oferta de lubrificantes verdes. Recentemente, lançou um óleo de base vegetal para substituir o óleo mineral na parte hidráulica de equipamentos agrícolas, por exemplo, nas colheitadeiras de cana, que exigem lubrificantes capazes de suportar elevadas temperaturas e em regime de trabalho de 24 horas em cada um dos dias da safra. A ITW atende tal demanda com um produto que combina óleos extraídos de vegetais – como girassol e soja – com ésteres e aditivos.


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