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Lideranças femininas debatem os desafios das mulheres

Petroleo e Energia
25 de agosto de 2019
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    A coragem e ousadia para aceitar novos desafios também foram lembradas nas discussões. A primeira diretora mulher da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Liedi Legi Bariani Bernucci, explicou que sua carreira era focada na pesquisa e na engenharia, mas, quando surgiu a oportunidade, ela se candidatou à direção da Escola. “Fui eleita com 200 de 217 votos. Sempre existirão barreiras que precisarão ser derrubadas”, contou a primeira mulher a exercer o cargo na Poli.

    Química e Derivados - As pesquisadoras e fundadoras do Comitê Jovens Pesquisadores na Sociedade Brasileira de Química: Marilia Valli e Paula Bueno

    As pesquisadoras e fundadoras do Comitê Jovens Pesquisadores na Sociedade Brasileira de Química: Marilia Valli e Paula Bueno

    Outra precursora no ramo acadêmico, a professora titular do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Vanderlan Bolzani, também lembrou de sua eleição para a presidência da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), sendo também a primeira mulher a assumir a função. “Fui primeira-secretária, secretária-geral e quando me tornei vice-presidente me candidatei. Pela primeira vez houve uma disputa para o cargo e ganhei. Se não tivesse a ousadia de me candidatar, nunca teria sido a primeira presidente mulher da SBQ”, relembra.

    O painel contou ainda com a participação da líder de Compras de Matérias-primas, Embalagens, Manufatura Externa e Logística para a Dow na América Latina, Adriana Amelio. Todas as painelistas tinham em comum a maternidade e compartilharam suas experiências, neste momento em que muitas profissionais decidem interromper suas carreiras. “Na primeira maternidade pensei em parar de trabalhar, mas senti que precisava seguir os meus sonhos. Vocês que pretendem ser mães tenham resiliência nos primeiros meses, é uma decisão difícil retomar o trabalho, mas é necessário seguir os sonhos”, afirmou Adriana.

    Mulheres da academia e da indústria conectadas

    As jovens pesquisadoras e doutoras em Química pelo Instituto de Química da Unesp de Araraquara, Marilia Valli, e da USP, Paula Bueno, apresentaram o Comitê Jovens Pesquisadores na Sociedade Brasileira de Química (JPSBQ), que será lançado oficialmente no workshop “Jovens Pesquisadores: futuros líderes nos setores acadêmico e empresarial”, a ser realizado na 42ª Reunião Anual da SBQ, que acontece de 27 a 30 de maio, em Joinville-SC.

    Paula lembrou que o comitê teve origem em 2015 quando foi a uma reunião da American Chemical Society para receber um prêmio. “Era a única representante da América do Sul e participei da reunião para a criação da International Younger Chemists Network (IYCN), da União Internacional de Química Pura Aplicada (Iupac), e que foi lançada no Brasil em 2017. A Marilia me informou que estava no IYNC e decidimos criar um comitê nacional”.

    Segundo Marilia, o objetivo do JPSBQ é conectar a academia, jovens pesquisadores e indústria, além de estimular a participação de mestrandos, doutorandos, pós-docs e jovens professores em reuniões e encontros internacionais. “Queremos trabalhar em prol da maior interação entre jovens cientistas de todo o mundo e principalmente da América do Sul, e na promoção de interação com associações nacionais e internacionais”.

    Ações para promover para um ambiente equilibrado

    Um dos temas abordados no evento foram as políticas realizadas pelas empresas para aumentar a participação das mulheres no quadro de colaboradores nos escritórios e nas plantas industriais.

    A líder de Compras de Matérias-primas, Embalagens, Manufatura Externa e Logística para a Dow na América Latina, Adriana Amelio, explicou que no início da carreira há uma proporção igual de homens e mulheres na empresa, mas as mulheres representam 37% dos cargos de liderança. Adriana explicou que para equilibrar essa proporção são desenvolvidas ações focadas na etapa de carreira de cada profissional. “Para quem tem até 5 anos de empresa, temos um programa focado em networking para garantir que ela consiga fazer conexões com pessoas diferentes, entre 6 e 15 anos é trabalhado o mentoring, pois um mentor pode auxiliar nas decisões complexas sobre a carreira”.

    A presidente do Grupo Solvay, Daniela Manique, contou que a empresa adota a política de ter uma mulher entre os dois finalistas para uma nova vaga de trabalho e são praticados o home office e a jornada flexível de trabalho. O Grupo Solvay também tem em suas políticas de diversidade a meta de, até 2020, ter pelo menos 20% dos altos cargos, formados pelo comitê executivo e direção, preenchido por mulheres, tendo como base de comparação o ano de 2015. Na América Latina, a quantidade de mulheres em nível de direção já ultrapassou a meta de 20% estabelecida para o ano de 2020.



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