Petróleo e Energia

Investimentos continuam, mesmo sem incentivos

Nelson Valencio
26 de fevereiro de 2012
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    A criação da agenda positiva para as PCHs vai gerar bons frutos. Além de Leontina Pinto, o consultor Erik Rego, da Excelência Energética, acredita nessa alternativa. “Do lado do governo, provavelmente havia uma visão de que se tratava de uma choradeira do setor. Com dados estruturados, teremos uma discussão mais amadurecida”, afirma. Mesmo assim, Rego, que não participou do evento da Viex, mas acompanha o setor, não qualifica 2012 como um divisor de águas. “O setor vem passando por dificuldades há um tempo e a sensibilização do governo para a necessidade de um mix estratégico em geração é fundamental para a mudança”, explica. Para ele, outro fator de peso reside na avaliação de que toda a cadeia produtiva do setor, geradora de empregos e detentora de tecnologia nacional, pode estar ameaçada.

    O peso dos empreendimentos em pequenas centrais no Brasil pode ser medido pelos dados de João Robert Coas, vice-presidente de desenvolvimento da Brooksfield Energia Renovável. Ele destacou que nos últimos dez anos foram implantados cerca de 3.100 MW com as PCHs. Considerando um valor médio de R$ 5 milhões por MW, a conta chega a R$ 15 bilhões de investimentos no período. Por segmentos, o especialista acredita que a fase de EPC (engenharia, aquisições e construção) consuma de 76% a 81% do total. As linhas de transmissão respondem por 1% a 10%, dependendo do projeto. Os  investimentos em meio ambiente poderiam variar entre 2% e 9% e os valores ligados às contingências estariam entre 4% e 10%. O pagamento de tributos totalizaria R$ 3 bilhões do total citado.

    Petroleo & Energia, João Robert Coas, vice-presidente de desenvolvimento da Brooksfield Energia Renovável, Investimentos continuam, mesmo sem incentivos

    João Robert Coas: fator de capacidade chega a 73% nas PCHs do Centro-Oeste

    Coas detalhou a operação do grupo, lembrando que a Brooksfield é uma das maiores detentoras de PCHs no Brasil, com 35 usinas, com capacidade para 626 MW, empregando 240 profissionais e com um centro de controle totalmente automatizado e sediado em Curitiba-PR. Nos últimos nove anos, a empresa adicionou 361 MW, dos quais construiu 265 MW. Ela tem mais de 500 MW em novos projetos que poderão ser viabilizados nos próximos cinco anos. A base de clientes da empresa é diversificada, atendendo várias indústrias no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde estão suas usinas. Coas ressaltou ainda a experiência do grupo em comercialização de créditos de carbono.

    Das PCHs que operam no Brasil, a Brooksfield atinge um fator de capacidade médio de 73% na Região Centro-Oeste (no país, a média dela é de 65%). O dado positivo tem uma explicação, segundo Valbusa, da Semi Industrial. Os estados daquela região, principalmente o Mato Grosso, figuram entre os de maior potencial para aplicação de pequenas centrais hidrelétricas como fonte de geração. Há projetos, de acordo com ele, com locais de quedas de 300 m, que podem gerar 15 MW. Para ele, as características regionais também precisam ser levadas em conta na ação de tirar as PCHs da vala comum em que foram jogadas.

    Petroleo & Energia, Márcio Severi, da CPFL Renováveis,  INVESTIMENTOS CONTINUAM, MESMO SEM INCENTIVOS

    Márcio Severi recomenda combinar PCHs com geração eólica de eltricidade

    Márcio Severi, da CPFL Renováveis, por sua vez, lembrou que os projetos de PCHs não podem ser padronizados, como acontece com o segmento eólico. Metade dos investimentos é consumida pelas obras civis e somente parte dos equipamentos pode ser estandardizada. A solução apontada pelo grupo a que pertence é a combinação de energias renováveis, dentro da mesma empresa, ou então a associação de produtores que adotam as PCHs com outros que detêm ativos na área eólica. “Temos quatro GW em geração obtidos de pequenas centrais e daqui a pouco vai faltar energia no período de seca das eólicas, então as PCHs podem funcionar como uma fonte flat de energia”, argumenta. “As PCHs, mesmo com dificuldade, têm regularidade no horário de ponta. Precisamos equacionar um custo global e não somente focar em modicidade tarifária, isso inclui sustentabilidade, segurança e outros fatores, não somente o preço por MWh”, conclui.

     

    Volks amplia geração própria

    Com investimentos de R$ 160 milhões, a Volkswagen replica um modelo acertado na opinião dos especialistas em PCH: participa como um dos investidores, respondendo por 51% do empreendimento. O outro sócio é a Pleuston Serviços. Quando for inaugurada a nova geradora, em 2014, as duas PCHs da empresa (Anhanguera e nova Monjolinho, ambas em São Paulo) deverão gerar 40% da demanda de eletricidade da montadora no Brasil. “Investir em sustentabilidade, inclusive na geração de energia limpa e renovável, é um dos objetivos estratégicos da companhia”, informa o vice-presidente de Finanças e Estratégia Corporativa, Carsten Isensee, responsável pelo projeto das PCHs. Monjolinho, a nova unidade, será construída no rio Sapucaí, um afluente do rio Grande, entre as cidades de Ipuã e Ituverava, em São Paulo, e terá capacidade para 25,5 MWh, com três turbinas. A Anhanguera está instalada no mesmo rio, a 25 km de distância da outra, entre São Joaquim da Barra e Guará, contando com três turbinas com potência de 22,68 MW, operando desde março de 2010.

     

    Leia também: PHC – Na ponta do lápis, pequenas centrais mostram vantagens



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