Máquinas e Equipamentos

Inversores de frequência – Inversores de frequência ampliam o uso em operações industriais

Antonio Carlos Santomauro
15 de outubro de 2012
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    Deslanchou o uso de inversores de frequência no Brasil: antes dedicados basicamente ao acionamento e desligamento de motores – em especial em sistemas de movimentação de cargas –, eles são agora empregados em uma gama muito vasta de aplicações industriais: bombeamento e controle de fluxos, compressão e ventilação, entre outras.

    Como principal fundamento da crescente demanda por esses equipamentos – chamados também de drives ou conversores de frequência –, aparece uma funcionalidade hoje valorizadíssima, que atende aos requisitos de sustentabilidade não apenas em sua vertente ambiental, mas também na questão financeira: sua capacidade de reduzir o consumo de energia e, em alguns casos, até mesmo reaproveitar a energia antes desperdiçada.

    Mas eles também se tornaram mais inteligentes, e hoje aliam a possibilidade de controle muito preciso das rotações a funções de programação que tanto poupam os recursos dos sistemas de automação quanto ampliam a segurança operacional.

    Conseguem, assim, constituir um mercado que, mesmo na atual pouco animadora conjuntura econômica, mantém-se em rota ascendente, e tem inúmeras possibilidades de expansão. Atentas a esse potencial de geração de negócios, as grandes transnacionais produtoras de inversores, que antes apenas os importavam, começam a produzi-los no Brasil.

    A Rockwell começou a fabricação na planta inaugurada há pouco tempo no município paulista de Jundiaí (onde instalou também uma nova linha de produção de CLPs). “Ali produziremos inversores de média e de baixa tensão, cujas primeiras unidades começam a ser entregues entre setembro e outubro”, conta Raymond Schimitz, gerente de produto de potência da Rockwell.

    Por sua vez, a ABB iniciou em maio último a produção desses equipamentos na cidade de Sorocaba- SP. Lá, por enquanto, fabrica os inversores da linha ACS850, definida pela empresa com o conceito ‘all compatible’ (ou ‘compatibilidade total’). “Começamos a produção no Brasil por esses produtos porque são muito versáteis: atendem a uma demanda ampla de potências – de 0,37 kW a 560 kW –; e têm excelente conectividade com o ambiente de automação”, destaca Marcelo Palavani, gerente-geral de drives e PLC da ABB no Brasil. Segundo ele, os inversores da linha ACS850 podem ser utilizados nas mais diversas aplicações, entre elas: gruas, pontes rolantes, extrusoras, guinchos, esteiras transportadoras, bombas, exaustores e misturadores.

    A Siemens mantém no Brasil, já há alguns anos, uma linha de produção de inversores de média tensão, destinados a motores com potências muito elevadas, utilizados, por exemplo, em atividades de mineração e em algumas aplicações de óleo e gás. Mas, com equipamentos importados, essa empresa compete também no segmento da baixa tensão, com a linha Sinamics, indicada para potências entre 0,12 kW e 4,5 mil kW.

    Com a linha Sinamics, a Siemens integrou – e designou como “famílias” – marcas antes distintas, como Micromaster e Simotics. “E este ano lançamos no Brasil a linha compacta de inversores de baixa tensão Sinamics G120C, que se diferencia pela combinação de alta densidade de potência e recursos avançados, como o controle vetorial”, destaca José Moreira, gerente responsável pelo segmento de negócios de inversores de baixa tensão da empresa. “Ainda neste ano anunciaremos a chegada de mais um componente da família Sinamics, voltado para aplicações mais simples e com menor exigência tecnológica”, ele acrescenta.

    Produção maior, preços menores – Excetuando- se o segmento das potências mais elevadas, até há pouquíssimo tempo apenas um dos concorrentes do mercado brasileiro de inversores tinha produção local: a Weg. Mas, apesar da presença de novos concorrentes com plantas fabris instaladas no país, ou talvez por causa deles, essa empresa segue investindo na expansão da oferta desses equipamentos. “No fim do ano passado, mudamos para uma fábrica totalmente nova, já com capacidade ampliada, e ainda este ano instalaremos a máquina que ampliará ainda mais essa capacidade”, conta Helcio Makoto, diretor de vendas da Weg Automação.

    Este ano, diz Makoto, a Weg produzirá cerca de 250 mil inversores (quantidade superior àquela produzida no ano passado em um percentual “na casa dos dois dígitos”). Segundo ele, “o mercado de inversores de frequência está em rampa ascendente”.

    A queda nos preços dos produtos contribui para essa “rampa ascendente” na curva de vendas de inversores: de acordo com Adriano Lobo de Souza, gerente de produtos da Eaton, “de forma um pouco similar ao que ocorre na eletrônica destinada ao varejo, esse segmento de eletrônica de potência tem apresentado grande redução em seus custos, e começa também a ser um mercado de grandes volumes”.

    Petróleo & Energia, Raymond Schimitz, Gerente de produto de potência da Rockwell, Inversores de frequência - Inversores de frequência ampliam o uso em operações industriais

    Schimitz: produção de inversores de média e baixa tensão em Jundiaí

    Para comprovar essa afirmação de queda nos preços, ele conta que, pelos dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), nos últimos anos, o faturamento dessa indústria no país cresce anualmente em índices situados na faixa entre 20% e 25%, enquanto a quantidade de peças comercializadas se eleva entre 30% e 35%. Ou seja: há mais equipamentos sendo vendidos por preços menores.

    No conjunto dos fabricantes de máquinas – principal mercado dos inversores da Eaton –, as compras desses produtos geram hoje, diz Souza, um tíquete médio de mil reais. “Mas no segmento dos inversores maiores esse tíquete chega a R$ 80 mil, e já vendemos inversores de R$ 300 mil”, informa.



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