Indústria química investe no atendimento a emergências – Abiquim

Petróleo & Energia, Treinamento de brigada de incêndio na Basf, em Guaratinguetá-SP
Treinamento de brigada de incêndio na Basf, em Guaratinguetá-SP

Planos para evitar incidentes, iniciativas formadas por empresas, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e o investimento em treinamento preparam o segmento para enfrentar emergências. (linha fina)

Os avanços e desafios em atendimento a emergências serão tema da 16ª edição do Congresso de Atuação Responsável, que acontecerá nos dias 18 e 19 de outubro no Novotel Center Norte, em São Paulo. Com o objetivo de debater formas de tornar ainda melhor o atendimento a emergências no Brasil, a Abiquim, por meio da Comissão de Preparação e Atendimento a Emergências (PAE), organizará uma mesa redonda de apresentações e debates que abordará o Líquido Gerador de Espuma (LGE) a sua aplicação, estocagem os critérios de homologação e testes realizados conforme normas vigentes, os sistemas de combate a incêndio por espuma, o mercado brasileiro e novas tecnologias no atendimento a emergências.

O risco é presente em qualquer atividade humana. E, tratando-se da indústria química, o tema ganha extrema relevância, pois as empresas do setor são responsáveis por realizar processos, manipular e armazenar produtos que podem resultar em uma situação de emergência. Essas empresas precisam estar preparadas para atender emergências e aptas a cumprir a legislação, pois apenas dessa forma podem receber as licenças dos órgãos competentes.

O atendimento a emergência começa no desenvolvimento de um Plano de Emergência Individual (PEI) que deve contemplar a realidade de cada empresa em avaliar suas condições e estar preparada para responder emergências e planejar ações de acordo com os cenários levantados. O PEI deve compreender a formação da equipe de planejamento, a revisão da legislação e de planos já existentes, a identificação de perigos e avaliação de riscos, além da avaliação da capacidade de resposta.

O comportamento humano deve ser considerado no desenvolvimento desse plano, dessa forma garantirá maior probabilidade de sucesso em um evento real. Inserido no Programa Atuação Responsável®, o desenvolvimento e treinamento nos planos de atendimento a emergências é um requisito considerado indispensável para as indústrias químicas signatárias.

De acordo com o diretor comercial da Suatrans, empresa de atendimento emergencial de produtos perigosos, Marcel Borlenghi, o Plano de Emergência deve ser continuamente revisado e posto em prática anualmente, por meio de simulados, a fim de garantir a eficácia prevendo os possíveis cenários nas operações das empresas. “Ultimamente temos vistos diversos acidentes que não possuíam ações previstas nos planos de emergência por serem hipóteses improváveis. Esses casos devem servir de lição e alertar a indústria para considerar todos os riscos inerentes às suas operações e analisar se tem a capacidade de resposta instalada adequadamente. Considerar a implantação de um Plano de Auxílio Mútuo (PAM) também é primordial”, explica Borlenghi.

Trabalho em parceria – Além do PAM, para se efetuar o atendimento às emergências foram criadas iniciativas como o Alerta e Preparação de Comunidades para Emergências Locais (Apell) e a Rede Integrada de Emergência (Rinem). Essas iniciativas são formadas por entidades do governo, autoridades locais e dirigentes das empresas, que concentram esforços e recursos com o objetivo comum de neutralizar um possível sinistro no menor tempo possível, com mais eficiência e agilidade.

Neste contexto, o PAM, instituição sem fins lucrativos, visa prestar auxílio mútuo entre os empreendimentos e municípios, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e demais órgãos públicos envolvidos com emergências por meio de suprimento e manutenção de serviços entre as empresas signatárias, além de apoiar as atividades do Corpo de Bombeiros em casos de sinistros. Em contrapartida o Corpo de Bombeiros disponibiliza pessoas treinadas para ministrar cursos de brigada de incêndio, vistorias técnicas em caráter de orientação e outros serviços para os integrantes do Plano.

O primeiro PAM no Brasil foi criado em 1959, por necessidade do Polo de Cubatão-SP, primeiro polo petroquímico do país. Mas sua popularização se deu a partir de 1984, quando ocorreu o incêndio na Vila Socó, em Cubatão-SP, que resultou em 93 mortos, segundo números oficiais, mas que pode ter chegado a mais de 450 vítimas fatais. A tragédia mostrou a necessidade de a indústria se preparar e ter recursos para atender acidentes de grandes proporções, que podem atingir as comunidades do entorno aos polos petroquímicos do País.

Já o Apell tem como premissa um conjunto de diretrizes formuladas pelo Departamento da Indústria e Meio Ambiente do Programa das Nações Unidas (ONU), em cooperação com a Associação dos Químicos dos Estados Unidos (CMA) e o Conselho Europeu das Federações da Indústria Química (Cefic). O acordo é uma ação cooperativa que visa intensificar a conscientização e a preparação da comunidade para situações de emergência.

Petróleo & Energia, Sansevero: empresa segue os padrões da matriz alemã
Sansevero: empresa segue os padrões da matriz alemã

Seu eixo central é o Grupo Coordenador constituído por autoridades locais, líderes da comunidade, dirigentes de empreendimentos e outras entidades interessadas. A implantação da Apell começou no Brasil em 1990, com a realização de um seminário na cidade de Cubatão, promovido pelo Departamento da Indústria e Meio Ambiente do Programa das Nações Unidas, com o apoio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (CetesbB), do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). A associação também traduziu para o português o manual da Apell e fez a distribuição do manual para as indústrias químicas, petroquímicas e Defesa Civil.

A Abiquim também promove o Apell junto às suas afiliadas, como uma ferramenta para elaboração de planos de emergência para aumentar a coordenação no atendimento a acidentes e melhorar o diálogo entre a indústria e a população, por meio do Programa Atuação Responsável®. O programa está em andamento e já implementado em Duque de Caxias-RJ e Maceió-AL, com resultados importantes para a proteção das comunidades locais.

Outra iniciativa criada foi a Rinem, entidade sem fins lucrativos, mantida pelos recursos das empresas participantes, que contam com a parceria do Corpo de Bombeiros e outros órgãos municipais. Seu objetivo é o compartilhamento de recursos físicos e humanos das empresas associadas e parceiras para serem usados nos casos de emergência. A primeira Rinem começou em 1991, no Vale do Paraíba, interior do estado de São Paulo.

As iniciativas são elogiadas pelo gerente de Segurança, Meio Ambiente e Patrimonial e consultor do líder regional da Basf de preparação e atendimento à emergência para a América do Sul, Carlos Alberto Nicoli Sansevero. “No caso de emergências, o bem comum é o mais importante. Por meio do PAM e do aviso emitido pela Rinem, pudemos ajudar a combater incêndios que ocorreram em outras plantas químicas e terminais de transporte de cargas”, lembra.

Treinamento e busca da melhoria contínua

Petróleo & Energia, Ludovico: ainda há espaço para o setor avançar
Ludovico: ainda há espaço para o setor avançar

Além dessas inciativas, que tornam o atendimento a emergências mais ágil e efetivo, o treinamento realizado no Brasil evoluiu. Segundo Marcelo Ludovico, gerente de Meio Ambiente, Segurança e Saúde da Clariant, a normatização dos treinamentos de bombeiros profissionais, bombeiros civis e brigadistas, feita pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e regulamentada pelos Corpos de Bombeiros, tem ajudado.

“Alguns centros de treinamento estão cada vez mais bem equipados e muitos deles vêm adotando normas internacionais, como a NFPA-472, da National Fire Protection Association, para os treinamentos com emergências químicas”, explica Ludovico, que atua na área de meio ambiente, saúde e segurança há 18 anos e também é coordenador da Comissão de Preparação e Atendimento a Emergências da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Carlos Sansevero, da Basf, explica que, no caso da multinacional, o treinamento, a configuração das equipes de atendimento à emergência e dos equipamentos usados precisam também seguir um padrão de excelência empregado na Alemanha. “A filosofia é igual em todos os países em que a Basf atua, sendo preciso seguir os protocolos, a formação de treinamento. Até o projeto de viaturas precisa ser aprovado pela Alemanha”.

Mas ainda existe espaço para a evolução no mercado brasileiro. Marcelo Ludovico, da Clariant, conta que ainda há espaço para melhoria do gerenciamento de emergências no Brasil, envolvendo a formação cada vez mais adequada dos profissionais da área e o aperfeiçoamento contínuo dos programas de auxílio mútuo entre a indústria e órgãos públicos.

“É difícil generalizar o estágio de preparação para emergências dentro da indústria química. Existe um grupo de grandes empresas, a maioria multinacionais, que está no mesmo nível daquelas dos países mais industrializados. Por outro lado, existe outro grupo de empresas, normalmente médias e pequenas, que têm mais dificuldade para se preparar para emergências”, explica Ludovico. “A propósito, foi pensando principalmente nesse segundo grupo que a Comissão de Preparação e Atendimento a Emergências da Abiquim elaborou e lançou o Guia de Preparação e Atendimento a Emergências, no ano passado”, completa.
Segundo o diretor comercial da Suatrans, Marcel Borlenghi, existem alguns obstáculos que precisam ser superados para a evolução no atendimento a emergências, entre eles a geografia do País. “Um grande desafio é a nossa grande extensão territorial, que exige um contingente enorme de equipes de emergência, pois temos diversos polos industriais ao longo do país”.

Mas também existem fatores que podem ser solucionados como o preço dos equipamentos no Brasil. “Ainda temos uma grande desafio, devido ao alto custo de importação de novas tecnologias. Veículos de emergência, bombas, equipamentos de medição e até equipamentos de proteção individual se tornam difíceis de adquirir. No Chile, onde a Suatrans tem mais de 14 bases de emergência, a incidência de impostos de importação é mínima, facilitando assim o acesso a esse tipo de equipamento. Temos diversos equipamentos no Chile que não possuímos no Brasil, devido a facilidade de importação naquele país”.

Petróleo & Energia, Indústria química investe no atendimento a emergências - AbiquimServiço: 16ª edição do Congresso de Atuação Responsável

Data: 18 e 19 de outubro

Local: Novotel Center Norte –

Endereço: Avenida Zaki Narchi 500 – Vila Guilherme, São Paulo (SP)

Inscrições: www.congressoar.com.br


Guia de Preparação e Atendimento a Emergências

Com o objetivo de auxiliar pequenas e médias empresas do setor químico na implantação de um Plano de Atendimento a Emergências, a Abiquim lançou em 2015 o Guia de Preparação e Atendimento a Emergências: Planejamento, Implantação e Gestão.

O material foi desenvolvido com base no acervo técnico disponível e da expertise de profissionais da área integrantes da Comissão de Preparação de Atendimento à Emergência (PAE). O Guia de Preparação e Atendimento a Emergências: Planejamento, Implantação e Gestão pode ser adquirido no site da Abiquim (www.abiquim.org.br), na área de publicações.

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