Economia

Indústria Química – Desenvolvimento exige acelerar reformas

Marcelo Fairbanks
21 de março de 2020
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    Durante este ano, portos na Bahia, Sergipe e Rio de Janeiro receberão terminais de regaseificação de GNL e poderão usar a rede de gasodutos existente para escoá-lo até os consumidores interessados. No futuro, outros portos serão equipados para isso, além de contar com suprimento de gás boliviano, que será renegociado.

    “O preço do GNL na Arábia Saudita ou nos Estados Unidos está muito baixo, é possível chegar aos consumidores industriais e termelétricas daqui por volta de US$ 5 a US$ 6 por milhão de BTUs, isso seria excelente para nós, poderia incentivar mais investimentos”, avaliou. As questões que envolvem a implantação desse modelo estão sendo trabalhadas em diálogo permanente com o governo federal, na Mesa da Química, uma espécie de comissão setorial. (mais detalhes na reportagem sobre energia, nesta edição).

    Em janeiro, iniciou-se a chamada pública para contratação capacidade de transporte de gás da Bolívia (da YPFB) para novos clientes, usando o Gasbol (gasoduto Brasil-Bolívia, operado pela TBG). A Petrobras abriu mão, nos termos do TCC firmado com o Cade, de contratar a capacidade total do duto, abrindo espaço para clientes de grande porte contratarem o gás diretamente com o produtor.

    A oferta de gás boliviano está em renegociação, em situação diametralmente oposta à de dez anos antes, quando Brasil e Argentina passavam por grave crise energética e precisavam desse insumo. “Atualmente, a YPF da Argentina já declarou ter sobra de gás e interesse em vendê-lo para o mercado brasileiro a preço adequado”, informou De Marchi. Bastaria construir 500 km de gasoduto entre Uruguaiana-RS e Porto Alegre-RS, projeto em fase de avaliação. Isso liberaria mais gás para consumo pelas indústrias brasileiras. “Já há empresas privadas querendo oferecer suprimento de gás natural para o setor químico, de forma independente da Petrobras, isso é uma novidade”, disse.

    Além do gás, a anunciada venda de metade da capacidade de refino da Petrobrás – que deve ocorrer ainda neste ano – também representa novas oportunidades para o setor químico. Há várias correntes de refinados que poderão ser aproveitadas pelo setor, além da nafta. “Isso atrairá novos investidores”, comentou.

    Nesse cenário, De Marchi demonstra otimismo quanto ao desempenho setorial em 2020. “Setores importantes para a economia nacional e que consomem produtos químicos, como a construção civil, indústria automobilística e o agronegócio, estão animados; se o Novo Mercado do Gás sair do papel, teremos um ano excelente”, comentou.

    Crescimento modesto – No Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais e da Petroquímica no Estado de São Paulo (Sinproquim), a expectativa também é de crescimento, porém pouco expressivo, na atividade do setor. “Acredito que a indústria química nacional vá crescer 2,5% em 2020, isso não é suficiente nem para recuperar a queda sofrida em 2018-19, mas é animador”, disse Renato Endres, diretor-executivo do sindicato. O percentual poderá ser maior, caso segmentos consumidores tenham desempenho acima do previsto, como o setor automotivo, construção civil e agroindústria.

    Química e Derivados - Endres: diversificação ajuda indústria paulista a crescer

    A indústria química paulista representa 30% do faturamento líquido da atividade no Brasil, contando com 700 empresas cadastradas no Sinproquim, situadas em 170 municípios. O faturamento do setor no estado chegou a R$ 73,4 bilhões em 2019, registrando redução de 3,9% em comparação com os R$ 76,4 bilhões de 2018. O setor paulista, a exemplo do nacional, operou com ociosidade alta, entre 25% e 30%.

    Ao mesmo tempo, o déficit comercial químico do Estado de São Paulo com o exterior cresceu 6,8% em 2019, somando US$ 14,5 bilhões, com importações de US$ 17,4 bilhões e exportações de US$ 2,9 bilhões. “Uma parte dessas importações feitas pelo estado não é consumida aqui, da mesma forma que parte do valor exportado também teve origem em outros estados do país”, salientou Endres.

    O diretor-executivo comentou que a indústria química paulista é mais voltada para especialidades, embora ainda abrigue ampla produção de commodities. “Os consumidores dos produtos finais estão aqui, é bom que a indústria acompanhe o perfil de demanda, aplicando tecnologia para produzir preparações, formulações e também sínteses, além de linhas com origem natural e renovável”, comentou. “Temos muitas pequenas e médias companhias instaladas no estado, elas apresentam grande flexibilidade para adaptação, pois operam com bateladas, contam com reatores e instalações multipropósito.”

    Nesse sentido, a importação de substâncias químicas e produtos intermediários é apontada como saída para alimentar a produção de produtos mais sofisticados. “O que é ruim para o país é importar produtos acabados”, disse. O aumento de importações significa que o mercado está ativo e, portanto, há oportunidades para investimentos.



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