Economia

Indústria Química – Desenvolvimento exige acelerar reformas

Marcelo Fairbanks
21 de março de 2020
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    Química e Derivados - Indústria Química - Cenário continua favorável, mas desenvolvimento exige acelerar reformas estruturais - Perspectivas 2020

    Indústria Química – Cenário continua favorável, mas desenvolvimento exige acelerar reformas estruturais – Perspectivas 2020

    As primeiras semanas de 2020 já se passaram e o ambiente geral de negócios permite alimentar a expectativa de resultados superiores aos do ano anterior. Consultamos vários segmentos da indústria química e dos plásticos, bem como seus clientes, para delinear algumas previsões para o desempenho deste ano, bem como as possíveis dificuldades detectadas pelos radares dessas fontes.

    É bom lembrar que o ofício de adivinho só existe para humilhar quem tenta exercê-lo. Sempre se diz que quando um país desenvolvido espirra, o Brasil pega uma pneumonia. Por ironia, no momento em que todos os fatores pareciam se alinhar em favor da economia brasileira, a epidemia do coronavírus na China introduziu mais um elemento de incerteza no cenário global. Impossível, agora, avaliar seu impacto nas cadeias produtivas e como isso se refletirá por aqui.

    O país que inicia este ano está diferente do que era há um ano. A reforma da previdência social foi aprovada, mas outras reformas, a fiscal e a tributária, seguem sua tramitação nas casas legislativas federais. Caso sejam aprovadas, poderemos ter efeitos muito benéficos para toda a atividade produtiva no Brasil.

    O cenário atual já é animador. A taxa primária de juros foi reduzida durante o ano passado, até chegar a 4,25% ao ano em fevereiro. Esse indicador não deve apresentar novas quedas, a menos que as reformas fiscal e tributária abram espaço para tal proeza. O câmbio apresentou muitas flutuações durante 2019 e abre o ano em fase altista. Há um ano, um dólar americano era adquirido por R$ 3,70, hoje custa R$ 4,30. A alta se deve mais a pressões externas do que internas, embora seja notória a saída de investidores estrangeiros do mercado local, rumo aos títulos do tesouro dos Estados Unidos, principalmente.

    O economista e consultor Alexandre Schwartsman observa que o comércio global está perdendo fôlego desde 2017, e foi muito pressionado pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, que estabeleceram várias sobretaxas e tarifas entre si. A situação foi acalmada com o acordo anunciado em janeiro deste ano entre os países, de forma muito favorável aos pleitos americanos.

    Schwartsman recomenda acompanhar com cautela o que virá pela frente. Essas escaramuças comerciais, somadas ao Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia, a ser completada até 31 de dezembro) e à reação de vários países, que anunciam a adoção de práticas mais protecionistas, ameaçam a continuidade do sistema de globalização econômica, vigente nos últimos 30 anos. Esse sistema aumentou a integração das cadeias produtivas de vários países e provocou mudanças profundas na economia global, que se tornou mais dinâmica.

    Como resultado direto da briga entre EUA e China, a atividade industrial no Brasil foi diretamente afetada, por ser o setor mais exposto à concorrência global. Além disso, a onda de valorização das commodities foi revertida. Elas entraram, desde 2019, em uma fase de baixa, com exceção de alguns produtos alimentícios, como as proteínas animais, em decorrência da peste suína que dizimou o rebanho chinês.

    Nesse ambiente, a maioria dos países derrubou suas taxas de juros, alguns operam com taxas negativas. Schwartsman salienta o ineditismo da combinação de juros negativos sem haver sinais de recessão, nem inflação.

    Sempre há nuvens que podem resultar em trovoadas futuras. O novo governo da Argentina, por exemplo, vem adotando medidas que seriam consideradas “heterodoxas” por aqui, tais como congelamento de preços e controle cambial. Esse receituário já foi aplicado no Brasil, com péssimos resultados. O problema reside no fato de os argentinos serem importadores de produtos industriais brasileiros de alto valor. São os maiores compradores de automóveis feitos aqui, por exemplo. Dessa forma, a indústria daqui só poderá contar com demanda nacional para se recuperar.

    Outro fator de insegurança está ligado à dinâmica epidemiológica do coronavírus, que assumiu ares de pandemia no início deste ano. O governo chinês empreendeu grandes esforços para conter sua disseminação, mas admite que o crescimento econômico do país será afetado pela doença, uma vez que as cadeias logísticas foram comprometidas, afetando vários setores produtivos.

    O também economista e consultor Ricardo Amorim concorda com essas avaliações e menciona que a desvalorização do real favorece muito o investimento privado. “Cada dólar hoje compra 30% a mais em reais que a média histórica”, salienta.

    Ao mesmo tempo, ele avalia que o país ainda não conseguiu atrair mais investimentos estrangeiros porque tem um histórico ruim, em termos financeiros, incluindo moratórias. Também o elevado índice de desemprego, a redução do faturamento das companhias locais e o clima pessimista ainda predominante afetam a decisão de investir aqui. “A economia brasileira se contraiu em 9% no governo Dilma e, de lá para cá, só recuperou 3%, ou seja, há muito espaço para recuperação, mesmo com baixo investimento”, afirmou.

    Amorim confia que o Brasil está em uma fase de retomada econômica, com sinais evidentes. Mas é preciso mudar o ânimo dos agentes econômicos. A redução do custo do crédito para empresas e consumidores começa a dar efeito, por exemplo, na construção civil. “É preciso ter cautela, porque os juros ainda vão cair mais, muitos compradores sabem disso e estão retardando negócios”, disse.



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