Indústria Naval

Indústria naval – Suape tem problemas para manter qualidade e prazos

Adriana Guarda
26 de maio de 2012
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    “O contrato prevê que o estaleiro precisa ter um parceiro tecnológico, sem isso eles ficam inadimplentes”, explicou Sérgio Machado. O EAS terá até o dia 30 de agosto deste ano para conseguir um novo parceiro especializado. Caso contrário, os contratos dos 16 navios, com valor de R$ 5,3 bilhões, serão rescindidos.

    A suspensão foi acordada entre os sócios do empreendimento e a Transpetro, durante a assinatura de um termo aditivo ao contrato, no dia 23 de maio. Para evitar o cancelamento das encomendas, o estaleiro precisa encontrar um parceiro técnico com comprovada experiência na construção de navios, apresentar plano de ação e cronograma confiável de construção das embarcações, e ainda, desenvolver um projeto de engenharia para os petroleiros que atenda às especificações técnicas contratuais.

    Machado acredita que o EAS não vai encontrar dificuldades para conseguir um novo parceiro tecnológico. “Com a infraestrutura e a carteira de encomendas que tem, não vão faltar interessados. Fizemos nossa parte na retomada da indústria naval, mas os estaleiros precisam fazer a deles”, alertou Machado, ele mesmo com os dias contados na Transpetro. Ele ocupa o cargo há nove anos e a expectativa é que deixasse a cadeira na gestão de Foster. No mercado, comenta-se que a pressão sobre o estaleiro é uma resposta para atender à cobrança da chefe e tentar se manter no cargo.

    Da euforia à preocupação – Os funcionários do Atlântico Sul, que até então viviam a euforia da entrega do primeiro navio, agora receiam uma demissãoem massa. Se não conseguir um novo parceiro tecnológico e perder dois terços das encomendas dos petroleiros, como ficam os empregos? “A situação é preocupante, mas não de desespero”, tentou tranquilizar o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindimetal), Alberto Alves dos Santos, o Betão. “Os navios que ainda contam com assistência técnica da Samsung garantem trabalho por mais três anos. Além disso, dois novos estaleiros estão em construção no estado, o STX/Promar e o CMO Construção e Montagem Offshore, que vão gerar 3 mil empregos diretos”, completou.

    O discurso é repetido pelo Fórum Nacional de Trabalhadores da Indústria Naval e de Petróleo. Antes da suspensão do contrato dos navios, o grupo participou de uma reunião na Transpetro, no Rio, onde Sérgio Machado avisou que ia endurecer com os estaleiros. De acordo com o Sinaval (sindicato nacional do setor), essa indústria já gerou 58 mil empregos no país.

    No governo de Pernambuco, a expectativa é que o Atlântico Sul encontre um parceiro e reverta a situação. Geraldo Júlio, secretário de Desenvolvimento Econômico, acredita que o prazo estipulado pela Transpetro é razoável. Na avaliação do economista pernambucano Jorge Jatobá, apesar de não ser definitiva, a suspensão dos contratos traz dois problemas para o estado. “O primeiro é a imagem diante do cenário nacional. Os estaleiros do Rio já diziam que Pernambuco não sabe fazer navio. Uma decisão como essa reforça os preconceitos regionais”, analisou. O segundo problema é o impacto negativo para o estado, que ancora sua economia na estreia de novos setores estruturadores, entre eles a indústria naval.

    O maior rebocador do BR

    A indústria naval carioca comemorou mais um feito, com o batismo, em abril, do maior rebocador já construído no Brasil, o Skandi Iguaçu, que possui mais de 32.000 BHP instalados e bollard pull de mais de 300 toneladas. A embarcação, do grupo norueguês DOF ASA, controlador das empresas Norskan Offshore e DOF Subsea, foi construída no estaleiro STX OSV, em Niterói, com financiamento do Fundo da Marinha Mercante por meio do BNDES.

    Para Eirik Torressen, CEO do grupo DOF no Brasil, o batismo do Skandi Iguaçu representa a consolidação da atuação do grupo no país. “Tenho muito orgulho em dizer que, dos 64 navios da companhia em operação no mundo inteiro, 24 estão na costa brasileira e mais da metade desta frota carrega a bandeira brasileira”, afirmou o executivo.

    O Skandi Iguaçu faz parte de uma nova geração de rebocadores superpotentes, desenhada para operar em uma ampla gama de águas profundas e variadas condições ambientais, dispondo dos mais modernos equipamentos em segurança para operações de AHTS, tais como os maiores guinchos, guindastes móveis com manipuladores e um novo sistema de manuseio de âncoras.

    Da frota de 28 barcos do grupo no Brasil, 24 estão em operação (dez AHTSs, cinco PSVs, sete CSVs e dois PLSVs) e quatro em construção, sendo que, das unidades em operação, onze foram construídas no Brasil.  (Bia Teixeira)



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