Indústria Naval

Indústria naval – São Paulo aproveita maré favorável

Bia Teixeira
26 de maio de 2012
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    Com um PSV e cinco rebocadores portuários encomendados, um estaleiro em construçãoem Rio Grande-RSe o atual em expansão, no Guarujá-SP, a Wilson, Sons reflete o bom momento vivido pelo setor também no estado de São Paulo, onde, depois de muitos anos, um novo estaleiro está em construção – o Rio Tietê, em Araçatuba, que tem uma carteira inicial de 100 embarcações, entre empurradores (20) e barcaças para etanol (80).

    Petróleo & Energia, Cesar Prata,  Vice-presidente eleito da entidade, Indústria naval - São Paulo aproveita maré favorável

    Prata: japoneses têm interesse em desenvolver parcerias

    Nas águas promissoras dessa expansão do setor naval, que atinge o Brasil inteiro, a indústria de máquinas busca parcerias no exterior para agregar tecnologia e ganhar maior competitividade. Foi com essa intenção que a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) integrou uma comitiva ao Japão, a convite do governo daquele país.

    De acordo com Cesar Prata, vice-presidente eleito da entidade, foi o ministério dos transportes do Japão, que é também responsável pela atividade naval no país, que pediu ao consulado japonês no Rio de Janeiro que convidasse pessoas do setor para palestrar aos empresários e representantes do governo, em Tóquio.

    Assim uma comitiva de representantes de diversos segmentos, incluindo o Sinaval e a Abimaq, foram ao Japão falar sobre os projetos e as oportunidades de negócios no país na área naval, fazer projeções sobre o futuro do setor, esclarecer quanto às regras de conteúdo local nos projetos navais e offshore – a maior preocupação dos empresários japoneses.

    Prata, também presidente da Câmara Setorial de Equipamentos Navais e Offshore e diretor do Conselho de Óleo & Gás da Abimaq, explica que as parcerias para viabilizar a transferência de tecnologia e fomentar negócios entre os dois países também entraram na pauta do dia dos encontros.

    “Já surgiram sete empresas interessadas em se associar à indústria brasileira, duas delas com o objetivo de conceder licenças de fabricação e outras duas querendo aferir a viabilidade de construir estaleiros no Brasil”, destaca o dirigente. “Já há parcerias formadas em sistemas de carga e lastro”, revela.

    Segundo ele, as áreas com maiores possibilidades de negócios imediatos são a de equipamentos de praça de máquinas, de propulsão e de convés, sistemas de navegação e comunicações, assim como estaleiros para navios de grande porte e de baixo valor agregado, como petroleiros e graneleiros.

    De acordo com Prata, das 4.500 indústrias de máquinas em atividade no país, cerca de 500 delas se dedicam direta ou indiretamente, total ou parcialmente, ao setor naval e offshore. “O setor deverá consumir R$ 400 bilhões em máquinas e equipamentos nos próximos dez anos. No momento é difícil dizer quanto desta riqueza vai ficar aqui e quanto vamos exportar”, pondera.

    Há muitos desafios a serem superados. Prata avalia que a participação do setor representado pela Abimaq nos projetos em curso é média nas plataformas e baixa em navios. “A falta de uma política industrial para o setor nos últimos anos e a baixa exigência de conteúdo local nos projetos iniciados entre quatro e sete anos atrás fazem com que os projetos em fase de colocação de encomendas de máquinas entre 2009 e 2011 deem preferência aos produtos importados.”

    Cesar Prata considera positivo o conteúdo local, por representar uma defesa comercial e possibilitar, assim, reverter o processo de desindustrialização. “No entanto, contraditoriamente, o governo concede regimes tributários especiais que induzem importações no setor naval e offshore. O R.E.B. (Registro Especial Brasileiro), para navios, e o Repetro (Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de bens destinados à exploração e à produção de petróleo e gás natural), para plataformas, na sua forma atual, conspiram contra o conteúdo local e empregos no Brasil”, explica.

    Ele afirma que o parque industrial brasileiro, que tem 150 anos, corre o risco de se desmontar em 20, como ocorreu no México, e pelo mesmo motivo: forte exportação de commodities e falta de políticas compensatórias. Segundo Prata, para consolidar uma indústria de navipeças forte é necessário que o governo tenha uma política eficaz para o setor, reveja os regimes tributários de viés importador e contenha o câmbio.

    “A Petrobras, por sua vez, tem de entender o seu papel no desenvolvimento industrial e lembrar que os maiores clientes da energia são a indústria brasileira e os brasileiros. E os bancos e fundos de fomento do setor devem parar de financiar importações que criam mais empregos lá fora”, acentua Prata, agregando que é preciso ainda que os projetos se realizem dentro dos prazos e que a ANP exerça seu papel, cobrando e fiscalizando o cumprimento do conteúdo nacional.

     

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