Indústria Naval

Indústria naval – Rio Grande do Sul – Petrobras desafia a indústria gaúcha

Fernando Cibelli de Castro
7 de março de 2011
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    O presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, desafiou o setor industrial gaúcho a aumentar sua participação como fornecedor de insumos e equipamentos para a estatal. O desafio foi lançado no Palácio Piratini – sede do governo gaúcho – durante reunião com o governador Tarso Genro, e com um grupo de industriais ligados à Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e ao Centro das Indústrias do Rio Grande do Sul (Ciergs), motivado pelo plano de investimentos da petroleira para os próximos cinco anos, no montante de U$ 224 bilhões de dólares.

    Dos 5,7 mil fornecedores que fabricam itens críticos de utilização pela Petrobras, apenas 146 são gaúchos, cerca de 2%, o que não condiz com o tamanho do PIB industrial gaúcho (10% do nacional), nem com a participação local de 6% do PIB geral da economia do Brasil, segundo o executivo. Ele ressaltou que o crescimento do setor petrolífero está ocorrendo em alta velocidade. O volume de compras da empresa é elevado, enquanto a oferta nacional de componentes e equipamentos é baixa para atender à sua demanda. Até 2014, a Petrobras investirá R$ 1,9 bilhão no Rio Grande do Sul.

    Gabrielli negou que a estatal esteja realizando estudos para reduzir de 65% para 35% a exigência de conteúdo nacional nos produtos por ela adquiridos. Segundo ele, tudo não passa de especulação, destacando que pressões de fornecedores externos para alterar a atual sistemática de compras da empresa são normais. O presidente prometeu para maio a divulgação do Plano Estratégico da Petrobras.

    Durante o encontro com Gabrielli, o governo estadual anunciou um conjunto de medidas para ampliar a participação gaúcha nas compras das indústrias do petróleo, gás natural e naval. Entre as propostas está a busca pela ampliação de 2% para 10%, em quatro anos, do total do fornecimento de equipamentos e insumos fabricados no Rio Grande do Sul para a Petrobras e para a indústria naval.

    Apesar de considerar a meta arrojada, o governador Tarso Genro acredita que o objetivo “mesmo que seja alcançado parcialmente, com 7%, 8% ou 9% das compras da empresa, já desencadeará um processo de desenvolvimento, de coesão social, de distribuição de renda e de aperfeiçoamento econômico sem precedentes na história do Rio Grande do Sul”. Para tanto, o governo do RS enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei que cria o Programa de Estruturação, Investimento e Pesquisaem Gás Natural, Petróleo e Indústria Naval do Rio Grande do Sul (PGPIN).

    A proposta está vinculada e coordenada à Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, a fim de ampliar e potencializar os benefícios econômicos e sociais das atividades relacionadas ao gás natural, ao petróleo e à indústria naval. Com efeito, o objetivo é gerar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias envolvendo essas cadeias produtivas.

    O programa também trabalhará no fortalecimento de ações que propiciem o aumento de escala e de competitividade, formação de mão de obra local, atração de novas empresas e investidores, estímulo à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação tecnológica empresarial, além do desenvolvimento preferencial do sul do Rio Grande do Sul – deprimido economicamente nas últimas décadas, mas que tem recebido grandes investimentos com a construção de novas plataformas pela Petrobras.

    O coordenador do PGPIN será o ex-presidente da Federasul (Federação das Associações Comerciais e de Serviços do RS), o empresário Mauro Knijnik, atual Secretário de Desenvolvimento e Promoção do Investimento do Governo do Estado. Knijnik acredita que o programa já estará em operação em abril, com prioridade para o setor naval. O Secretário de Desenvolvimento gaúcho destacou que também será feito um programa específico com recursos do orçamento do estado, do Banco do Estado do RS (Banrisul), Caixa RS – Agência de Desenvolvimento, e ainda se buscam verbas no BNDES para financiar projetos das empresas que pretendem se instalar no Polo Naval.

    Knijnik ressaltou que, para enfrentar o problema do apagão de mão de obra, cursos profissionalizantes estão sendo realizados e que novos serão implantados. Ele revelou que, mesmo antes da entrada em operação do PGPIN, diversas empresas nacionais e internacionais interessadas em instalar unidades industriais no estado já iniciaram negociações com o governo gaúcho. Os benefícios fiscais para quem colocar sua planta no sul do estado serão maiores.

    Outro a se manifestar no encontro, o vice-presidente do sistema Ciergs/Fiergs, Ricardo Felizzola, disse que o momento é significativo para a indústria gaúcha, pois ajudará a criar um ambiente propício para que a competitividade cresça no estado. Ele destacou que a parceria do governo estadual com a Petrobras permitirá que o processo de ingresso de novas empresas gaúchas como fornecedoras da estatal seja acelerado, com a criação de itens com mais conteúdo e de maior valor agregado. Para ele, negociar com a Petrobras é uma grande oportunidade para as empresas do estado alcançarem outros mercados, nacionais ou mundiais.

    Felizzola acredita que o Rio Grande do Sul tem poucos negócios com a Petrobras por ter uma economia muito voltada para as necessidades do agronegócio, contando com uma indústria de máquinas agrícolas muito forte, bem como um setor metal-mecânico bem desenvolvido. Ele entregou para Gabrielli um documento no qual faz uma apresentação do potencial da indústria gaúcha, além de aspectos que vão desde a possibilidade de acordos de cooperação até a priorização para a criação de um estaleiro destinado à fabricação de sondas, passando pelo aumento de fornecimento de gás natural ao Rio Grande do Sul e a criação de linhas específicas para o setor. O documento é assinado pelo sistema Ciergs/Fiergs.



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