Indústria Naval

Indústria naval – Rio Grande do Sul – Esforços locais atraem novos investimentos para rio grande

Fernando Cibelli de Castro
7 de março de 2011
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    Município mais antigo do Rio Grande do Sul, Rio Grande, fundado em 1737, vive uma fase de muito progresso desde o início dos trabalhos para a construção da plataforma P-53, em 2006. A onda de encomendas prossegue agora com as montagens da P-55, P-63 e a construção de oito cascos para os navios de exploração do pré-sal.

    A cidade, que no ano do início da construção da P-53 era a sétima da economia gaúcha, passou, já no ano seguinte, para a 6ª colocação, com um crescimento econômico de 27,88%, contra 12,85% do resto do estado. Chegou em 2008 à quarta posição, melhorando em 21,55% os seus dados econômicos, bem acima do desempenho gaúcho, que foi de 13,00%.

    O primeiro impulso foi a P-53, concluída em 2008. Ela absorveu um investimento de R$ 2,5 bilhões, gerando 4.300 empregos diretos e 12.500 indiretos. A P-53 foi construída pela Quip S/A, uma associação entre Queiroz Galvão, Ultratec, Iesa, Construtora Camargo Corrêa e PJMR. Ela tem capacidade de produzir 180 mil barris/dia de óleo e 6 milhões de metros cúbicos de gás, além de tratar e injetar 245 mil m³/dia de água e gerar 92 megawatt-hora de energia. A P-53 deverá operar por 25 anos sem fazer docagem.

    O casco da P-53 foi importado da Ásia, tendo 346 m de comprimento, 57,3 m de largura e altura de 76 m. Já os módulos da P-53 foram feitos em locais distintos: três em Cingapura (Ásia), oito no Rio de Janeiro e quatro em Rio Grande.

    Também realizadas pela empresa Quip S/A, já estão em andamento as obras de construção e montagem das plataformas P-55 e P-63. AP-55, com previsão de conclusão para julho de 2011, recebeu investimentos de R$ 1,5 bilhão, empregando diretamente 3.000 pessoas e indiretamente mais de 6.300. A plataforma, a segunda feita no estado, está sendo executada no Estaleiro Rio Grande, onde foi construído o primeiro dique seco de grande porte do país.

    As obras de construção e montagem da P-63, com uma previsão de aporte de recursos da ordem de R$ 1,5 bilhão, deverão estar concluídas até dezembro de 2012. A expectativa é de que a obra no seu pico gere até 3.000 empregos diretos e 7.000 ocupações indiretas. Elas estão sendo realizadas por uma joint-venture formada pela Quip e BW Offshore.

    Com obras localizadas na ponta Sul do Porto Novo,em Rio Grande, a P-63 é uma plataforma do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offl oading). Ela terá 334 metros de comprimento e deverá operar no campo de Papa Terra, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. A P-63 terá capacidade para processar 140 mil barris por dia de petróleo e um milhão de Nm³/dia de compressão de gás. A unidade gerará 98 MWh de energia e armazenará até 1,4 milhão de barris de petróleo.

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    Pelo plano de construção e montagem da plataforma, a Quip S/A será responsável pela construção dos módulos de processo e completará a integração deles ao casco do navio-tanque BW Nisa, que está sendo convertido em casco desta plataforma na China, na cidade de Dalian, numa parceria com o grupo BW Offshore. A chegada do cascoem Rio Grandeestá prevista para acontecer entre setembro e outubro de 2011. O maior e mais duradouro investimento no polo naval de Rio Grande iniciou em março a construção de oito plataformas do tipo FPSO pela empresa Engevix.

    A obra, com investimento inicial de R$ 6,4 bilhões, deverá estar concluída em seis anos, período em que os oito cascos deverão estar prontos. A expectativa é de que sejam contratados diretamente para a operação industrial seis mil trabalhadores, com doze mil indiretamente.

    A parte física da construção das plataformas já está em andamento, com a chegada de 20 mil chapas de aço de quatro toneladas cada, vindas da Coreia do Sul. Essas peças são suficientes para a montagem de metade de uma plataforma ou casco. O restante das chapas deverá chegar nos próximos meses. A expectativa é de que, em 2013, dois cascos já estejam prontos. Para 2015, a previsão chega a quatro plataformas, com a conclusão total das obras em 2017 ou 2018.

    Na manhã de 1º de abril, foi divulgado que a Quip construirá também a P-58, cujo casco está sendo fabricado em Cingapura, com previsão de chegada à parte sul do Porto Novo de Rio Grandeem outubro. Aobra, cujo valor não foi informado, deverá empregar 1,3 mil pessoas.

    Mais investimentos – Os investimentos no polo naval de Rio Grande também envolvem outras empresas, não só por meio de encomendas da Petrobras. O grupo Wilson, Sons construirá um estaleiro mediante investimento de US$ 140 milhões. Ele atuará na construção de embarcações de apoio para a exploração marítima, rebocadores portuários e oceânicos.

    Esse empreendimento deverá gerar, na primeira fase, 600 postos de trabalho e atingir 2 mil empregos quando estiver operando em plena capacidade. A Wilson, Sons, tradicional empresa com 170 anos de atuação na prestação de serviços aos setores do comércio marítimo nacional e internacional, pretende além do estaleiro – que ficará em uma área de 125 mil metros quadrados – ainda implantar um centro de treinamento para formação de mão de obra local, onde mais de 1,4 mil trabalhadores serão preparados até 2015.



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