Indústria naval – Pernambuco – Polo de suape constrói navios onde se produzia cana-de-açúcar

Pernambuco carimba sua participação no novo mapa da indústria naval brasileira, capitaneando a descentralização da retomada do setor, até então fortemente ancorado no Rio de Janeiro. Há 32 anos, numa região secularmente ocupada pelo plantio de cana-de-açúcar, “brotava” no município de Ipojuca, a 50 km de Recife, o Complexo Industrial Portuário de Adriana Guarda Suape, que se transformaria no maior polo de atração de investimentos do estado. O local foi escolhido para abrigar o cluster naval pernambucano, que já nasceu grande, com a implantação do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) – a maior planta naval do Hemisfério Sul. Além do EAS, há projetos de R$ 1,2 bilhão em investimentos na construção de outros três estaleiros.

Resultado de um investimento de R$ 2 bilhões das empresas Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, PJMR Empreendimentos e da sul-coreana Samsung, o EAS coloca o Brasil na rota dos estaleiros da quarta geração tecnológica. Voltada à construção de cargueiros (petroleiros, graneleiros, conteineiros), a fábrica tem capacidade para processar 160 mil toneladas de aço por ano, material suficiente para construir seis petroleiros de grande porte.

O projeto começou a ser gestado em 2005. Fábrica e navio começaram a ser construídos ao mesmo tempo. Em setembro de 2008, a planta foi inaugurada e o primeiro petroleiro, batizado de João Cândido, foi lançado ao mar em abril de 2010, com previsão de entrega no segundo semestre deste ano.

Hoje, o EAS ostenta a maior carteira de encomendas do Brasil, estimada em US$ 8,1 bilhões. São 22 petroleiros classe suezmax, encomendados pela Transpetro no âmbito do Promef, além do casco da plataforma P-55 e de sete navios-sondas para exploração de petróleo no pré-sal. A rápida escalada na carteira de projetos fez o estaleiro dobrar de tamanho em menos de três anos. A empresa está pleiteando financiamento de R$ 690 milhões ao Fundo de Marinha Mercante (FMM) para garantir a expansão da sua área de offshore para atender à Petrobras.

O desafio para o EAS é acelerar a entrega das encomendas e reduzir os custos de produção dos navios. O petroleiro João Cândido, por exemplo, deveria ser entregue em setembro de 2010, mas vai ficar para a segunda metade deste ano. Com o atraso no cronograma, a embarcação terá consumido três anos para ser concluída. Para se ter uma ideia, basta dizer que os sul-coreanos – líderes mundiais do setor – entregam um navio em até nove meses. A diretoria do EAS afirma que os atrasos fazem parte da curva de aprendizagem de um setor que está ressurgindo. O primeiro navio também custará pelo menos 15% acima da média do mercado.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Geraldo Júlio, afirma que o diferencial do polo naval do estado é a diversificação. “Temos um estaleiro de grande porte, estamos iniciando a implantação de um segundo, com foco em cargueiros de menor porte, e temos projetos de instalação de uma unidade de reparação de navios e de módulos de plataforma”, enumerou.

No início deste mês, a Agência de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH) liberou a licença ambiental para o Estaleiro Promar S.A., que deverá bater estacas o mais breve possível. A unidade, uma parceria da PJMR e do grupo sul-coreano STX, pretendia construir esse empreendimento no Ceará, mas a Prefeitura de Fortaleza não o acolheu, argumentando sobre os problemas ambientais que ele acarretaria. Com a desistência, Pernambuco acabou se beneficiando.Petróleo & Energia, Indústria naval - Pernambuco - Polo de suape constrói navios onde se produzia cana-de-açúcar

Diretor de Novos Negócios do Promar, Dail Cardoso afirma que a ideia é começar a construção do primeiro navio 17 meses após o início da construção civil do sítio, que receberá investimento de R$ 300 milhões e gerará 1.500 empregos diretos. A empresa já conta com a encomenda de oito navios gaseiros (transportadores de gás natural liquefeito) para a Transpetro, no valor de US$ 536 milhões.

“Pernambuco também quer captar uma unidade de reparação naval para atender a frota nacional da Transpetro, que hoje precisa ir para Cingapura ou Coreia do Sul para realizar esses serviços”, destacou Júlio, comentando a localização geográfica privilegiada do Porto de Suape. O governo do estado assinou protocolo de intenção com o grupo espanhol Galíctio, que pretende investir US$ 440 milhões na construção dessa unidade.

Outro empreendimento que reforçará a atividade do polo é a unidade de produção de módulos para plataformas de petróleo da Construcap, que investirá R$ 200 milhões no negócio. No final de março, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, esteve na Itália e anunciou o interesse do grupo italiano Fincatieri em construir um estaleiro voltado para embarcações militares na região de Suape.

Incentivos oficiais – A decisão do governo federal de ressuscitar a indústria naval no país estimulou Pernambuco a criar condições para transformar o estado em um dos novos endereços dessa retomada. A criação de um programa de benefícios fiscais e a definição de uma área destinada à implantação de estaleiros e indústrias da cadeia produtiva foram as principais estratégias para se firmar na disputa por empreendimentos com outros estados brasileiros.

“A implantação do EAS, a partir de 2007, foi a gênese do nosso polo naval. A partir dessa época começamos a criar condições para atrair o setor para o estado. Criamos o Programa de Desenvolvimento da Indústria Naval de Pernambuco (Prodinpe) e destinamos uma área de 600 hectares no Porto de Suape para abrigar os empreendimentos”, salientou o vice-presidente do complexo, Frederico Amâncio.

1 2Próxima página

3 Comentários

  1. Tenho imensa vontade de trabalhar nesse projeto tenho curso de solda tig+ eletrodo revestido era a oportunidade da minha vida obg

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios