Indústria Naval

Indústria naval – Pernambuco – Coreia do Sul como benchmarking e reforço tecnológico

Adriana Guarda
6 de março de 2011
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    Quando a Coreia do Sul começou a construir navios, nos anos 70, o Brasil já era o número 2 no ranking mundial do setor. Aquela década marcou tempos de bonança para o mercado nacional, enquanto os coreanos lançavam ao mar suas primeiras embarcações. Nas três décadas seguintes, o curso das águas mudou, com o setor no Brasil mergulhando numa crise que quase fez a indústria naval naufragar. Por sua vez, a Coreia saltou para a liderança global, que mantém até hoje. Dos dez maiores estaleiros mundiais, sete são coreanos.

    Hoje, o setor tenta emergir no país e olha para a Coreia do Sul como benchmarking. O rápido crescimento sul-coreano foi resultado de uma política de governo. Depois de enfrentar uma guerra civil, o país asiático decidiu tirar vantagem das características geográficas da península. A saída para a redenção econômica estava no mar. Para atrair investidores internacionais, o governo ofereceu incentivos fiscais, investiu em infraestrutura, induziu a liberação de financiamentos e construiu centros de treinamento para qualificar mão de obra.

    É mais ou menos o que tenta fazer o Brasil atualmente, com a Petrobras comandando a retomada do setor no ritmo dos investimentos em petróleo e gás. Na avaliação do engenheiro sul-coreano Dong-Shik Shin – responsável por içar a Coreia ao topo mundial do setor –, o Brasil deve ter um plano para que esse ressurgimento do setor seja sustentado. “A indústria precisa ser competitiva, para que não fique dependente apenas das encomendas do governo”, alertou. Atualmente, Petrobras e Transpetro lideram o volume de encomendas no país. Para garantir competitividade, o Brasil precisa capacitar mão de obra, modernizar estaleiros antigos, investir em novas plantas navais de última geração e implantar centros tecnológicos.

    O setor privado decidiu tomar as rédeas da inovação tecnológica, criando a Rede de Inovação para a Competitividade da Indústria Naval e Off shore (Ricino). Se a Coreia do Sul é o benchmarking, o Brasil terá de alcançar a meta de construir um navio petroleiro no curto prazo de oito a nove meses. O João Cândido – primeiro petroleiro da retomada do setor – vai demorar mais de três anos para ficar pronto, desde o corte das primeiras chapas de aço até o ritual de entrega à Transpetro. “Corrigir esse tipo de gargalo com soluções tecnológicas é a proposta da Ricino. Algumas ações isoladas vinham sendo desenvolvidas nessa direção. A diferença, agora, é que a rede é encabeçada pelos empresários”, destacou Armando Shinohara, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco e um dos coordenadores do núcleo regional de Pernambuco. A Ricino conta com cinco núcleos localizados nos principais polos navais do Brasil, integrando empresas, governo, instituições de ensino e centros de pesquisa.

    Em Pernambuco, parcerias entre empresas e instituições de ensino estão dando resultado. O EAS doou 300 licenças dos softwares usados no desenvolvimento de projetos de embarcações (navios e plataformas offshore) para as Universidades Federal de Pernambuco, Universidade de Pernambuco e Instituto Federal de Educação. Os programas serão utilizados por alunos de engenharia e de cursos técnicos voltados para a área naval.

     

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