Indústria Naval – Exploração offshore estimula estaleiros e pede mais aço

Além de o projeto ser nacional, outras novidades marcam essa nova etapa da indústria naval: as embarcações terão calado reduzido (shallow draft), que melhor atende os portos brasileiros, e um sistema de carga capaz de armazenar quatro produtos diferentes simultaneamente, com duplo bloqueio de válvulas.

Petróleo & Energia, Indústria Naval - Exploração offshore estimula estaleiros e pede mais aço
Exploração offshore precisa de navios de apoio

Os navios do tipo panamax serão usados pela Transpetro no transporte de óleo cru e dos chamados produtos escuros (como o óleo combustível). Ao todo, serão utilizadas 56 mil toneladas de aço na construção dos petroleiros, fato que vem aquecendo outro segmento: a siderurgia.

Aço aquecido – A indústria brasileira tem capacidade para produzir mais de 42 milhões de toneladas de aço bruto e prevê crescimento com as novas siderúrgicas que estão sendo construídas ou projetadas. O Instituto Aço Brasil (IABr) estima que, até 2016, essa capacidade chegue a 77 milhões de toneladas – 83% a mais do que a atual.

Pelas projeções do setor, somente a demanda da indústria naval brasileira pode superar 1,8 milhão de toneladas nos próximos cinco anos, considerando as encomendas já anunciadas de navios em estaleiros brasileiros. Isso representaria a média de 370 mil t/ano até 2015.

A Transpetro estima em 680 mil t a demanda total de aço para as duas fases do Promef. Sem falar nos navios de apoio marítimo — em torno de 120 unidades, ainda sem encomenda — que vão demandar outras 250 mil toneladas. Isso representará um aumento significativo dessa frota, que vem crescendo a cada ano. De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam), Ronaldo Lima, a frota total do segmento começou o ano com 361 embarcações, das quais 203 de empresas estrangeiras e 158 de empresas brasileiras.

“Atualmente, as empresas operadoras da frota de apoio marítimo estão construindo cerca de 60 novos navios para entrega nos próximos quatro anos. Novas encomendas estão previstas em 2011 e 2012, o que deve duplicar o quadro de construção local de navios de apoio”, pontuou o dirigente, lembrando que a demanda estimada da Petrobras é de mais 200 novos navios de apoio marítimo até 2020.

“A demanda é ainda maior quando considerada a necessidade de outras petroleiras. Portanto, a entrada em operação de novos estaleiros e a expansão dos atuais é fundamental para manter a participação da bandeira brasileira na frota de navios de apoio”, concluiu Ronaldo Lima.

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Como se não bastasse o Promef, a Petrobras também criou o Programa Empresas Brasileiras de Navegação (EBN), com o objetivo de reduzir a dependência externa do país em fretes marítimos. O programa prevê a contratação, em regime de afretamento, no período de quinze anos, de 39 navios que devem ser construídos por empresas brasileiras, em estaleiros estabelecidos no país. Além disso, o programa exige o registro da embarcação sob bandeira brasileira durante toda a duração do contrato.

Os primeiros 19 navios da fase 1, com prazo de entrega até 2014, foram contratados entre o final de 2009 e meados de 2010, nos seguintes estaleiros: Kingfish – três petroleiros de 45 mil TPB (tonelada de porte bruto) para produtos escuros (petróleo, óleo combustível, entre outros); São Miguel – três navios de 4.300 TPB para óleo bunker; Pancoast – quatro navios de produtos de 30 mil TPB, sendo dois para claros (nafta, diesel, querosene, gasolina) e dois para escuros; Elcano – três navios gaseiros pressurizados de7.000 m³; Delima – três navios para bunker de aproximadamente 2.500 TPB; e Global – três navios para claros de 45 mil TPB.

Na fase2, aPetrobras recebeu propostas de 40 armadores, entre nacionais e internacionais, mas para construção da embarcação no país, para afretamento de 20 navios petroleiros, que deverão ser entregues entre 2014 e 2017. O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, observou que a concorrência pode motivar a criação de mais estaleiros no Brasil, já que o parque industrial está com a capacidade instalada ocupada pelos próximos anos. A licitação prevê um índice de nacionalização mínimo de 50%. “Em mais um mês ou um mês e meio estaremos definindo a concorrência”, disse Costa.

Os 20 navios são: três Aframax de 150 mil TPB; três Panamax de 110 mil TPB; oito navios de produtos (claros e escuros) de 45 mil TPB; dois navios de 18 mil TPB para escuros; quatro gaseiros, sendo dois de 12 mil m³ e dois de 8 mil m³.

Desse total, já foi contratado o afretamento de 12 embarcações: da Kingfish – oito navios de 45 mil TPB, sendo quatro para produtos claros e outros quatro para escuros; Brazgax-Brazil Gás Transportes Marítimos – quatro navios de GLP (gás liquefeito de petróleo), dois com capacidade de 8 mil m³ e dois de 12 mil m³.

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O consumo de aço é crescente levando-se em consideração que, mesmo sem contabilizar todos os empreendimentos necessários para viabilizar o desenvolvimento da camada pré-sal e o aumento da produção de petróleo e gás em todo o país, a Petrobras vai demandar quatro milhões de toneladas de aço até 2015, na forma de cascos de navio, plataformas, sondas, além de tubos e equipamentos. Isso equivale a mais de um terço da produção brasileira de aços planos.

Em janeiro desse ano, a Usiminas venceu licitação para fornecer as 13 mil toneladas de chapas de aço destinadas à construção de navios do Promef no Estaleiro Ilha. Ela foi a grande vencedora da licitação que reuniu doze usinas siderúrgicas de cinco países. Com essa vitória, o grupo já soma 66 mil toneladas de aço contratadas para empreendimentos do Promef, ou seja, cerca de 40% do total de chapas compradas para o programa até o momento, que somam 168 mil toneladas.

“Nosso desejo é que todo o aço necessário à construção dos navios do Promef seja comprado no Brasil. E assim faremos, sempre que o preço for competitivo, ou seja, compatível com o praticado no mercado mundial”, ponderou Sergio Machado. Segundo ele, a empresa continuará realizando tomadas internacionais de preços a fim de obter sempre as melhores condições comerciais para os estaleiros participantes do Promef. Uma estratégia mais do que necessária, tendo em vista o peso do aço no custo de um navio (20% a 30%).

 

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