Indústria Naval

Indústria Naval – Exploração offshore estimula estaleiros e pede mais aço

Bia Teixeira
6 de março de 2011
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    A fase atual não tem comparação com nenhum outro momento da história da indústria naval e offshore. Esse parece ser um consenso entre estaleiros e fornecedores de bem e insumos do setor. Nunca a indústria naval brasileira teve uma carteira de projetos de tal porte: são cerca de 300 embarcações, entre navios de carga de distintos portes, petroleiros, gaseiros, graneleiros, porta-contêineres, de apoio marítimo, rebocadores portuários e comboios fluviais, além de mais de 100 plataformas e navios-sondas.

    Esse pacote de encomendas, a cargo de quase quatro dezenas de estaleiros distribuídos de norte a sul do país, ainda é pequeno comparado às oito mil embarcações da carteira da indústria naval mundial. No entanto, já atrai a atenção de investidores de todos os cantos do mundo, interessados no aquecimento desse setor, que está trabalhando a toque de caixa.

    “A estimativa é de que a capacidade atual de processamento de aço dos 37 estaleiros associados ao Sinaval, estimada em 560 mil toneladas ano, aumente para cerca de um milhão de t/ano, considerando os projetos de expansão e implantação de 13 novos estaleiros”, calculou o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha.

    Ele observa que o setor da construção naval tem ciclo longo de planejamento e produção, fabricando um bem de capital sob encomenda (de navios de todos os tipos a petroleiros, plataformas e sondas, além de barcos de apoio). “Em todos os países onde a construção naval tem papel de destaque, existe uma forte decisão política da sociedade para apoiar o setor”, frisou o dirigente, lembrando que a maior parte dos pedidos vem da indústria de óleo e gás.Petróleo & Energia, Indústria Naval - Exploração offshore estimula estaleiros e pede mais aço

    A alavanca do Promef – Além das encomendas da Petrobras e dos projetos previstos para o desenvolvimento do pré-sal, expansão da produção e prospecção de novas fronteiras exploratórias, há também as da Transpetro, que darão um novo perfil à subsidiária ligada ao setor de transportes.

    O Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), um dos principais projetos estruturantes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área naval, teve um papel chave nessa retomada da indústria brasileira e gerou mais de 15 mil empregos diretos.

    As primeiras duas fases do programa, que prevê a construção de 49 navios (todos já licitados), são aponta- das como fator crucial para esse renascimento da indústria em bases mundialmente competitivas. O programa praticamente dobrará a frota da Transpetro, que deverá ter mais de 110 navios em 2014.Petróleo & Energia, Indústria Naval - Exploração offshore estimula estaleiros e pede mais aço

    Hoje, o Brasil possui a quarta maior carteira de encomendas de navios-petroleiros do mundo. Ao longo dos próximos anos, a expectativa é de que sejam gerados, apenas com a construção de navios para a estatal petroleira, 40 mil empregos diretos e 160 mil indiretos.

    “Nos últimos dez anos, o setor demonstrou claramente sua capacidade de investir e promover renda e emprego em diversas regiões do país”, disse Ariovaldo Rocha, lembrando que os estaleiros continuam em plena atividade, para cumprir os contratos assinados em anos anteriores.

    Também são esperadas novas contratações de plataformas, navios de apoio e navios-petroleiros. Recentemente a Petrobras contratou o primeiro lote de sete navios-sondas com o Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, abrindo um novo segmento de construção e de agregação de tecnologia.

    As propostas da última etapa de licitações do Promef, relativas à licitação de oito navios de transporte de produtos derivados de petróleo, foram entregues no final de março pelos estaleiros Ilha S.A. (Eisa) e Mauá, ambos no Rio de Janeiro.

    Os demais 41 navios foram encomendados e representam um investimento total de R$ 9,6 bilhões, distribuído aos Estaleiros Atlântico Sul (EAS), Promar, Mauá, Eisa e Superpesa. Somente no ano passado, foram lançados ao mar os três primeiros navios do programa: o suezmax João Cândido, pelo EAS, e os navios de produtos Celso Furtado e Sérgio Buarque de Holanda, pelo Estaleiro Mauá.

    Uma semana antes, no dia 18, começou a ser construído no Estaleiro da Ilha o primeiro dos quatro navios panamax encomendados pelo Promef. Nesse estaleiro, um dos mais antigos do país, mas que desde 1977 não tinha nenhuma encomenda para a Petrobras, serão construídos quatro navios do tipo panamax, com228 metrosde comprimento e capacidade para transportar 550 mil barris de petróleo. Dois deverão ser lançados ao mar no próximo ano e os outros dois, até 2013, dentro de um contrato de R$ 856 milhões.

    “Das 437 embarcações construídas pelo Eisa desde sua fundação, cem foram encomendadas pela estatal. Hoje, depois de catorze anos, iniciamos a construção do 101º navio. E é para a Transpetro”, comemorou o presidente do Eisa, Jorge Gonçalves.

    “Quando falávamos que poderíamos voltar a construir navios, as pessoas não acreditavam. Hoje, a indústria naval brasileira renasceu e já emprega 50 mil pessoas”, complementou o presidente da Transpetro, Sergio Machado, durante a solenidade de início da construção do panamax, marcada pelo corte do aço.


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