Indústria Naval

Indústria naval – Exploração do pré-sal coloca mais pedidos nos estaleiros do sul

Valerio Cabral e Fernando C. de Castro
27 de maio de 2012
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    Os investimentos diretos a serem realizados até 2017 no complexo portuário de Rio Grande-RS totalizam mais de R$ 20 bilhões, com forte impacto na economia local e na abertura de negócios. Porém, a participação da indústria regional neste setor não chega a 20%, sendo necessário promover mudanças para aproveitar melhor essa onda de crescimento. O destino dos projetos é sempre a exploração de petróleo e gás na camada pré-sal, capaz de gerar encomendas de vulto e abrir cerca de 40 mil vagas nesse polo naval durante os próximos cinco anos.

    Além da finalização da plataforma P-55, cujo casco foi feito em Suape-PE e que deve sair do dique seco do Estaleiro Rio Grande ainda em junho, o polo abriga atualmente os projetos das plataformas de petróleo P-58 e P-63, que estão sendo construídas no canteiro do consórcio Quip, no Porto Novo, e a P-66 – primeira das oito estruturas que serão fabricadas pela Ecovix no Estaleiro Rio Grande, no Distrito Industrial, para serem utilizadas pela Petrobras na exploração do pré-sal.

    Fora esses investimentos já consolidados, o grupo Wilson, Sons projeta investir US$ 140 milhões na construção de um estaleiro para fabricar rebocadores e embarcações de apoio para o setor de óleo e gás.

    As cidades da região também aproveitam esse ciclo de desenvolvimento. Do outro lado do canal,em São Josédo Norte, a EBR Estaleiros obteve da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) a licença prévia para a instalação do seu estaleiro. O empreendimento, com investimento de R$ 672 milhões, deve gerar mais de 5 mil empregos na região, impulsionando a economia local.

    Em visita à região no final do ano passado, os representantes da EBR estavam acompanhados de uma comitiva de empresários japoneses do grupo Global Toyo. Os asiáticos estão se apresentando como investidores em potencial do estaleiro. O empreendimento será construído na localidade do Cocuruto, na mesma municipalidade, devendo gerar seis mil empregos diretos e outros 15 mil indiretos.

    Grandes transformações – Em pouco mais de cinco anos o cenário de Rio Grande foi completamente alterado. Mudanças significativas surgiram nos mais diversos aspectos e segmentos, incluindo o aumento da população e da frota de veículos, além do crescimento das ofertas nas áreas de habitação, educação, redes de supermercados e hotéis.

    A alteração na estrutura da cidade se deu, em especial, com a plataforma oceânica P-53 da Petrobras, cujos módulos foram integrados no porto de Rio Grande pelo consórcio Quip S/A, a partir de 2006. Com um custo de R$ 2,5 bilhões, a obra da plataforma gerou 4,3 mil empregos. Estes fatores deram ao município a confortável 54ª posição no ranking das 100 melhores cidades do país para se fazer carreira, elaborado mediante pesquisa da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), e publicado pela Revista Você S/A em 2010.

    Essas mudanças no cenário estrutural do município refletem diretamente na economia, que está sendo alavancada pelo setor naval. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rio Grande está entre as cidades com o maior Produto Interno Bruto (PIB) do estado. A pesquisa é referente a 2009 e, conforme o gráfico apresentado, a cidade aparece na quarta posição, perdendo apenas para os municípios de Porto Alegre, Canoas e Caxias do Sul (nesta ordem).

    O PIB do Rio Grande naquele ano foi de R$ 6.280.879,43. As pesquisas também mostram que o município apresenta uma evolução no PIB com relação aos outros municípios desde 2006, quando aparecia na sétima posição, passando para o sexto lugar em 2007 e assumindo a quarta posição a partir de 2008.

    Conforme o IBGE, o setor que mais contribuiu com o PIB do Rio Grande, em 2009, foi o de serviços, incluindo o comércio. O valor absoluto do PIB do setor, no mesmo ano, foi de R$ 2.782.161,22, contribuindo em 44,30% para o PIB total. O segundo setor mais expressivo foi o da indústria, com 29,15% do total. Os impostos representam 24,40% do PIB; os serviços da administração pública, 15,41%; e agropecuária, 2,15%.

    Para os próximos anos as projeções são ainda melhores para a cidade. Rio Grande não só deve manter a curva ascendente, mas tende a assumir posições ainda mais privilegiadas no cenário estadual. Isso porque a construção de plataformas e cascos para a exploração da camada pré-sal promete injetar bilhões de reais na cidade.

    Esses empreendimentos devem gerar em cinco anos algo em torno de 40 mil empregos diretos e indiretos. Os novos investimentos, segundo estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), farão com que os números da cidade se multipliquem até 2020, lançando Rio Grande na 2ª posição do PIB gaúcho, atrás apenas de Porto Alegre.

    “Nossa maior necessidade nesse momento é a qualificação profissional.” A afirmação é do prefeito de Rio Grande, Fábio Branco. Ele enfatiza a necessidade de qualificar os trabalhadores locais para atuar no setor naval. “Não basta o trabalho de atração de empresas e investimentos para Rio Grande, nós precisamos qualificar as pessoas, pois o rio-grandino só estará incluído no desenvolvimento se estiver capacitado e tiver as oportunidades”, comentou.



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