Indústria Naval

Indústria naval – Bahia – Polo baiano entra na briga pelos pedidos de óleo e gás

Jose Valverde
7 de março de 2011
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    Na Bahia, o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) já desencadeou três frentes de realizações: a reativação do estaleiro de São Roque do Paraguaçu, que pertence à própria Petrobras, onde as construtoras Odebrecht e UTC constroem consorciadas e simultaneamente duas plataformas autoeleváveis (jack up), P-59 e P-60; a construção, em curso, do estaleiro Enseada do Paraguaçu, empreendimento do consórcio Odebrecht/OAS/UTC para a produção de sondas, plataformas de todos os tipos e outras encomendas; e a implantação de quatro canteiros industriais onde serão armados os módulos de utilidades e serviços para plataformas, realização prevista no protocolo de intenções assinado em setembro pelo governo do estado com duas construtoras baianas – GDK e Belov Engenharia –, a mineira Multitek e a paulista Niplan.

    Para o titular da Secretaria da Indústria Naval e Portuária da Bahia (Seinp), Roberto Benjamin, fora o importante aumento da arrecadação, a boa expectativa desses empreendimentos aponta para a criação de 15 a 16 mil postos de trabalho diretos na região do Recôncavo.

    As mencionadas P-59 e P-60, em construção simultaneamente com base em contrato de aproximadamente US$ 700 milhões, assinado em setembro de 2008, são consideradas plataformas de menor porte, para perfurações em lâminas de água de até 110 metros. Ambas apresentam pernas retráteis, que possibilitarão a elevação da estrutura acima do nível do mar, e casco flutuante.

    Ambas devem estar prontas no decorrer de 2012, quando passarão a operar no litoral da Bahia, prospectando gás. A Petrobras espera encontrar outras reservas em formações próximas a Manati, na Baía de Camamu, próxima à de Todos os Santos, de onde procedem os 6 milhões de m³/dia injetados no sistema de dutos da Petrobras no Nordeste. Manati é a maior reserva de gás não associado do Brasil.

    São variadas as informações sobre o que ocorrerá em São Roque depois da construção das plataformas P-59 e P-60. Há rumores sobre a possibilidade de reformar nessas instalações plataformas antigas, como a Petrobras III e a XIV; ou usá-las para construir duas jaquetas para 50 mil barris/dia – ambas destinadas ao projeto definitivo do reservatório de Siri, no campo de Badejo (Bacia de Campos); ou ainda construir plataformas para os campos de Camorim e Dourados, no litoral de Sergipe.

    A última plataforma construídaem São Roquedo Paraguaçu, concluída em 2004, é a gasífera Peroá-Cangoá (PPER 1), com capacidade para 5,5 milhões de m³/dia, instalada no litoral do Espírito Santo. Na sequência, ao custo de US$ 339 milhões, houve a construção do topside da importante plataforma de Rebombeio Autônoma (PRA 1), que movimenta 800 mil barris/dia na Bacia de Campos. Tambémem São Roque, foi construída a plataforma automática (operada por controle remoto) do campo de Manati.

    Por causa da reativação de São Roque do Paraguaçu, que foi inaugurado em 1977, a Petrobras construiu no seu entorno um conjunto de casas para 200 famílias e um alojamento para mil trabalhadores. Outras instalações, também recentes, incluem auditório, laboratório, salas de aula etc. Nessas instalações, por meio de uma parceria entre o Prominp e o Senai-BA, estão sendo capacitados mais de mil moradores, pessoas dos velhos municípios do Recôncavo, como Maragojipe – onde fica o distrito de São Roque do Paraguaçu –, Cachoeira, São Félix, Santo Amaro e Nazaré. São todos municípios do lado mais empobrecido do Recôncavo, onde a Companhia das Índias Ocidentais implantou a economia canavieira e a produção do açúcar. Os trabalhadores estão passando de pescadores ou agricultores para soldadores, caldeireiros, mecânicos, pintores, lixadores e encanadores.

    Situado às margens do Paraguaçu, perto da foz na Baía de Todos os Santos, esse estaleiro oferece águas tranquilas, calado natural em torno de 10 metros e uma localização muito valorizada – o ponto central entre os extremos norte e sul do litoral brasileiro. Em frente, está sendo construído outro estaleiro, o Enseada do Paraguaçu.

    Petróleo & Energia, Roberto Banjamin, Titular da Seinp, Indústria naval - Bahia - Polo baiano entra na briga pelos pedidos de óleo e gás

    Benjamin: estaleiro cria empregos no Recôncavo

    Licitação – O Enseada do Paraguaçu, estaleiro projetado pelo consórcio Odebrecht/OAS/UTC, ficou em quinto lugar na recente licitação para a construção de sete navios-sondas para o pré-sal, entre sete concorrentes – resultado anunciado em fevereiro. A proposta que apresentou – US$ 5,3 bilhões – excedeu em US$ 700 milhões a do estaleiro vencedor, o pernambucano Atlântico Sul, que se conformou em pedir US$ 4,6 bilhões.

    Analistas jurídicos e financeiros acreditam que a Petrobras está inclinada a negociar a redução dos valores apresentados pelos sete grupos que disputaram a licitação para valores próximos do apresentado pelo primeiro colocado – e então fatiar a construção dos navios restantes com todos os concorrentes da licitação.

    A confirmação dessa possibilidade, que certamente ensejaria a aceleração das obras de construção do estaleiro, como acredita o governo do estado, está sendo ansiosamente esperada na Bahia. O diretor superintendente da Odebrecht Engenharia Industrial, Fernando Barbosa, revelou que no ambiente do consórcio liderado por sua empresa a expectativa é de que a Petrobras continue dando prosseguimento ao processo licitatório para a contratação dos restantes 21 navios-sondas, “em lotes de até sete navios-sondas”.



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