Máquinas e Equipamentos

Indústria nacional procura caminhos para recuperar vendas e reestruturar produção

Marcelo Fairbanks
16 de julho de 2018
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    Petróleo & Energia, Válvula de esfera para setor de óleo e gás, da KSB

    Válvula de esfera para setor de óleo e gás, da KSB

    A crise econômica de 2014-17 fez um grande estrago na indústria brasileira de válvulas industriais. O impacto do corte de desembolsos da Petrobras – a maior cliente do setor – resultou em falências, fusões e na extinção de fabricantes, reduzindo o setor a uma fração do que era até 2013.

    Petróleo & Energia, Garcia: setor está sob risco de ampla desnacionalização

    Garcia: setor está sob risco de ampla desnacionalização

    É verdade que já se afirmava há alguns anos a necessidade de reformular o panorama da indústria de válvulas, povoado por muitas empresas, das quais várias de pequeno porte, com pouca sobra de caixa para absorver dificuldades sazonais ou investir em projetos de modernização. Só não foi possível prever a extensão e a profundidade desta crise, instalada de forma abrupta.

    “As empresas participantes da Comissão Setorial de Válvulas Industriais (CSVI) da Abimaq estão operando com 60% do volume anual que era negociado até 2013”, informou Rodolfo Garcia, presidente da CSVI e diretor da Thermoval, fabricante especializada em válvulas solenoide. Como salientou, os investimentos das estatais estão quase parados, e isso se reflete diretamente na venda de válvulas novas. “Ainda há algum mercado de reposição e também de manutenção, mas a concorrência ficou mais acirrada.”

    Além das estatais, as indústrias privadas também reduziram seus planos de aumento de capacidades no Brasil. “Há um clima de falta de confiança na economia nacional, ninguém sabe o que vai acontecer, isso afeta os negócios”, afirmou.

    Ao mesmo tempo, Garcia observa que a recuperação paulatina da economia trará de volta as encomendas, porém os fabricantes locais devem estar preparados. “Muitas empresas nacionais foram vendidas para concorrentes multinacionais, há um risco de desnacionalização do setor”, adverte. Para as companhias internacionais, pode ser mais interessante importar as válvulas completas ou a maior parte de seus componentes, deixando apenas a montagem para ser feita no país. A CSVI contava com 65 empresas associadas, agora está com 53.

    A exigência de conteúdo fabricado no país para a concessão de créditos do BNDES e para benefícios tributários é apontada como boa alternativa para incentivar o setor. “O custo Brasil pesa muito contra o fabricante local, tira a sua competitividade”, afirmou Garcia. “O subsídio implícito do BNDES é de 6%, mas nós pagamos de impostos quase 40% do valor de cada peça.”

    O presidente da CSVI ressalta que algumas empresas nacionais se prepararam e estão aptas para competir não só no Brasil, mas também no exterior. A própria Thermoval fez um trabalho forte de reestruturação nos últimos três anos, aumentando a verticalização para reduzir a incidência em cascata de impostos. “Conseguimos uma posição muito forte em solenoides, respondemos por 70% da fabricação local, mas só temos 20% desse mercado, pois a presença de importados é grande”, disse, garantido ser competitivo até em relação aos fornecedores asiáticos.

    “Não acreditamos em protecionismo, mas em redução de custos e aumento de eficiência, mas pedimos isonomia em relação aos importados, que pagam menos impostos”, explicou. A Thermoval, por exemplo, está adaptada aos conceitos de Indústria 4.0, com automação da produção e integração das operações internas. “Desde a colocação do pedido até a entrega, tudo é controlado pelo sistema informatizado, aliás, nossos clientes já estão trabalhando nesse sistema também.” Mesmo assim, a empresa está contratando funcionários. “Nesses três anos, nosso quadro de pessoal foi duplicado”, comentou.

    Além disso, Garcia ressalta que as válvulas estão a cada dia ficando mais inteligentes, recebendo atuadores e sistemas de comunicação de rede, mesmo nos modelos mais simples. Isso exige atualização tecnológica e adaptação dos produtos existentes.

    Retorno possível – O quadro atual é assustador, mas não deve significar o fim da fabricação nacional de válvulas industriais. “O Brasil é um grande consumidor desses equipamentos e a importação precisa conviver com a instabilidade cambial, que é uma vulnerabilidade importante”, considerou Bruno Pellicani, gerente comercial de válvulas da KSB, sobre a possibilidade de a demanda local ser atendida exclusivamente por produtos importados.

    A empresa de origem alemã reestruturou sua atividade em válvulas para fazer frente ao quadro ruim de mercado. “Éramos um empresa independente, agora somos uma divisão da KSB Bombas, nossa fábrica de Jundiaí-SP passou a abrigar também a linha de produção de bombas seriadas da companhia, até porque estávamos com elevada ociosidade”, explicou. Isso permitiu eliminar departamentos redundantes, especialmente na área administrativa, e reduzir custos.



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