Indústria extrativa cresce 8,2% no 1º semestre com recorde na exportação de petróleo

No primeiro semestre de 2022, houve um aumento de 9,7% na produção de petróleo, ao passo que as exportações tiveram um avanço de 21,8%

O setor de petróleo e gás natural teve um impacto significativo na produção nacional no primeiro semestre deste ano, representando 10% do PIB industrial brasileiro. A produção de óleo aumentou 9,7% e a produção de gás natural cresceu 7,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior. É um indicativo que a indústria extrativa cresce.

Essas atividades foram responsáveis pelo crescimento de 8,2% das Indústrias Extrativas no primeiro semestre, de acordo com o economista Cloviomar Cararine, do Dieese, com base nos dados do PIB do IBGE.

As exportações de petróleo também contribuíram para o bom desempenho do setor, com um crescimento de 21,8% em comparação aos dois semestres. O Brasil exportou um recorde de 1,47 milhão de barris de petróleo por dia, em média, no primeiro semestre deste ano.

Do total de petróleo produzido, 46% foi exportado, o que corresponde a uma média diária de 3,226 milhões de barris. A Petrobras sozinha foi responsável por 39% desse volume, equivalente a uma média diária de 571 mil barris. O restante foi comercializado por outras empresas, nacionais e estrangeiras.

O aumento na produção brasileira de petróleo foi impulsionado principalmente pela produtividade dos campos do pré-sal, bem como pela entrada em operação de novas plataformas. Isso é resultado dos investimentos realizados pela Petrobras entre 2010 e 2013.

Além disso, o aumento do Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias também contribuiu para o desempenho do setor extrativo. Embora o crescimento do FUT no primeiro semestre tenha sido modesto, de apenas 0,03%, espera-se um aumento significativo no segundo semestre.

A Petrobras tem aumentado sua produção de combustíveis desde o início do ano, alcançando um FUT de 97,3% em agosto, o melhor resultado desde dezembro de 2014.

Petróleo fechou em alta

O preço do petróleo subiu pela quinta sessão consecutiva nesta segunda-feira (18), atingindo as máximas desde novembro de 2022. A expectativa de cortes na produção saudita e russa tem mantido o mercado de petróleo apertado no curto prazo.

O barril do petróleo WTI, referência americana para entrega em novembro, fechou em alta de 0,62%, a US$ 90,58. Já o barril do Brent, referência global para entrega em novembro, subiu 0,53%, a US$ 94,43.

Craig Erlam, analista-sênior de mercados da Oanda, afirma que o rali do petróleo tem sido implacável e não mostra sinais de exaustão. Ele destaca que o aumento de 15% em três semanas, levando os preços para níveis não vistos desde novembro passado, é impressionante e pode ter mais crescimento pela frente.

Erlam ressalta a eficiência da Arábia Saudita e da Rússia, membros da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados), em apertar o mercado e elevar o preço do barril. No entanto, ele pondera que se a demanda diminuir quando os cortes adicionais expirarem, o preço poderá se estabilizar.

Uma preocupação dos investidores é o impacto da alta do petróleo na inflação global e na resposta dos bancos centrais. Neil Shearing, economista-chefe da Capital Economics, acredita que essa preocupação será passageira. Ele sugere que os investidores observem o comportamento do núcleo da inflação e espera uma queda constante ao longo do próximo ano, à medida que as distorções relacionadas à pandemia desaparecem.

Shearing reconhece que os preços mais altos do petróleo podem influenciar a inflação subjacente, à medida que as empresas repassam os custos energéticos mais elevados para os consumidores. No entanto, ele considera que essa ameaça é maior quando a situação econômica é forte. Como a maioria das economias avançadas deve entrar em recessão moderada nos próximos seis meses, Shearing acredita que as forças desinflacionárias prevalecerão.

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